Numa altura de pandemia global, o ECO foi bater à porta dos gestores que estão em teletrabalho em casa para uma conversa por telefone ou videochamada. O CEO da Bial foi o quarto.

O CEO da Bial está entre regime de teletrabalho e presencial, o que não o impede de gerir a empresa e assegurar a produção de medicamentos. António Portela é um dos muitos portugueses que está a trabalhar entre casa e a empresa e a fazer horas extras para assegurar a produção. É o quarto a ser entrevistado na nova rubrica diária do ECO chamada Gestores em teletrabalho.

Face a esta pandemia mundial, António Portela começa por explicar que está a adaptar a vida pessoal e profissional às circunstâncias: “Estou a trabalhar parte do tempo em teletrabalho e outra parte nas instalações da Bial, até porque temos muita gente trabalhar na empresa e precisamos de produzir os medicamentos”.

Perante a corrida às farmácias e os tempos que se avizinham, António Portela adianta que “as autoridades competentes têm-nos pedido para reforçarmos os stocks, nomeadamente de medicamentos mais essências”.

Face ao pedido e às necessidades, reforça que, “neste momento, estamos a operar a mais de 100%, estamos a fazer horas extraordinárias e fins de semana para conseguirmos garantir que aumentamos os nossos stocks em determinados medicamentos que sabemos que podem ser fundamentais em situações de crise”.

Face ao aparecimento do covid-19, António Portela explica que a Bial “ativou um plano de continuidade de negócios para situações como esta ou outras muito graves. Temos que garantir que funcionamos bem, assim como como toda a cadeia logística”. Garante que a grande responsabilidade da empresa “é garantir que continuamos a fornecer todos os outros medicamentos essenciais que as pessoas precisam”.

“Estamos a operar a mais de 100%, estamos a fazer horas extraordinárias e fins de semana para conseguirmos garantir que aumentamos os nossos stocks em determinados medicamentos que sabemos que podem ser fundamentais em situações de crise.” António Portela CEO da Bial

“Temos que garantir que conseguimos operar e que conseguimos fornecer medicamentos fundamentalmente com dois propósitos: temos que proteger as nossas pessoas e garantir que continuamos a produzir e a fornecer medicamentos às pessoas que precisam deles”. Explica que a situação é muito grave e que as pessoas estão muito preocupadas com o covid-19, mas que é importante não esquecer “que as pessoas continuam a ter outras doenças e precisam desses medicamentos”.

Tendo em conta que a pandemia já chegou a mais de 150 países, existe a necessidade de “garantir que existem medicamentos em Portugal, mas também em outros países como Espanha e Itália onde a situação é ainda mais grave”.

Para assegurar a produção, a Bial conta, neste momento, com os trabalhadores da fábrica, da área de qualidade e logística. “Os trabalhadores percebem que é uma situação de emergência e o esforço tem sido absolutamente inexcedível”, refere com orgulho António Portela.

Face às medidas de contingência, o CEO da Bial refere que “mais de metade dos colaboradores estão a trabalhar remotamente” e que o comerciais estão todos em casa desde a semana passada “porque, obviamente, não queríamos que eles estivessem em contactos com hospitais, nem centros de saúde”, explica. António Portela, refere ainda que foi uma medida para proteger os comerciais da Bial, “mas também porque percebemos que eles poderiam estar mais a estorvar que propriamente a ajudar nesta fase”.

A nossa grande responsabilidade é garantir que continuamos a fornecer todos os outros medicamentos essenciais que as pessoas precisam.António Portela CEO da Bial

Quanto ao futuro da economia, António Portela, destaca que tudo depende de quanto tempo esta pandemia durar. “Quanto mais tempo isto durar, mais vulneráveis vão ficar as empresas. É absolutamente necessário que as empresas consigam estar paradas sem quebrarem, porque se isto acontecer, a seguir vamos ter uma taxa de desemprego enorme”.

Espera que depois disto tudo não seja “um caos económico”. “Se não morrermos da doença, espero não morrermos da cura”, desabafa o CEO da Bial.

Considera que quem está a governar tem, neste momento, “decisões muito difíceis para tomar perante muitas indecisões”. Destaca que o Estado vai ter que apoiar as empresas, mas não vai conseguir fazer isso sozinho: “é um trabalho em conjunto com a União Europeia e vai ser necessário tomar medidas muito sérias e muitíssimo fortes para garantir que a economia, as empresas e as pessoas aguentem o máximo tempo possível uma situação que pode durar algum tempo“, alerta.

O CEO da Bial aplaude a onda de solidariedade que se tem formado e apela a todos para que “fiquem em casa perante este inimigo invisível. Somos nós que vamos conseguir travar, todos juntos, esta batalha”, conclui.

Entrevista publicada em 20 de março de 2020 no jornal digital Eco