quant
Fique ligado

Edição 747

Alfredo Guedes Machado: quem te avisa, teu amigo é!

Publicado

em

Alfredo Guedes Machado, figura emblemática da história da Trofa com um preponderante peso na sociedade e também na economia local, iria abrir um teatro na década de 1920 na Trofa.
Os teatros eram um importante negócio para a economia local por diversos motivos, primeiro eram de relativa facilidade de construção e utilização, pois bastava um pequeno armazém, ou mesmo os fundos de uma casa para instalar aquele tipo de equipamento.
Nas cidades industriais que estavam a surgir nesta época da história eram, por vezes, construídos barracões de madeira para a realização deste tipo de atividades, o que era altamente perigoso para a segurança de atores e público, se atendermos a que a construção era frágil, com produtos altamente inflamáveis e a segurança da instalação elétrica era praticamente nulas.
O teatro ia realizando as suas atividades, vinham artistas de fora da Trofa, havia também os tradicionais espetáculos para apoiarem as coletividades e causas locais e ia decorrendo normalmente com as suas atividades culturais.
Nos primeiros dias de novembro de 1928 iria ser realizada uma inspeção por intermédio da Repartição das Indústrias elétricas acompanhada pela autoridade administrativa do concelho àquele equipamento e o mesmo acabaria por ser reprovado, recomendando que deveriam ser realizadas diversas obras de segurança naquela casa de espetáculos, porque sem a realização das mesmas não poderia funcionar.
A inspeção a teatros e outras casas de diversão eram comuns, sobretudo pelos incêndios que iam acontecendo que, por vezes, terminavam com vítimas mortais, como aconteceu no célebre teatro na cidade invicta em que, inclusivamente, algumas dessas vítimas mortais eram da Trofa. O desastre do “Teatro Baquet” tinha deixado marcas profundas na sociedade e era necessário impedir essas situações.
O teatro localizado na Trofa estava chumbado e ia necessitar de obras profundas para poder continuar a receber espetáculos.
Relativamente às obras desconhecemos quais seriam, mas elas possivelmente foram realizadas, porque as peças de teatro e espetáculos foram acontecendo, até fevereiro do ano seguinte.
No dia 17 de fevereiro era noticiado na imprensa tirsense que na terça-feira anterior, após um espetáculo realizado naquele equipamento, iria romper um violento incêndio do qual se desconhecia as razões e que iria reduzir a estrutura a cinzas, conseguindo apenas se salvar as paredes denegridas.
Os bombeiros presentes foram os de Santo Tirso e de Famalicão, que se limitaram a fazer trabalho de rescaldo, num incêndio que causou prejuízos superiores a 100 contos quando o edifício estava apenas seguro em 80 contos. Uma tragédia para o seu proprietário que ficava com fortes prejuízos.
Sobre esse teatro as notícias não mais existiram, o que faz perceber que não foi possível recuperar, pelo menos a tempo útil, aquele equipamento e a Trofa perdia uma valência cultural.

P.S. Na crónica passada, possivelmente não se tornou explícito que o supracitado ponto de seleção de sementes se referia apenas à região de Entre Douro e Minho, como sendo o único equipamento do género na região e não a nível nacional.

Continuar a ler...
Publicidade

Edição 747

Escrita com Norte: O peso do tempo e o preço da idade

Publicado

em

Por

Quando pego no meu álbum de fotografias, se começar a abri-lo pelo início, pois tenho o hábito de abrir o jornal “O Jogo” pelo fim, encontro duas fotografias com três meses de idade, seguidas de outras duas já com seis.
Convém recordar que tenho quarenta e sete anos e que no ano de 1974 ter nos primeiros seis meses de vida quatro fotografias era uma extravagância e havia quem dissesse que me estavam a estragar com mimos!
Não me recordo de com três meses desejar ter seis, mas lembro-me perfeitamente de em criança os ponteiros pararem e o tempo não passar, e de 24 horas dos meus seis anos terem a duração de três dias dos meus “quarentas”.
Na primária, o tempo chegou a arrastar-se para trás, fruto de uma paixão correspondida, e sentia que o dia de casar com a Carlinha (sim, ela prometeu-me a meio da 1ª classe) estava à distância do “além”, numa altura em que tudo o que era para amanhã era sempre distante demais!
Impaciente, aos treze anos queria ter dezasseis, para parecer crescido (!), e aos dezasseis queria ter dezoito, para ter a carta. Nunca estava bem com a idade que tinha, mas lembro-me de pensar “ No ano 2000 vou ter vinte e seis anos. Que velho!”
Não me senti velho quando lá cheguei, coabitando, por vezes, o mesmo espaço com os adolescentes, mas diferente deles, no ritmo e também nas lamúrias, eles praguejando que o tempo não passava e eu a dar por mim a dizer “O tempo corre!”
E correu até aos trinta!
E aos trinta lembrei-me dos meus dezassete. E dos meus dezassete lembrei-me de um certo sábado à tarde, em que encontrei um amigo destroçado, a quem delicadamente perguntei:

  • Estás todo lixado, Fernando! O que se passa?
  • Faço trinta anos. – respondeu-me.
    Com carinho, consolo-o:
  • Deixa lá, eu tenho dezassete!
    E ele chorou, virou costas, foi-se embora e nunca mais me falou. Senti que ele trocava a idade que tinha pela minha.
    Sugestionado por esse acontecimento treze anos antes, passei o dia 26 de Dezembro de 2003 ao lado de um desfibrilhador e acompanhado por um amigo psicólogo. Quando batem na torre da igreja as vinte e duas badaladas a marcar a hora do meu nascimento e a minha entrada nos “trintas”, nada aconteceu! Um momento antes tinha vinte e nove, no momento seguinte, trinta. Nem uma depressão, nem nenhuma quebra física. O coração batia normalmente e nem uma mísera cãibra senti a denunciar o peso da idade! Que seca! Nada de extraordinário para relatar a não ser o facto de ter passado a noite a ouvir os desabafos do meu amigo psicólogo a sofrer de males de amor e, ao contrário do Fernando, não trocar o actual número por outro abaixo.
    Espirrei e sem dar conta fiz quarenta, tossi e sem me aperceber estou nos quarenta e sete. Ontem, no ginásio, onde me sinto um seminovo acabadinho de sair do stand, ao meu amigo Samuel, chamei-o de “velho”… ele sorriu. O sorriso era acompanhado de um pensamento, ao qual respondi, “Rejuvenesce-se a partir dos quarenta! Vais ter de esperar mais vinte anos.”

Nunca mais soube do Fernando e o meu amigo psicólogo sempre que pode, passa por minha casa para desabafar e, por enquanto, continuo a não trocar o meu número actual pelo anterior!

Continuar a ler...

Edição 747

Nuno Moreira que Alvarelhos e Guidões “mais capazes de responder às necessidades” das pessoas

Publicado

em

Por

Comunidade. Esta foi a palavra mais repetida por Nuno Moreira na apresentação da candidatura à União de Freguesias de Alvarelhos e Guidões, na tarde de domingo, 25 de julho.

Pela segunda vez a correr àquela Junta pelo Partido Socialista, o candidato acredita estar habilitado, “na liderança da equipa” que o acompanha, a “construir e gerir um território mais capaz de dar resposta às necessidades de todos os alvarelhenses e guidoenses”.
“Após uma vida de dedicação a diferentes causas desta comunidade e de aqui ter desenvolvido os meus negócios e o meu trabalho, sinto a necessidade permanente de devolver a esta população tudo o que ela me deu e assim ser parte de uma comunidade melhor. E porque, por fim, nada me faz mais feliz do que servir a minha terra”, começou por dizer o militante socialista, que começou por se apresentar em Alvarelhos, junto à sede de Junta, seguindo depois para Guidões.
Para depois expor algumas situações que “sustentam” o sentimento de que, naquelas localidades, “é preciso fazer mais e melhor”.
“Quando um conterrâneo não encontra um transporte público na sua freguesia para ir trabalhar, é porque ainda nos falta fazer algo. Quando algum freguês vê o seu pai acamado e tem muita dificuldade em adquirir uma cama articulada ou serviços de enfermagem é porque nos falta fazer mais como comunidade. Quando um grupo de reformados não encontra um espaço nem condições para se reunir para viverem a sua reforma acompanhados com atividade, é porque o nosso trabalho ainda não está feito”.

As propostas vieram a seguir, pela voz de Amadeu Dias, candidato do PS à Câmara Municipal, para expandir o hipotético alcance do programa eleitoral aos órgãos autárquicos: “serviço de transporte a pedido”, para responder às necessidades da população que não tem meios para se deslocar, “principalmente os mais velhos”; criação de uma “sede de Junta digna” em Guidões; reforço da “limpeza dos espaços públicos” da freguesia” e requalificação dos parques desportivos.
E porque “sempre” defendeu a “ideia de proximidade”, Nuno Moreira não esquece a luta que “abraçou” pela desagregação das freguesias. Esta é, sem surpresa, uma das bandeiras da candidatura do socialista: “Foi o PSD, na Trofa e no país, que consumou a agregação das freguesias de Alvarelhos e Guidões e agora é o PS, na Trofa e no país, que se prepara para restituir as freguesias aos seus cidadãos. Depois de nove anos de luta, estamos prestes a ganhar esta batalha. Estarei preparado, com tranquilidade, coerência e rigor, para devolver as freguesias de Alvarelhos e Guidões aos respetivos fregueses, em nome da proximidade e de um serviço melhor aos cidadãos”, assinalou.
E numa demonstração de que “a proximidade não se faz só de palavras, mas também de atos concretos”, Nuno Moreira assegurou que, caso seja eleito, não aceitará “remuneração a tempo inteiro”. “Pouparei esse salário ao orçamento da Junta, mesmo sendo o vosso presidente de junta durante 24 horas por dia, durante todos os dias durante os próximos quatro anos”, garantiu aos eleitores.

Continuar a ler...

Edição Papel

Comer sem sair de casa?

Facebook

Farmácia de serviço

 

arquivo

Neste dia foi notícia...

Ver mais...

Covid-19

Pode ler também