O Partido Socialista perdeu as eleições europeias no passado dia 7 de Junho, reconhecendo Sócrates que este era um resultado decepcionante para o partido.

O PSD, CDS, BE e CDU regozijam-se com as suas vitória, mas mais com a derrota do PS e alegam que estes resultados são um cartão amarelo ou mesmo vermelho ao Governo liderado por José Sócrates.

teresa-fernandesJustificações para os resultados das Eleições Europeias foram avançadas por críticos, analistas, políticos, partidos e cidadãos comuns, conforme convicções de uns e conveniência de outros.

Desgaste politico provocado pelo ritmo intenso das reformas?

Escolha não acertada do cabeça-de-lista às europeias do Partido Socialista?

A crise?

Mérito do PSD e dos restantes partidos que mantiveram ou aumentaram a votação?

A verdade é que o grande derrotado das Eleições Europeias foi a Democracia e o direito de voto conquistado com tanto esforço e após anos de luta em 25 de Abril de 1974.

A elevada abstenção demonstra não só o descrédito da classe política mas também um elevado défice de cidadania e responsabilidade dos portugueses.

Infelizmente, assim todos perdemos.

Mas, independentemente das análises que se possam fazer aos resultados, há necessariamente que se tirar conclusões redefinir estratégias.

Apesar dos resultados das europeias, estou convicta de que não se devem extrapolar para as legislativas por duas razões essências.

Primeiro porque os 37% de votantes não podem definitivamente ser considerados representativos da vontade global dos portugueses.

Segundo porque o confronto José Sócrates – Manuela Ferreira Leite será certamente diferente.

Parece-me óbvio, que agora o Partido Socialista e José Sócrates precisam de reconhecer alguns erros, alterar a forma como têm conduzido algumas reformas, mostrar humildade, tolerância e bom senso, mas jamais perder o ímpeto reformista.

Não esqueçamos que o que agora chamam arrogância de Sócrates, era chamada de determinação e postura de liderança.

Não esqueçamos que Sócrates, protagonizou as reformas necessárias e há muito adiadas.

Não esqueçamos que Sócrates introduziu dinamismo, inovação, modernidade e mais igualdade ao nosso país.

Medidas e reformas que o PSD sempre ambicionou fazer mas que para as quais nunca teve coragem política, porque naturalmente sabia que não iria agradar a toda a gente.

A passividade é sem dúvida a melhor forma de não ser contestado.

Sócrates sempre a recusou e se há erro que lhe pode ser apontado é ter feito muita reforma e muito rapidamente e se calhar não as ter explicado devidamente.

Erros, certamente cometeu alguns, mas só quem nada faz e que não os comete.

As diferenças entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite saltam á vista e não precisamos de recorrer aos discursos de ambos para as reconhecer.

De um lado a determinação de um líder moderno e aberto ao mundo e as evoluções da sociedade, com grande capacidade de liderança e com visão de futuro e de outro lado uma conservadora que vê na procriação o principal objectivo do casamento e que considera que as obras publicas servem para dar emprego aos ucranianos e africanos, com um discurso pessimista e até deprimente.

Este vai ser o confronto e os portugueses aguardam que o PSD apresente rapidamente a sua estratégia para Portugal e para os Portugueses, porque não basta criticar se não se apresentar propostas e alternativas.

Adivinham-se meses de Verão quentes a nível político, mas espera-se sobretudo um debate esclarecedor e enriquecedor para a democracia e para que os portugueses possam decidir com clareza e bom senso, o rumo que o nosso país deva seguir.

 

 

 

Teresa Fernandes