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Edição 747

João Teixeira da Cruz candidata-se por um “Bougado mais forte”

O candidato independente, apoiado pelo PS, quer mais investimento em Santiago, uma Feira Anual de “cara lavada” e mais apoio aos seniores.

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João Teixeira da Cruz dividiu a tarde de 17 de julho em duas ações de apresentação da candidatura à União de Freguesias de Bougado. O candidato independente, apoiado pelo PS, quer mais investimento em Santiago, uma Feira Anual de “cara lavada” e mais apoio aos seniores.

É um dos três candidatos independentes que o PS apresenta para as próximas eleições autárquicas de 26 de setembro e aceitou o convite por se sintonizar com as linhas orientadoras do partido para o concelho e, concretamente, para a União de Freguesias de Bougado.
João Teixeira da Cruz candidata-se com o objetivo de fazer mais e melhor por Santiago e S. Martinho, sem descurar “o rigor” nas contas públicas. A este propósito, não deixou de puxar pelos galões – ao assumir-se “um homem de boas contas” à conta de “um negócio que está cimentado” – e de dar uma alfinetada ao opositor político, Luís Paulo, que se recandidata para o último mandato. Para Teixeira da Cruz, o cabeça de lista pela coligação Unidos pela Trofa demonstrou “ambições futuras”, ao “preparar uma candidatura com vista a alcançar a Câmara Municipal”. “Quem não tem a cabeça no desafio presente e não o encara com uma vontade futura, não é digno de continuar a comandar os destinos das nossas freguesias”, frisou.
O candidato apoiado pelo Partido Socialista referiu ainda que a união de freguesias “não precisa de grandes obras para fazer cartaz”, uma vez que é “deficitária no mais básico, passeios, ruas, higiene urbana e asseio dos espaços públicos, espaços vedes, associativismo e apoio aos idosos”. Para colmatar esta última necessidade, João Teixeira da Cruz propõe-se criar, em Santiago de Bougado, um “centro de dia e um serviço de transporte a pedido” para a população mais velha.

Entre o lote de propostas está a reabilitação da “antiga rua da CEE”, que liga a Lagoa a Bairros, em Santiago de Bougado, e a renovação do conceito da Feira Anual, para que se torne num evento “mais dinâmico” e capaz de “aproximar os jovens” do setor primário, sem descurar “as tradições”, nem “queimar o passado”. “Precisamos de manter a identidade dos bougadenses viva e ativa e, em especial, em Santiago de Bougado que, com tradição e respeito pelo trabalho duro, hoje pede muito mais do que aquilo que, atualmente, lhe é dado”, acrescentou.
Assumindo estar “a favor da desagregação de freguesias”, o candidato apoiado pelo PS fez questão de promover duas ações de campanha, primeiro em Santiago de Bougado, que considera ter sido esquecido pelo atual executivo de Junta.
“Podem vir dizer agora, perto das urnas, que o maior investimento foi em Santiago, mas isso é mentira. Aliás, nem Santiago nem S. Martinho se chamam Paranho ou metade de Finzes”, atirou, em mais uma crítica política ao atual executivo de Junta.
Depois de falar para os eleitores de Santiago, no Souto da Lagoa, João Teixeira da Cruz deslocou-se para a Urbanização da Barca, onde justificou a ligação emocional com aquele complexo habitacional, com a doação de redes para as balizas do campo de futsal, onde outrora praticou desporto com os amigos.
O candidato considera que aquele complexo habitacional “precisa lavar a cara” e “estar realmente conectado a uma das belezas naturais mais preciosas” da Trofa, “o Rio Ave”. Por isso, assumiu como um dos “objetivos” do projeto político a remodelação daquele espaço, assim como desenvolver um mandato em que “não existirá S. Martinho dos pobres e S. Martinho dos ricos”.
João Teixeira da Cruz é casado, tem dois filhos e é licenciado em História. Com 32 anos, é gerente de uma empresa de mediação e consultoria de seguros, com sede na Trofa e uma filial em Guimarães.

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Escrita com Norte: O peso do tempo e o preço da idade

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Quando pego no meu álbum de fotografias, se começar a abri-lo pelo início, pois tenho o hábito de abrir o jornal “O Jogo” pelo fim, encontro duas fotografias com três meses de idade, seguidas de outras duas já com seis.
Convém recordar que tenho quarenta e sete anos e que no ano de 1974 ter nos primeiros seis meses de vida quatro fotografias era uma extravagância e havia quem dissesse que me estavam a estragar com mimos!
Não me recordo de com três meses desejar ter seis, mas lembro-me perfeitamente de em criança os ponteiros pararem e o tempo não passar, e de 24 horas dos meus seis anos terem a duração de três dias dos meus “quarentas”.
Na primária, o tempo chegou a arrastar-se para trás, fruto de uma paixão correspondida, e sentia que o dia de casar com a Carlinha (sim, ela prometeu-me a meio da 1ª classe) estava à distância do “além”, numa altura em que tudo o que era para amanhã era sempre distante demais!
Impaciente, aos treze anos queria ter dezasseis, para parecer crescido (!), e aos dezasseis queria ter dezoito, para ter a carta. Nunca estava bem com a idade que tinha, mas lembro-me de pensar “ No ano 2000 vou ter vinte e seis anos. Que velho!”
Não me senti velho quando lá cheguei, coabitando, por vezes, o mesmo espaço com os adolescentes, mas diferente deles, no ritmo e também nas lamúrias, eles praguejando que o tempo não passava e eu a dar por mim a dizer “O tempo corre!”
E correu até aos trinta!
E aos trinta lembrei-me dos meus dezassete. E dos meus dezassete lembrei-me de um certo sábado à tarde, em que encontrei um amigo destroçado, a quem delicadamente perguntei:

  • Estás todo lixado, Fernando! O que se passa?
  • Faço trinta anos. – respondeu-me.
    Com carinho, consolo-o:
  • Deixa lá, eu tenho dezassete!
    E ele chorou, virou costas, foi-se embora e nunca mais me falou. Senti que ele trocava a idade que tinha pela minha.
    Sugestionado por esse acontecimento treze anos antes, passei o dia 26 de Dezembro de 2003 ao lado de um desfibrilhador e acompanhado por um amigo psicólogo. Quando batem na torre da igreja as vinte e duas badaladas a marcar a hora do meu nascimento e a minha entrada nos “trintas”, nada aconteceu! Um momento antes tinha vinte e nove, no momento seguinte, trinta. Nem uma depressão, nem nenhuma quebra física. O coração batia normalmente e nem uma mísera cãibra senti a denunciar o peso da idade! Que seca! Nada de extraordinário para relatar a não ser o facto de ter passado a noite a ouvir os desabafos do meu amigo psicólogo a sofrer de males de amor e, ao contrário do Fernando, não trocar o actual número por outro abaixo.
    Espirrei e sem dar conta fiz quarenta, tossi e sem me aperceber estou nos quarenta e sete. Ontem, no ginásio, onde me sinto um seminovo acabadinho de sair do stand, ao meu amigo Samuel, chamei-o de “velho”… ele sorriu. O sorriso era acompanhado de um pensamento, ao qual respondi, “Rejuvenesce-se a partir dos quarenta! Vais ter de esperar mais vinte anos.”

Nunca mais soube do Fernando e o meu amigo psicólogo sempre que pode, passa por minha casa para desabafar e, por enquanto, continuo a não trocar o meu número actual pelo anterior!

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Nuno Moreira que Alvarelhos e Guidões “mais capazes de responder às necessidades” das pessoas

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Comunidade. Esta foi a palavra mais repetida por Nuno Moreira na apresentação da candidatura à União de Freguesias de Alvarelhos e Guidões, na tarde de domingo, 25 de julho.

Pela segunda vez a correr àquela Junta pelo Partido Socialista, o candidato acredita estar habilitado, “na liderança da equipa” que o acompanha, a “construir e gerir um território mais capaz de dar resposta às necessidades de todos os alvarelhenses e guidoenses”.
“Após uma vida de dedicação a diferentes causas desta comunidade e de aqui ter desenvolvido os meus negócios e o meu trabalho, sinto a necessidade permanente de devolver a esta população tudo o que ela me deu e assim ser parte de uma comunidade melhor. E porque, por fim, nada me faz mais feliz do que servir a minha terra”, começou por dizer o militante socialista, que começou por se apresentar em Alvarelhos, junto à sede de Junta, seguindo depois para Guidões.
Para depois expor algumas situações que “sustentam” o sentimento de que, naquelas localidades, “é preciso fazer mais e melhor”.
“Quando um conterrâneo não encontra um transporte público na sua freguesia para ir trabalhar, é porque ainda nos falta fazer algo. Quando algum freguês vê o seu pai acamado e tem muita dificuldade em adquirir uma cama articulada ou serviços de enfermagem é porque nos falta fazer mais como comunidade. Quando um grupo de reformados não encontra um espaço nem condições para se reunir para viverem a sua reforma acompanhados com atividade, é porque o nosso trabalho ainda não está feito”.

As propostas vieram a seguir, pela voz de Amadeu Dias, candidato do PS à Câmara Municipal, para expandir o hipotético alcance do programa eleitoral aos órgãos autárquicos: “serviço de transporte a pedido”, para responder às necessidades da população que não tem meios para se deslocar, “principalmente os mais velhos”; criação de uma “sede de Junta digna” em Guidões; reforço da “limpeza dos espaços públicos” da freguesia” e requalificação dos parques desportivos.
E porque “sempre” defendeu a “ideia de proximidade”, Nuno Moreira não esquece a luta que “abraçou” pela desagregação das freguesias. Esta é, sem surpresa, uma das bandeiras da candidatura do socialista: “Foi o PSD, na Trofa e no país, que consumou a agregação das freguesias de Alvarelhos e Guidões e agora é o PS, na Trofa e no país, que se prepara para restituir as freguesias aos seus cidadãos. Depois de nove anos de luta, estamos prestes a ganhar esta batalha. Estarei preparado, com tranquilidade, coerência e rigor, para devolver as freguesias de Alvarelhos e Guidões aos respetivos fregueses, em nome da proximidade e de um serviço melhor aos cidadãos”, assinalou.
E numa demonstração de que “a proximidade não se faz só de palavras, mas também de atos concretos”, Nuno Moreira assegurou que, caso seja eleito, não aceitará “remuneração a tempo inteiro”. “Pouparei esse salário ao orçamento da Junta, mesmo sendo o vosso presidente de junta durante 24 horas por dia, durante todos os dias durante os próximos quatro anos”, garantiu aos eleitores.

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