Em Santo Tirso, o Museu Municipal Abade Pedrosa acolhe, mais uma vez, verdadeiras obras de arte. Até 30 de Setembro, vão estar em exposição cerca de 80 obras plásticas de Gonçalo Duarte que constituem uma das mais emblemáticas colecções da Fundação Dr. Cupertino de Miranda. Com entrada livre, esta exposição permite conhecer melhor a obra de um artista, no panorama da arte moderna nacional. As visitas podem decorrer de terça a sexta-feira, das 09h00 às 17h00 e aos sábados e domingos, das 14h00 às 18h00. 

 Nascido em 1935, Gonçalo Duarte estudou no Liceu Pedro Nunes e na Escola Superior de Belas-Artes. Foi colega dos pintores José Escada, João Vieira, René Bértholo, Lurdes Castro e Costa Pinheiro, que viriam a formar o Grupo KWY que, em Paris, editou em serigrafia 12 números da Revista com o mesmo nome, desde 1958 até 1963. Começou por ser influenciado pelo Expressionismo gráfico de Toulouse Lautrec e de Picasso, antes de descobrir Paul Klee, na fronteira da Figuração-Abstracção.  

Em 1957, obtém uma bolsa de estudo do governo da Baviera, para estudar gravura em Munique, para onde se desloca com Costa Pinheiro, René Bértholo e Lurdes Castro. De Munique datam obras suas informalistas e abstractas, de subtil concepção gráfica. Desde o início dos anos 60, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, Gonçalo Duarte fixa-se em Paris, onde se reencontra com René Bértholo, Lurdes Castro e José Escada, membros do Grupo KWY, em cuja revista colabora activamente. 

Na obra de Gonçalo, os objectos envelhecidos, deteriorados, acidentados, rejeitados pelo quotidiano, ressurgem em novos contextos, com inesperada e surpreendente dimensão poética. Os últimos anos de vida de Gonçalo Duarte foram de abandono, incompreensão e solidão, entre a repentina euforia criativa e o desespero de longa e paciente expectativa de coisa nenhuma. Apesar da ligação afectiva ao seu país de origem, o pintor morre longe, em Paris, em 1986, deixando uma obra imensa, hoje dispersa em colecções particulares; obra que urge recuperar, estudar e conservar condignamente em museus, fundações e outras instituições culturais.