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Sérgio Araújo: “2026 será fundamental para definir toda a política deste mandato”

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Seis meses depois de assumir a presidência da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Araújo faz um balanço de um início de mandato marcado pela reorganização interna dos serviços, pela negociação de um acordo de governação com o Partido Socialista e pela pressão de executar, em simultâneo, dezenas de milhões de euros em obras financiadas por fundos comunitários. Em entrevista, o autarca fala dos projetos para habitação, saúde, escolas e equipamentos culturais e desportivos, mas também do dossiê do metro, defendendo que o concelho vive “uma oportunidade única” para concretizar a obra. A entrevista completa pode ser vista na TrofaTv.

Nestes primeiros meses, foi preciso arrumar muito a casa?
Sérgio Araújo (SA):
Foi preciso arrumar alguma coisa da casa e ainda continuamos a arrumar, porque há coisas que não se fazem de um momento para o outro. Vamos fazer uma alteração à estrutura orgânica do município com o objetivo de conseguirmos mais eficácia e eficiência em determinadas áreas, como nas obras, que tanto nos preocupa e que foi tema amplamente debatido na campanha. O compromisso era de que iria tentar resolver o problema com a máxima celeridade possível, obviamente tendo em conta os timings legais que têm de ser cumpridos.
Estamos a falar de uma estrutura pesada, com quase 600 colaboradores, mas com áreas que estão deficitárias em termos de pessoal. Temos a entrar mais três arquitetos e depois vamos à bolsa de recrutamento contratar o último que falta. E é essa a maior dificuldade, a contratação de pessoal especializado, como engenheiros civis, engenheiros eletrotécnicos e engenheiros metalomecânicos.

Na campanha, elegeu como uma das prioridades criar dois gabinetes mais virados para os licenciamentos, para tornar a Trofa mais atrativa, não só do ponto de vista da habitação, mas também do ponto de vista económico. Quando é que poderemos esperar resultados desse trabalho?
SA: Eu julgo que nos próximos três ou quatro meses, os munícipes e os investidores irão ter a perceção clara. Quando tudo estiver montado à imagem daquilo que se pretende, vai ser anunciado e explicado aos trofenses de que forma é que isso vai impactar na qualidade de serviço. É evidente que já demos alguns passos, como a questão do E-paper que nos permite, através da inteligência artificial, analisar os processos de uma forma muito mais dinâmica e muito mais correta, ou seja, o processo só entra na Câmara Municipal depois de todos os documentos instrutórios estarem corretos e isso já é um avanço significativo. Mas também queremos dar-lhe um outro corpo e isso só se consegue através de técnicos. Nos próximos três ou quatro meses os trofenses e outros investidores terão já essa certeza de que os processos que já estão cá dentro vão rapidamente ser analisados e sair dos serviços da Câmara Municipal.
Eu ficaria preocupado se não tivesse, por parte dos investidores, a procura, mas temos tido muita procura. Há outra coisa também que pretendemos fazer junto dos proprietários dos terrenos das zonas industriais que temos perfeitamente definidas, quer em Guidões, quer na zona da Abelheira, quer no Soeiro, em S. Mamede do Coronado, mas também na zona de Covelas. Estes quatro pontos vão provocar uma reviravolta de quase 180 graus naquilo que é o investimento no nosso concelho.
A par disso, também posso dizer aos trofenses que é com um grande entusiasmo que vejo que há muito investimento na área da habitação, mas também queremos fazer a nossa parte, percebendo como é que conseguimos construir habitações a custos acessíveis para depois, a seguir, pôr com arrendamento acessível para os mais jovens.

As primeiras semanas do mandato foram atribuladas fruto do facto de não ter uma maioria que lhe sustentasse o exercício de funções até conseguir o apoio dos vereadores do Partido Socialista. Considera que este estado de graça vai durar muito tempo?
SA:
O estado de graça não é do Sérgio Araújo. O Sérgio Araújo apenas é presidente de Câmara, porque os trofenses entenderam que era esta pessoa, com este projeto político, Unidos pela Trofa, que deveria governar o concelho nos próximos anos.
De facto, foram tempos muito turbulentos, com uma dinâmica que eu desconhecia, porque a Trofa nunca passou por um processo destes, mas a verdade é que conseguimos estabilizá-la, porque mais do que pensarmos em políticas partidárias, aquilo que nós temos que pensar é em políticas públicas, dizendo aos trofenses que quando nós dizemos na campanha que o nosso maior foco são as pessoas, é o bem-estar das pessoas, é o mesmo que continuarmos a trabalhar para ter um município cada vez mais evoluído e mais dinâmico. Isso não se pode traduzir em egos, em estados de alma, nem em ilhas. E foi isso que nós fizemos. Falámos com todos e chegámos a um entendimento com o Partido Socialista, porque de facto aquilo que queremos é que os trofenses revejam no seu concelho um ótimo sítio para viver, para trabalhar e para constituir família. No início, foi difícil, porque as negociações têm que existir, mas depois o acordo foi um destino natural. Até penso que será caso único no país. Não posso esconder que me dá alguma alegria perceber que o autarca mais jovem da Área Metropolitana do Porto tem esta capacidade de diplomacia.

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E depois destes meses de trabalho, podemos chegar à conclusão que era muito mais aquilo que vos unia do que aquilo que vos separava?
SA:
Podemos chegar a essa conclusão por um princípio claro, os projetos políticos que estavam em discussão tinham muitas medidas que eram transversais, colavam umas às outras, umas com diferença de palavras, diferença de semântica, mas no conteúdo, os projetos políticos tocavam-se em muitos pontos. É evidente que depois há algumas diferenças e essas diferenças continuam a existir, mas nestes primeiros meses o trabalho que tem sido feito em busca de uma melhoria contínua do nosso concelho, sem estar a olhar para egos partidários ou pessoais. E isso acho que se está a traduzir numa boa relação e de facto nós temos muitos pontos em comum e isso já foi plasmado naquilo que eram os projetos políticos que foram apresentados a sufrágio.

E uma das medidas em comum era a descida dos impostos. Já tiveram a responsabilidade de fazer um orçamento para 2026 que não traduziu essa medida. Que justificação é que tem a dar aos trofenses?
SA:
A justificação que eu tenho a dar aos trofenses é muito simples, objetiva e verdadeira. As eleições foram a 12 de outubro, a tomada de posse foi a 24 e depois a seguir tivemos novembro e dezembro, sendo que tivemos que trabalhar num acordo de governação e, portanto, aquilo que este orçamento representa é muito pouco daquilo que são as nossas ambições para o futuro do nosso concelho. Contudo, quero dizer que o ano 2026 é, porventura, o ano fundamental para aquilo que será a definição de toda a política que vamos ter ao longo deste mandato. Porque temos PRR a terminar, temos PT2030 a terminar, temos o Norte 2030 também com algumas candidaturas e, se nós não conseguirmos, de facto, executar, física e financeiramente, tudo aquilo que temos em cima da mesa, três centros de saúde, duas escolas, projetos financiados, o que vai acontecer é que temos que suportar esse valor com fundos próprios e isso desequilibraria rapidamente as nossas contas. Ficaríamos numa situação em que seríamos praticamente impossibilitados de fazer tantas e tantas obras que ainda faltam fazer. E decidimos, em conjunto, que este ano este orçamento seria um orçamento para não mexer nos impostos, mas com a garantia clara, e foi isso que foi assumido aos trofenses, que se isso for financeiramente viável, que no próximo orçamento os trofenses já irão sentir essa descida dos impostos, que foi isso que foi o compromisso com os trofenses.
O mandato tem quatro anos, é evidente que eu não vou dizer que vou ser populista e só vou descer os impostos no último ano para ganhar algum tipo de vantagem em termos eleitorais. Não é isso que vai acontecer, nós vamos fazer a descida de impostos de forma gradual, ano após ano, sempre que isso seja possível, de uma forma absolutamente responsável. O que temos feito ao longo destes anos é descer a dívida do município e continuar a fazer obra e é isso que nós queremos continuar a fazer.

O ano passado a Trofa iniciou um conjunto de obras nas estradas do concelho, amplamente anunciada pelo antigo presidente da Câmara, António Azevedo. Esta obra, que transitou para este mandato, foi uma pedra no sapato?
SA:
Não foi uma pedra no sapato porque a obra era necessária. A forma como ela estava projetada e, acima de tudo, em termos de estratégia da sua execução é que tivemos de transformar. Aquilo que pretendemos é causar o menos incómodo possível às pessoas, mesmo sabendo que qualquer obra, por muito pouca que seja, vai trazer incómodos.
Começámos pela Nacional 104, que era a estrada que, no nosso entender, estava em piores condições, o processo está a decorrer a muito bom ritmo e eu fico contente pelo muito bom trabalho que fizemos nos desvios e na sinalização temporária, com a ajuda da Polícia Municipal e da GNR.
Este plano de repavimentações não é uma questão de ser um presente envenenado, mas aquilo que foi projetado e redimensionado pelo anterior presidente não teriam sido as minhas opções, mas foram as que foram e agora tem de ter continuidade.
E há uma coisa que eu me comprometo com os trofenses de que é não ter as estradas no estado em que estiveram nos últimos tempos. Já dei instruções aos serviços para a elaboração de um acordo-quadro, com uma verba bastante elevada, para que sempre que seja necessário, conseguirmos ser mais céleres na reparação das vias.

A Trofa está a ser alvo de algumas obras. Nos centros de saúde, o que está a ser executado, tendo em conta que se tratam de projetos com fundos comunitários?
SA:
O Centro de Saúde de Alvarelhos, o de S. Romão do Coronado e o de S. Martinho de Bougado estão em obras para melhoria das infraestruturas e eficiência energética. Em S. Martinho, a obra de mais de 1,5 milhões de euros contempla a ampliação do edifício e a colocação de um elevador. A ideia é melhorar todos os centros de saúde para se equipararem ao de Santiago de Bougado.
Paralelamente a isto, quero dizer aos trofenses que as consultas que são dadas no Centro de Saúde de S. Martinho de Bougado vão passar a ser feitas no Salão Polivalente dos Bombeiros. Já estamos a proceder à instalação dos gabinetes com a máxima celeridade, para que consigamos dar andamento a esta obra, que temos rapidamente de terminar, sob pena de perdermos financiamento comunitário.
Além da obra física, também é nossa intenção melhorar os serviços e, por isso, numa das deslocações que fiz a Lisboa, consegui, em conjunto com o senhor presidente do conselho de administração da ULS do Médio Ave e com a senhora secretária de Estado da Saúde, que em vez de uma cadeira dentista, vamos ter duas cadeiras de dentista, uma em S. Martinho de Bougado e outra em S. Romão do Coronado, e uma máquina de raio-x, um equipamento que não existe no nosso concelho.
Paralelamente a isso, estou convicto de que vamos conseguir também introduzir um serviço de atendimento complementar, permitindo consultas ao fim de semana e feriados.

Uma das obras que falou muito durante a campanha foi o Parque Urbano de Real. Em que andamento é que está esse projeto?
SA:
O objetivo com a construção do Parque de Real, que será na ligação entre a Rotunda da Independência, onde está a bandeira da Trofa e o Rio Ave, é transformar aquela zona, dotando-a com circuitos pedonais e cicláveis, circuitos de atividade física para os mais jovens e menos velhos. Além disso, vamos também ter animais vivos no local para as família poderem usufruir.

Qual é a calendarização esperada para a execução deste projeto?
SA:
Já temos o estudo prévio e vamos avançar ainda durante os próximos dois meses para o projeto de execução. Ainda temos algumas questões prévias que temos de cautelar, por exemplo, a aquisição de alguns terrenos, para depois dar cumprimento àquilo que é a obra na sua totalidade. A minha esperança, é que a obra avance no ano de 2027 em toda a sua extensão.

Relativamente ao Centro Cultural da Trofa, o que é que podemos esperar, em que ponto é que está na lista de prioridades?
SA:
O Centro Cultural da Trofa, a ser uma realidade, terá que ser com financiamento comunitário. Estamos a falar de um projeto que atingirá facilmente valores entre os 20 e os 25 milhões de euros e isso não é possível de acautelar com fundos próprios. Mas foi isso que nós fizemos nos últimos anos. Não tínhamos dinheiro para fazer os Paços do Concelho e fomos à procura dele e conseguimos. Não tínhamos dinheiro para a Praça do Município, fomos à procura dele e conseguimos. Portanto também iremos à procura de dinheiro para fazer o Centro Cultural, que não é o único projeto que é absolutamente importante e que estará na lista de prioridades. Também vamos avançar para o projeto de execução, quer do Complexo Desportivo de Bougado, como do Complexo de Guidões. O nosso objetivo é que, tendo os projetos todos em mãos, termos maturidade para os candidatar mal haja essa possibilidade.

A Escola Básica e Secundária do Coronado e Castro é uma das provas da revolução que está a acontecer nas escolas.
SA:
Nesta escola está a decorrer a maior obra no concelho neste momento, com um investimento de 7,5 milhões de euros. Mas também temos a escola EB 2/3 do Castro, em Alvarelhos, que também está a ser reformulada, num investimento de mais de 4,7 milhões de euros. E, paralelamente a isso, não nos vamos esquecer de todas as outras escolas de 1.º ciclo, que também precisam de manutenção contínua. E fruto do crescimento que temos tido, há hoje a necessidade de termos mais turmas de pré-escolar e isso representa a necessidade de mais espaço físico para acolher essas crianças.

Estas são obras que têm fundos comunitários associados. Há uma corrida contra o tempo para conseguir executar todos os projetos, ou há aqui alguma tranquilidade temporal?
SA:
Não há tranquilidade. Eu só descansarei quando, de facto, tivermos tudo pronto e soubermos que vamos poder beneficiar dos fundos que estão afetos a estas obras. Por isso, é uma corrida contra o tempo. Felizmente, também temos tido a compreensão por parte das empresas que estão a executar a obra e eu tenho a convicção profunda que vamos conseguir acabar as obras todas nos timings que estão previstos.

Quanto ao projeto do metro até à Trofa, o que é que foi possível fazer nestes primeiros meses de mandato?
SA:
Uma das reuniões que tive em Lisboa foi com o secretário de Estado das Infraestruturas, já depois de ter reunido com o presidente da Metro do Porto, Emílio Gomes, que está completamente sensibilizado para aquilo que é esta necessidade.
Temos a oportunidade única de termos o metro em carril até ao Muro. Vamos tentar ainda estendê-lo até à Serra, se isso não impactar na alteração profunda do projeto e vamos também ter metrobus até ao interface rodoferroviário da Trofa.
Eu não serei o presidente que será o carrasco do Metro para os próximos 20 ou 30 anos, porque tenhamos a consciência de que se ele não for concretizado agora, provavelmente teremos de esperar mais esse tempo até haver alguém que consiga desbloquear este processo novamente. Hoje, há fundos comunitários para isto, a candidatura já foi efetuada, aliás, e a novidade é que também já deu entrada o estudo de impacto ambiental, ou seja, está dado mais um passo para a execução da obra.
Eu acredito muito nas palavras que me são ditas pelos nossos governantes. A ideia é, até ao final do ano, primeiro trimestre de 2027, termos o projeto de execução completamente concluído, para conseguirmos ter alguma obra já no terreno nesse ano.
E quanto ao metrobus, para limpar isto da cabeça das pessoas, se tiver tempos corretos, ligações corretas, não será problema nenhum. Ele será executado em linha segregada, não vai ter interseções com rede viária, à exceção de uma pequena, perto da rotunda de Paradela, que vai fazer a ligação à estação, o que significa que não vai haver atrasos, nem congestionamentos.

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