O resultado da votação para o Parlamento Europeu, diferentemente do que eu previra, trouxe-nos um resultado que derrotou o Partido Socialista e beneficiou todos os outros partidos.

Todas, ou quase todas, as sondagens atribuíam ao PS uma pequena vantagem sobre o PSD. Previa-se, por isso, que o PS tivesse uma pequena vitória que seria, em tempos de crise, interpretada como uma grande vitória.

E, se a crise económica, inicialmente, beneficiou o Partido Socialista, porque permitiu ao Governo tomar mais medidas simpáticas, com o decurso do tempo e o acentuar da crise, e das suas consequências sobre o emprego, o PS acabou penalizado nas urnas.

É, portanto, inquestionável que o PS foi o derrotado nas eleições para o Parlamento Europeu e as sondagens falharam nas suas previsões.

Não sou técnico de estatística mas estou convencido que foi na ponderação dos indecisos que os estudos de opinião falharam.

A verdade é que se sentia alguma insatisfação embora me parecesse insuficiente para que o partido do governo fosse derrotado. Afinal, não muito antes, o apoio popular às medidas do governo era significativo.

Será que o Governo menosprezou a dimensão da crise? Terá tido pouca sensibilidade para a derrapagem que a economia estava a sofrer? Afrontou excessivamente alguns sectores da sociedade? Foi insensível às manifestações? Exagerou nas reformas?

Enfim, depois de acontecer não falta quem saiba os porquês e até tenha previsto o que aconteceu.

Tenho, para mim, que há muitas leituras possíveis. A primeira leitura é que os eleitores quiseram penalizar o PS e pode nada ter a ver com os outros partidos.

Às subidas e percentagens não corresponderam equivalentes subidas em quantidade de votos. Significa isto que a abstenção penalizou sobretudo o PS. E esses abstencionistas podem voltar a votar e os partidos da oposição não podem estar seguros de os conquistarem.

As máquinas partidárias estão a preparar-se para mobilizar os seus militantes e simpatizantes e aqui o PS poderá ter o maior potencial de recuperação já que, tudo indica, foi o mais penalizado pela abstenção.

Manuela Ferreira leite, a braços com uma campanha interna de descredibilização, ganhou um novo fôlego e os seus críticos terão que esperar mais algum tempo. Com este resultado nas europeias, com uma aposta pessoal para o primeiro candidato, permite-lhe respirar e mostrar aos seus críticos que ainda não está derrotada. Mas não ganhou um passaporte para onde quer que seja.

Está tudo em aberto.

Este resultado demonstrou que ninguém parte derrotado nem há vencedores antecipados apesar de não poder haver a ingenuidade de pensar que não produzirá alguns efeitos para os próximos actos eleitorais

Para o próximo Outono admito os vários cenários.

As consequências da crise económica não são ainda conhecidas na sua plenitude e este será um factor muito importante.

A crise económica e as medidas do Governo para a combater serão factores que podem ser decisivos.

 

Afonso Paixão