Alfredo Guedes Machado, figura emblemática da história da Trofa com um preponderante peso na sociedade e também na economia local, iria abrir um teatro na década de 1920 na Trofa.
Os teatros eram um importante negócio para a economia local por diversos motivos, primeiro eram de relativa facilidade de construção e utilização, pois bastava um pequeno armazém, ou mesmo os fundos de uma casa para instalar aquele tipo de equipamento.
Nas cidades industriais que estavam a surgir nesta época da história eram, por vezes, construídos barracões de madeira para a realização deste tipo de atividades, o que era altamente perigoso para a segurança de atores e público, se atendermos a que a construção era frágil, com produtos altamente inflamáveis e a segurança da instalação elétrica era praticamente nulas.
O teatro ia realizando as suas atividades, vinham artistas de fora da Trofa, havia também os tradicionais espetáculos para apoiarem as coletividades e causas locais e ia decorrendo normalmente com as suas atividades culturais.
Nos primeiros dias de novembro de 1928 iria ser realizada uma inspeção por intermédio da Repartição das Indústrias elétricas acompanhada pela autoridade administrativa do concelho àquele equipamento e o mesmo acabaria por ser reprovado, recomendando que deveriam ser realizadas diversas obras de segurança naquela casa de espetáculos, porque sem a realização das mesmas não poderia funcionar.
A inspeção a teatros e outras casas de diversão eram comuns, sobretudo pelos incêndios que iam acontecendo que, por vezes, terminavam com vítimas mortais, como aconteceu no célebre teatro na cidade invicta em que, inclusivamente, algumas dessas vítimas mortais eram da Trofa. O desastre do “Teatro Baquet” tinha deixado marcas profundas na sociedade e era necessário impedir essas situações.
O teatro localizado na Trofa estava chumbado e ia necessitar de obras profundas para poder continuar a receber espetáculos.
Relativamente às obras desconhecemos quais seriam, mas elas possivelmente foram realizadas, porque as peças de teatro e espetáculos foram acontecendo, até fevereiro do ano seguinte.
No dia 17 de fevereiro era noticiado na imprensa tirsense que na terça-feira anterior, após um espetáculo realizado naquele equipamento, iria romper um violento incêndio do qual se desconhecia as razões e que iria reduzir a estrutura a cinzas, conseguindo apenas se salvar as paredes denegridas.
Os bombeiros presentes foram os de Santo Tirso e de Famalicão, que se limitaram a fazer trabalho de rescaldo, num incêndio que causou prejuízos superiores a 100 contos quando o edifício estava apenas seguro em 80 contos. Uma tragédia para o seu proprietário que ficava com fortes prejuízos.
Sobre esse teatro as notícias não mais existiram, o que faz perceber que não foi possível recuperar, pelo menos a tempo útil, aquele equipamento e a Trofa perdia uma valência cultural.

P.S. Na crónica passada, possivelmente não se tornou explícito que o supracitado ponto de seleção de sementes se referia apenas à região de Entre Douro e Minho, como sendo o único equipamento do género na região e não a nível nacional.