Muito se tem falado e escrito sobre a Lei n.º37/2007 de 14 de Agosto, ou seja a nova Lei do Tabaco, que entrou em vigor no passado dia 1 de Janeiro.

   Certo é que a grande maioria dos portugueses concorda literalmente com a lei, outros consideram-na tardia e uma pequena percentagem discorda da sua aplicação.

Esta lei surge no seguimento de uma Convenção internacional da Organização Mundial da Saúde, assinada por 110 Estados-Membros e que visa proteger as gerações presentes e futuras dos efeitos devastadores em termos de saúde, mas também em termos sociais, económicos e ambientais, causados pelo consumo e pela exposição ao fumo do tabaco.

Estas medidas restritivas contempladas na nova lei, foram adoptadas em quase todos os países da União Europeia, com maior ou menor expressão, à excepção da Grécia, considerado o campeão do fumo, com cerca de 45% da população fumadora.

Alguns dados apresentados pela União Europeia são preocupantes e por isso o objectivo da União é conseguir uma "Europa sem fumo".

Cerca de um terço da população da União é fumadora e cerca de 650 000 fumadores morrem todos os anos, no seio da União vítimas de doenças provocadas pelo fumo do tabaco, dos quais 80 000 são fumadores passivos!

O tabagismo afecta de modo indirecto milhares de pessoas que sem fumarem são expostas ao fumo e que exigem cada vez mais o direito a respirarem um ar puro e de serem respeitadas na sua opção de não fumar.

A entrada em vigor da nova lei, vem neste sentido proteger os não fumadores dos efeitos nocivos do tabaco, mas na minha perspectiva, incentivar também os fumadores a deixar e fumar.

E esta é sem duvida uma grande oportunidade!

O fumo do tabaco contém mais de 400 substâncias químicas com efeitos tóxicos entre as quais a nicotina (responsável pela dependência física e psicológica), o alcatrão e o monóxido de carbono e mais 50 substâncias com efeitos cancerígenos.

Tudo conjugado poderá reduzir a vida de um fumador em 10 anos!!!!!

O tabaco causa problemas respiratórios e faz reduzir o desempenho desportivo e sexual, provoca a impotência masculina e, no caso das mulheres, leva a gravidez ectópica, abortos espontâneos e distúrbios no crescimento do bebé.

Mas a tarefa de deixar de fumar é árdua e requer grande empenho, persistência, determinação e sobretudo muita motivação.

Implica que esteja consciente de que o tabaco faz mal à saúde e que pretende melhorar as suas condições de vida e dos que o rodeiam.

Os benefícios de deixar de fumar serão visíveis em poucos dias.

Notará uma melhoria substancial na aparência, com os cabelos, pele e mãos mais bonitas e hálito mais fresco e saudável e sentirá também melhorias no paladar e no olfacto.

Decorridas apenas 8 horas após deixar de fumar os níveis de monóxido de carbono no seu organismo diminuem e aumenta os níveis de oxigénio no sangue e após 72 horas, aumenta a sua capacidade pulmonar e a respiração torna-se mais fácil.

Sentir-se-á com mais energia e o risco de enfarte do miocárdio diminui, bem como o risco de contrair um cancro.

As pessoas sujeitas à exposição contínua do fumo do tabaco apresentam também riscos acrescidos de contrair cancro, doenças cardiovasculares e pulmonares.

A lista dos motivos que justificam a decisão de deixar de fumar já vai longa, mas acrescento mais um: o dinheiro que poderá poupar deixando de fumar, poderá ser gasto em muitas outras coisas muito mais saudáveis e que lhe proporcionaram igual prazer.

Após reconhecer e interiorizar os benefícios da sua decisão, estabeleça objectivos, defina uma data para deixar de fumar e vá em frente, comunique a sua decisão à família, amigos e colegas e apele a sua solidariedade e compreensão e caso considere necessário peça ajuda de um profissional.

Nunca é tarde para deixar de fumar, terá tudo a ganhar.

Se é fumador passivo, comece a fazer valer os seus direitos.

Mas nunca é demais relembrar, que o melhor é nunca começar!

 

Teresa Fernandes