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Menos ecrã, mais vida!

Diamantino Costa

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O mais recente World Happiness Report 2026 traz um dado que deveria preocupar seriamente qualquer decisor político: os jovens estão hoje menos felizes em muitas sociedades ocidentais do que estavam há 15 anos.

Num tempo em que nunca tivemos tanto acesso a informação, tecnologia e oportunidades, esta realidade obriga-nos a fazer uma pergunta incómoda: o que está a falhar?

Uma das respostas apontadas pelo relatório é clara, ainda que não simplista: o uso intensivo de redes sociais está associado a níveis mais baixos de bem-estar, sobretudo entre os mais jovens. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de reconhecer um padrão consistente, quanto maior o tempo de exposição, especialmente em plataformas baseadas em comparação social e consumo passivo, menor tende a ser a satisfação com a vida.

Mas a questão é mais profunda do que parece.

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As redes sociais não criaram este problema, amplificaram-no. O declínio do bem-estar entre os jovens não pode ser explicado apenas por um fator. O relatório sublinha que estamos perante um fenómeno complexo, onde entram variáveis sociais, económicas e culturais.

E é precisamente aqui que o debate político deve ser sério.

A resposta fácil é pedir mais regulação, mais controlo, mais intervenção do Estado. Aliás, alguns países já caminham nesse sentido, propondo limites de idade ou restrições de acesso às plataformas digitais. Mas será essa a solução? Ou estaremos apenas a tentar resolver um problema estrutural com medidas superficiais?

Uma visão liberal exige mais exigência intelectual.

O problema não está apenas nas redes sociais. Está numa geração que cresce com menos autonomia, menos responsabilidade e, muitas vezes, menos contacto com a realidade fora do ecrã. Está num sistema educativo que nem sempre prepara para a vida. Está numa sociedade que substituiu relações reais por validação digital.

E, acima de tudo, está numa cultura que promove o imediatismo em vez do esforço, a comparação em vez do mérito, e a exposição em vez da construção.

Regular pode ser necessário em alguns casos extremos, mas não pode ser a resposta central.

Porque nenhuma lei substitui o papel das famílias, das escolas e da própria responsabilidade individual.

Aliás, o próprio relatório mostra algo que é, muitas vezes, ignorado: nem todo o uso da internet é negativo. Atividades ligadas à comunicação, aprendizagem e criação estão associadas a maior bem-estar. Ou seja, o problema não é a tecnologia em si, mas a forma como é utilizada.

E isso não se resolve por decreto.

Se quisermos verdadeiramente melhorar o bem-estar dos jovens, precisamos de uma abordagem mais ampla e mais exigente:
uma educação que valorize competências reais e pensamento crítico;
famílias mais presentes e conscientes do impacto do ambiente digital;
uma sociedade que volte a valorizar relações humanas, comunidade e sentido de responsabilidade;
e uma economia que ofereça perspetivas de futuro, autonomia e mobilidade social.

Porque a felicidade, ao contrário do que muitas vezes se sugere, não é um produto que o Estado possa distribuir. É o resultado de condições, oportunidades e escolhas.

O alerta está dado. Os dados são claros.

Resta saber se teremos a coragem de enfrentar o problema na sua raiz — ou se continuaremos a procurar soluções fáceis para desafios difíceis.

Porque, no final, a questão não é tecnológica.

É profundamente humana.

Artigo de opinião de Diamantino Costa

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