2008 começou e logo começaram os aumentos de bens e serviços essenciais.

   Ainda tínhamos no ouvido o discurso espampanante e auto glorificante do nosso primeiro ministro, onde tudo são rosas e os espinhos não se veem, e o pão, e as taxas de urgência dispararam.

É certo que ele não vai às urgências de um qualquer Hospital Público, e certamente não faz conta ao preço do pão, e por isso vai rindo e cantando até que alguém grite que "o rei vai nu".

Em nome de um economicismo esmagador vai-se diminuindo os serviços públicos, fechando a torto e a direito, aumentando mesmo assim as taxas, e depois assistimos a mortes de doentes nas urgências sem serem devidamente assistidos. Ou o falecimento de doentes cardíacos que são obrigados a subir a terceiros andares para serem consultados.

Em contrapartida assistimos a um espectáculo imoral e obsceno pelo controlo do BCP, banco privado, com o beneplácito do Banco de Portugal, que só interveio quando já não era possível continuar impávido e sereno. Que raio de controlo podemos esperar deste Banco de Portugal ?

Os que clamavam pela clarificação, e pela transparência nos negócios, vemos agora que também beneficiaram de créditos da CGD para a compra de acções do BCP. Não se investiga porque é que o administrador da CGD é agora apoiado por Berardo para a presidência do BCP, quando este admite o recurso a estes créditos ?

Que País é este em que são os banqueiros que ditam as regras ?

Ouvi há pouco tempo uma frase dita em 1975, por uma senhora com alguma idade, e experiência de emigração que, quando comentaram que a vida estava má disse " a vida estará mesmo má para o Povo quando em cada esquina estiver um Banco". Palavras sábias que na altura ninguém entendia mas que hoje em dia vemos a sua veracidade, com o número de dependências bancárias que por aí há…

Tudo isto faz-nos encarar este novo ano com algum cepticismo e algum desalento, no entanto apesar de todo este cenário sombrio o povo português já nos habituou a lutar contra a adversidade.

Não é porque o Primeiro Ministro acha "porreiro" o Tratado de Lisboa que deixaremos de lutar pelo referendo deste tratado.

Não é porque fecham serviços essenciais que teremos que aceitar de braços cruzados.

Temos que ser nós a lutar pelos nossos direitos, para que 2008 seja mesmo o ano de viragem, e que passemos a ser um País onde as assimetrias não sejam as maiores da Europa, onde não seja o poder económico a ditar leis, onde se sinta que as classes menos favorecidas são efectivamente protegidas.

Está nas nossas mãos…

 

Paulo Queirós

pauloqcruz@netcabo.pt