Torneio de veteranos da ARJ Muro juntou “velhas glórias” da década de 70. Associação mantém variedade nas actividades, mas precisa de mais pessoas a ajudar para se manter viva.

Carlos Martins tirou a braçadeira de capitão da Junta de Freguesia e vestiu a camisola das “velhas glórias” do Muro. O autarca não quis saber de estatutos e foi mais um no meio dos que quiseram “desenferrujar” no torneio de veteranos promovido pela Associação Recreativa Juventude do Muro.

A intenção era juntar os que na década de 70 jogavam para conviver com os amigos. Da ideia à concretização foi um pequeno passo e a associação conseguiu organizar um torneio com seis equipas e cerca de 80 pessoas inscritas.

Futebol sem pequenas “picardias” nem parece futebol, mas o mais importante é que no fim “está sempre tudo bem”. Foi o que aconteceu nesta iniciativa que Carlos Martins classificou de “simplesmente espectacular”. “Fazem-se jogos concelhios para as crianças e para os jovens e este torneio junta as velhas glórias do futebol. Temos aqui pessoas que deram muitos êxitos à freguesia do Muro no futebol de salão e esta é uma forma de recordar bons velhos tempos”, referiu.

O autarca elogiou os mentores da iniciativa, que permitiu juntar velhos amigos e proporcionar bons momentos de convívio.

José Lima, tesoureiro da ARJ Muro, confirmou ao NT a satisfação das pessoas envolvidas no torneio. Esta foi mais uma forma que a colectividade arranjou para mobilizar a população e angariar fundos para manter as actividades que ocupam os tempos livres de muitas dezenas de pessoas. O responsável lamentou a dificuldade de “mobilizá-las”, mas a ARJ Muro não desiste de lutar para manter vivo o movimento associativo na freguesia.

Mais do que ocupar os jovens no desporto, a colectividade desdobra-se em actividades para todas as faixas etárias, dando resposta às diversas necessidades da população. A associação mantém vivos os jogos tradicionais, como os torneios de sueca e de copas, e há quem não perca as noites de karaoke, tertúlias e peças de teatro.

Equipas federadas são motivo de orgulho, mas têm poucos aficionados

A vertente desportiva está vincada com a participação de equipas nos campeonatos concelhios da Trofa e as duas equipas federadas na Associação de Futebol do Porto são motivo de orgulho para os dirigentes, que dedicam muito do seu tempo para as manter nos campeonatos federados.

A colectividade conseguiu inscrever a equipa de juniores na 2ª Divisão e a de seniores na 1ª Divisão, sob “medidas de austeridade e poupança”, destacou a presidente Fátima Silva. E agora “só com a ajuda da Câmara nas instalações desportivas e no transporte será possível manter as equipas federadas”, alertou a responsável.

O pouco público que acompanha estes jogadores chega a “desanimar”, visto que compõem duas das poucas equipas do concelho da Trofa inscritas na Associação de Futebol do Porto. Os jogos realizam-se no pavilhão desportivo da EB 2/3 de S. Romão do Coronado, dado que a ARJ Muro não dispõe de um espaço próprio adequado para os campeonatos federados. “Eu percebo que se os jogos fossem no Muro teríamos muito mais assistência, mas mesmo assim faço o apelo para que as pessoas apoiem”, afirmou Fátima Silva.

Nos campeonatos concelhios, a associação vai continuar a participar com as equipas de iniciados e juvenis. No que respeita aos novos escalões, que serão integrados na temporada que se aproxima, escolas e infantis, “ainda nada está assente” no que respeita à inscrição de novas equipas, no entanto Fátima Silva não descarta a hipótese de se “fazer uma ponte com a Associação de Pais da Escola do Muro”.

A associação conta ainda com um desporto pouco encontrado no concelho, o karaté, ginástica aeróbica e danças de salão.

Grande projecto cultural no papel

Um dos grandes projectos da colectividade a curto prazo é “erguer um grande espectáculo”, na vertente cultural. Ainda sem data definida, deverá ser lançado no próximo ano e marcará o regresso de projectos de grande envergadura na ARJ Muro.

A presidente aproveitou ainda para “apelar à população do Muro e não só, de que são precisas pessoas para trabalhar”. “As nossas portas estão sempre abertas e à espera de mais mão-de-obra para poder sobreviver”, referiu.