Crónicas e opinião
Correio do Leitor: A Trofa merece mesmo justiça! (e precisa de um presidente que lute por ela)
Nos últimos dias assinalaram-se 6 meses desde a posse do novo executivo municipal, sendo esse facto o mote para entrevistas do presidente de Câmara ao Notícias da Trofa e ao Jornal de Notícias. Entrevistas que motivam algumas considerações e muita preocupação, que procurarei traduzir em duas notas e uma consideração final.
Primeira nota: a necessidade de justificar, as contradições e a tentativa de apresentar o que não existe.
Uma parte significativa das entrevistas é a justificar o acordo PSD/CDS/PS, evoluindo da tese inicial da necessidade de condições de estabilidade para trabalhar, para culminar a assumir o evidente: os projectos autárquicos do PS e do PSD/CDS são muito semelhantes. Pena que não tivessem assumido isso na campanha eleitoral.
Mas a contradição com a campanha eleitoral também existe na forma como o actual presidente da Câmara justifica a não resolução de problemas de funcionamento e de organização dos serviços municipais com o pouco tempo de mandato, procurando apagar que se apresentou na campanha eleitoral como o candidato de continuidade, o candidato de um projecto que já tem 12 anos, que conhece os problemas e está em condições de os resolver rapidamente. Afinal parece que não é bem assim.
Perante tantas necessidades de explicação e de justificação, o entrevistado tem a estranha necessidade de, por várias vezes, dizer que fala verdade, como que partindo do princípio que os leitores duvidam do que afirma.
Segunda nota: o Metro para a Trofa como exemplo de capitulação.
O Metro para a Trofa foi-nos prometido por governos do PS e do PSD/CDS. Disseram-nos que viria substituir o comboio da “via estreita”. Garantiram que poderíamos ir assistir ao jogo de abertura do Euro 2004, no Estádio do Dragão, de Metro. Depois, perante os atrasos, garantiam que teríamos Metro, que era uma questão de tempo.
Ao longo de todos estes anos tivemos Executivos Municipais sem força e sem determinação política para afrontar e exigir. Felizmente tivemos uma população, a do Muro, que ajudou a que a promessa nunca fosse esquecida.
Depois de vários projectos de resolução discutidos na Assembleia da República, por iniciativa do PCP, foi incluído em Orçamento do Estado a concretização do Metro para a Trofa, salvaguardando que a solução deve ser em Metro convencional e não em autocarro, ao qual alguns chamam Metrobus.
Pela primeira vez em quase um quarto de século, há uma consagração em Orçamento do Estado deste anseio da Trofa. Mesmo assim, alegando prazos e possibilidades de financiamento, a empresa Metro do Porto avança com estudos para a concretização do Metro só até ao Muro e com a ligação do Muro à Estação da CP em autocarro.
Perante isto, o presidente da Câmara aceita o que lhe dão, sedento de obra alheia para mostrar serviço. Aceita que o Metro fique pelo Muro e nem sequer exige do governo do seu partido um compromisso de, no futuro, completar a ligação de Metro à Estação.
Mas a frase lapidar da entrevista é quando o presidente da Câmara Municipal da Trofa assume que defende esta solução reconhecendo que com ela não é feita justiça à Trofa, mas aceita porque acha que traz dignidade.
A consideração final: quero salvaguardar que acho precipitado fazer uma avaliação do mandato por apenas 6 meses de exercício. Mas há aspectos que marcam uma postura, uma forma como se encara a Trofa e o trabalho autárquico. Uma postura que até pode ser respeitável. Mas que é muito abaixo do que a Trofa precisa e merece.
A Trofa merece um presidente de Câmara que não desista de exigir justiça, que perceba que só há dignidade se houver justiça.
Jaime Toga


