jose moreira da silva 

A passagem de ano é um ritual que vai modernizando a lenda das origens. As sociedades actuais necessitam de dar lugar à expansão das forças caóticas, para que, em seguida, tudo regresse à ordem. É o mito da renovação e de algum modo, do eterno retorno: tudo vai e tudo volta. Ainda hoje, há zonas do mundo, onde na noite de passagem de ano, o que é velho ou considerado desnecessário e gasto, é atirado pela janela.

É usual no nosso País, na passagem de ano, as pessoas, ao bater das doze badaladas da meia-noite, comerem as uvas passas, empurradas com um gole de espumante, formularem um a um, os seus doze desejos para o ano que está a chegar. Há quem faça questão de o realizar em cima de uma cadeira, ou o faça com uma dúzia de saltos, apoiados sobre o pé direito. Segundo os que acreditam, esta é uma combinação virtuosa de rituais, que eleva as probabilidades dos desejos se materializarem.

As doze uvas passas são uma instituição na noite de réveillon em Portugal. Cada uma, um desejo, doze aspirações para um ano auspicioso. Mas o gesto pode ganhar contornos mais exigentes. É nesse nível de exigência que devem ser apontados os desejos para o novo ano. São de âmbito mundial, mas também para Portugal e desejos também para a Trofa. Obviamente!

1º Desejo: Paz Mundial. Que os governantes de todo o mundo se entendam no percurso para uma paz efectiva e duradoura;

2º Desejo: Fim da fome. Que deixem de morrer pessoas à fome e que as crianças de todo o mundo possam crescer em abundância;

3º Desejo: Desenvolvimento sustentável. Que seja possível prover o melhor para as pessoas e para o ambiente sem comprometer o futuro;

4º  Desejo: Fim do desemprego e da miséria em Portugal. Que se esbata o fosso entre ricos e pobres e que os mais de 2 milhões de portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza encontrem finalmente aquilo a que têm direito: uma vida digna;

5ºDesejo: Controlo financeiro: Que os governantes tenham a capacidade de fazer parar o crescimento da dívida externa de Portugal, que já vai em mais de cem por cento do PIB, para não comprometerem as gerações vindouras;

6º Desejo: Melhor Justiça: Que seja possível efectuar uma verdadeira reforma do sistema judicial em Portugal, para que não seja possível mais nenhum caso “Casa Pia” que já decorre há mais de cinco anos em Tribunal;

7º Desejo: Município da Trofa: Que no Concelho nasça, finalmente, o edifício da Câmara Municipal integrado numa nova centralidade;

8º Desejo: PDM da Trofa: Que seja uma certeza, a curto prazo, o surgimento do documento orientador de desenvolvimento com justiça e equidade;

9º Desejo: Metro na Trofa: Que a vinda do Metro seja uma realidade, devolvendo assim a justiça a muitos Trofenses que se viram espoliados há  mais de sete anos do seu único meio de transporte público;

10º Desejo: Água e Saneamento: Que todas as casas existentes no nosso Concelho sejam abastecidas de água potável e tenham saneamento básico;

11º Desejo: Variantes: Que o sonho das alternativas às EN14 e EN104, sejam um sonho tornado realidade para assim acabar o caos do trânsito na Trofa;

12º Desejo: Que todos os Trofenses tenham um ano de 2010 fabuloso.

 Para que seja possível a concretização dos nossos desejos, todos temos de fazer o melhor que soubermos e pudermos, pois é essa a nossa responsabilidade humana. Assim, neste Ano Novo, todos terão uma Vida Nova! 

     .José Maria Moreira da Silva

     moreira.da.silva@sapo.pt