Apesar das interrogações levantadas, a tourada realizou-se na Trofa. Enquanto o público vibrou com espetáculo, meia centena de pessoas manifestaram-se fora do recinto.

Ainda antes da hora marcada, já as t-shirts brancas reunidas frente à Escola Básica 2/3 Professor Napoleão Sousa Marques eram tingidas de vermelho, cor da revolta e do sangue que as pessoas lutam para impedir que seja derramado. 

Diante da improvisada praça de touros, cerca de meia centena de manifestantes gritou “tortura não é cultura”, insurgindose contra o espetáculo tauromáquico que a empresa Toiros é Cultura promoveu em parceria com a Comissão de Festas de Nossa Senhora das Dores. “Matar por diversão é cruel” e “justiça para os animais” foram algumas das frases que coloriam os cartazes brancos ostentados pelos manifestantes, que estiveram sempre atrás das grades que delimitavam o terreno privado, por indicação da Guarda Nacional Republicana, que mobilizou cerca de 15 militares.

Ana Veiga, de Alvarelhos, ficou “revoltada” quando viu os cartazes que anunciavam o espetáculo na Trofa, que “nunca teve tourada como tradição”. “Não faz sentido esta terra apoiar uma carnificina como isto é”, afirmou antes de colocar em causa “a melhor desculpa que tem ouvido de que o touro, a seguir dá para alimentar”. “Peço às pessoas para pensarem, se um touro que anda a ser espetado durante meia hora não ganha infeções, para não falar na forma como eles são transportados cheios de sangue. As pessoas vão mesmo comer isso?”.

A manifestação foi organizada via redes sociais e, apesar de esperar mais pessoas, Ana Veiga acredita que “as pessoas estão a deixar a passividade e não ficam em casa à espera que as coisas se resolvam”.

Entre manifestantes da “Trofa, Santo Tirso e Maia”, ouvia-se que “os animais não devem ser torturados com ferros espetados” e que “as pessoas deviam desistir de ver touradas”. 

Enquanto uns protestavam, dentro da praça, o público aplaudia o espetáculo dado por cavaleiros e forcados. Havia quem louvasse a ideia da Comissão de Festas de proporcionar a oportunidade de assistir, pela primeira vez, ao espetáculo ao vivo. Outros espectadores defendiam que “só faltava a música” para tornar a tourada “ainda mais bonita”. 

“Reunidas as condições, nenhuma câmara pode dizer não a uma tourada”

Apesar das interrogações que se levantaram quanto à realização da tourada, esta acabou mesmo por se realizar. A praça não esteve lotada, mas a organização estava satisfeita com a forma como o espetáculo foi organizado.

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF

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