Crónicas e opinião
Memórias & Histórias da Trofa: A criação da Junta de Parochia de Santhiago de Bougado e o seu primeiro executivo
A ata de 1836, do dia 17 de janeiro, é o documento que atesta a ata de eleição e também a criação da Junta de Paróquia de Santiago de Bougado

O poder autárquico sempre foi o pilar mais próximo da sua comunidade, fundamentalmente numa época em que as comunicações e as vias de transporte eram reduzidas ou até mesmo inexistentes, importantes investimentos que eram reclamados.
A ata mais antiga da governação de uma junta de freguesia no concelho da Trofa é pertença da antiga Freguesia de Bougado e data de 1836. Estamos a caminhar para os 200 anos desta documentação e é um importante marco da história da nossa comunidade.

A ata de 1836, do dia 17 de janeiro, é o documento que atesta a ata de eleição e também a criação da Junta de Paróquia de Santiago de Bougado, que destaca no primeiro momento a presença do Doutor Joaquim da Fonseca, que era o juiz de paz da freguesia.
Um juiz de paz limitava-se a julgar pequenas causas, não tinha formação académica para ocupar o cargo de juiz de pleno direito, mas, na ausência de um poder “mais forte”, assumia as funções de tentar regular na medida do possível a vida da sua comunidade no que respeita ao poder judicial.
Os licenciandos da terra tinham sido convocados para eleitores da paroquia, ainda com o ofício para essa situação a ser enviado pelas autoridades maiatas, pois estávamos ainda sobre o domínio de terras da Maia.
Acabaria por decorrer uma assembleia eletiva, para serem eleitos os membros que compunham a Junta de Paróquia e a respetiva Comissão de Paróquia, uma espécie de executivo de freguesia e assembleia de freguesia da atualidade, acabando por ser eleitos os escrutinadores da mesa, o Padre Manoel da Cruz Maia, Manoel Gonçalves Moreira e o secretário Manoel António Ribeiro, os quais tomaram imediatamente os seus lugares, procedendo à votação dos membros da Junta de Paróquia. Foram eleitos José de Oliveira Leitão, Domingos da Costa Ribeiro, Narciso da Silva Carneiro, Manoel António Pereira, Manoel Domingos Costa e, para comissário, Domingos da Costa Ferreira, sendo que o presidente mandou lavrar a ata e que se fizesse cinco cópias, em que duas eram para entregar aos dois membros da Junta de Paróquia, outra para remeter para a Câmara Municipal e outra para o Administrador do Concelho, não ignorando que uma outra iria ser entregue ao Comissário de Paróquia que fora escolhido anteriormente. A ata foi lavrada pelo Padre Manoel da Cruz e assinada por todos os membros, sendo que uma das assinaturas tinha a particularidade de ter uma cruz no seu nome.
O estimado neste momento toma contacto com os nomes do primeiro executivo da freguesia de Santiago de Bougado, os primeiros homens que tiveram de decidir o caminho que a sua comunidade tinha de percorrer.
O segundo momento do poder local iria ser a 22 de janeiro de 1836, na casa das sessões (que não existe informação onde seria), sendo composta pelo Presidente José de Oliveira Leitão, Domingos da Costa Ribeiro, Narciso da Silva Carneiro, Manoel António Pereira, Manoel Domingos Costa, juiz eleito o comissário Domingos da Costa Ferreira, para efeito de nomear o secretário e o tesoureiro, no caso Manoel António Ribeiro para esse primeiro cargo e João Domingos Costa para o seguinte, eleitos de seguida para os respetivos cargos.
A ata acabou por ser lavrada e estava eleito o primeiro executivo da Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, que iria ficar para a história por serem os primeiros elementos a liderar a sua comunidade.


