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Para que que serviu a Guerra no Irão?

João Mendes

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Aparentemente, o conflito no Irão terá chegado ao fim. À data que escrevo estas linhas, é expectável que EUA e Irão assinem um acordo na Sexta-feira, dia 19 de Junho, que não prevê o cumprimento de qualquer objectivo enunciado por Trump no final de Fevereiro, quando ordenou o ataque contra o regime teocrático.

Contas feitas, os EUA não derrubaram o regime, não vergaram militarmente o Irão, não destruíram os proxies e, em bom rigor, não mudaram nem obliteraram coisa nenhuma. O único efeito prático da intervenção americana ordenada por Telavive foi a oferta, numa bandeja dourada, de uma nova e poderosa arma à Guarda Revolucionária Iraniana, que é quem, de facto, governa o país: o Estreito de Ormuz. Mais eficaz e fácil de usar que a hipotética arma nuclear que o Irão nunca teve nem estava perto de ter.

O regime americano sai deste conflito em pior posição no Médio Oriente. Aliados desconfiados e com elevados prejuízos, capacidade de produção e exportação de petróleo e gás altamente condicionada, portagens no Estreito de Ormuz e o stock de antiaéreas em mínimos históricos. Até os Patriot estacionados na Coreia do Sul foram transferidos para a região.

Já os oligarcas do trumpismo ganharam imenso dinheiro. Trump, os seus filhos, o seu genro, os techbros, os fundamentalistas evangélicos e os cryptomafiosos saem disto com os bolsos cheios. Os restantes – onde eu e o caro leitor nos incluímos – ficaram mais pobres.

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Para que serviu, então, esta guerra?

A resposta parece-me óbvia: serviu para enriquecer a oligarquia trumpista. A oligarquia da administração mais corrupta da história dos Estados Unidos da América.

Uma administração onde os lugares são ocupados não pelo mais competente, mas por aquele que deu as mais generosas doações à candidatura de Donald Trump, como foram os casos de Linda McMahon ou Scott Bessent.

Uma administração que perdoa criminosos a braços com a justiça americana a troco de investimentos avultados nas empresas de Trump e dos seus familiares. Foram os casos de Changpeng Zhao, fundador da Binance, de Justin Sun, fundador da TRON, ou de Ross Ulbricht, fundador da Silk Road, um marketplace na dark web conhecido por ser usado como território de tráfico de droga em larga escala.

Uma administração que usa visitas de Estado para expandir os negócios da família do presidente. Hotéis, campos de golfe, country clubs e outros investimentos serviram, em alguns casos, para reduzir ou remover tarifas impostas pelo próprio Trump.

Uma administração que aceita subornos de governos estrangeiros para obter o favor do presidente americano, como aconteceu com o Qatar, com os EAU ou com a Arábia Saudita, três regimes ditatoriais de calibre idêntico ao iraniano.

Uma administração que fez desaparecer todos os processos contra as tecnológicas a troco de financiamento para a sua campanha, para a sua inauguração e para os seus negócios de criptomoedas.

Uma administração cujo presidente perdoou mais de 100 criminosos relacionados com tráfico de drogas, incluindo o narcotraficante e ex-presidente das Honduras, Juan Orlando Hernández.

Podia continuar por muitas mais linhas. Mas quero usar os caracteres que me restam para voltar ao ponto inicial: para que serviu a Guerra no Irão?

Mudou o regime? Não.

Acabou com o programa de mísseis balísticos iranianos? Não.

Isolou ainda mais o regime? Não.

Destruiu os proxies iranianos?

Enfraqueceu-os, ao que tudo indica, mas não os destruiu.

Acabou com o programa nuclear? Ainda é cedo para dizer.

Então, parece-me claro, esta guerra não serviu para outra coisa que não fosse enriquecer a família e a oligarquia trumpista. E o próprio Trump, claro.

Às suas custas, caro leitor.

Lembre-se disto, da próxima vez que um protofascista local o tentar convencer das virtudes do trumpismo.

Elas não existem.

Só existe Trump.

Artigo de opinião de João Mendes

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