Calçar e dançar com a primeira sapatilha de ponta é um dos momentos vividos com maior entusiasmo por uma aspirante a bailarina. Este é o sonho que agora começa para muitas das meninas da Escola de Dança da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.

Desde pequena que Paula Barata só conhece uma paixão: o ballet. O maior sonho da menina de 11 anos é ser bailarina profissional e, na luta para concretizar este objectivo, Paula iniciou os primeiros passos na dança. É na Escola de Dança da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado que a pequena bailarina se aplica na maior paixão da sua vida e, ao NT/TrofaTv, não hesita quando descreve o que sente enquanto dança. “Quando estou a dançar sinto uma coisa fora do normal, o ballet é algo mais suave e tem de se ter muita precisão, não é qualquer um que tem a postura, o olhar e o sorriso”, confessa. Esta jovem de estatura magra e feições bonitas acredita que tem todo o potencial para um dia pisar os melhores palcos internacionais onde o ballet é rei. O seu maior sonho é ser bailarina na New York City Ballet, uma das melhores companhias de bailado do mundo. “É uma escola fenomenal”, diz, com um sorriso largo nos olhos.

Já Bárbara Penouço vê no ballet uma “paixão” e um “sonho” e quando dança diz sentir-se “mais leve” e “uma alegria enorme”. Com 11 anos e a dançar há cerca de um ano e meio, a pequena Bárbara gostava de seguir os passos da sua professora e leccionar esta arte no futuro.

ballet-2-1

O entusiasmo e a paixão, mas também a exigência com que estas meninas vivem o ballet enche de orgulho Márcia Ferreira. Directora artística e pedagógica da Escola de Dança da Junta de S. Martinho de Bougado, a professora de ballet fez da dança o seu projecto de vida e garante que hoje “faz exactamente aquilo que gosta e quer fazer”. Da patinagem artística passou para o ballet e desde que tirou o curso e começou a dar aulas, Márcia Ferreira sempre quis ter a sua própria escola. Escolheu a Trofa por aqui haver uma lacuna ao nível do ballet clássico e dança em geral e entendeu que o projecto com a Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado “fazia todo o sentido”. O balanço da evolução da escola não podia ser mais positivo, já que o projecto iniciou com “meia dúzia” de meninas há quatro anos e hoje já são cerca de 80 os alunos que quatro vezes por semana se dedicam à arte da dança.

Nas aulas, Márcia Ferreira transfere a sua paixão para as alunas da forma “mais natural possível”. “Tento mostrar-lhes o meu melhor e o que elas podem alcançar, tento incutir-lhes o rigor e a disciplina mas com carinho e, acima de tudo, mostrar-lhes o palco, porque a paixão vem do palco”, explica. E se para estas meninas de tenra idade o palco ainda é uma experiência pouco explorada, calçar os sapatos de pontas é o sonho prestes a ser concretizado pelas mais crescidas. “As mais velhas já vão iniciar o trabalho de pontas, o que é aliciante para elas como objectivo e para mim como professora”, afirma Márcia Ferreira. “Já têm os sapatos e perguntam todos os dias quando vão começar as aulas de pontas, sem dúvida que o glamour delas está nas pontas”, assegura.

Escola quer alargar horizonte para melhores alunas

Os resultados de “excelente qualidade” obtidos pelos bailarinos de palmo e meio, tanto no ballet como na dança jazz, este ano voltaram a merecer o reconhecimento da Real Academia de Dança. No passado dia 24 de Outubro, os alunos da Escola de Dança da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado receberam os diplomas pela exímia prestação no ballet e na dança jazz. Satisfeita com as notas altas alcançadas pelos alunos, Márcia Ferreira optou por conjugar a entrega de diplomas com um espectáculo de dança. “Este ano, já que elas são mais crescidas, eu achei por bem fazer uma apresentação para os pais poderem ver algum do trabalho que elas realizam dentro da sala de exame”, adiantou.

Orgulhoso pelo projecto que superou as expectativas, José Sá, presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado, lembrou a importância de valências como esta para as crianças e jovens. “É de alto valor e alto interesse, é um dos empenhos que eu tive para servir bem a população e daqui saem muito bons talentos através destes miúdos que aqui aprendem as suas danças”, sustentou. Fomentar a arte e a cultura na freguesia e no concelho foi desde sempre o objectivo do autarca, sempre associada à cultura de “todo o nosso povo que é português”.

Depois dos objectivos iniciais ultrapassados, os projectos para a Escola de Dança não param. Entre eles está levar os alunos a um “concurso nacional que poderá dar-lhes o passaporte para participar num concurso internacional”, adiantou Márcia Ferreira. A professora de ballet, que reconhece bem as “qualidades artísticas” das suas meninas, gostaria ainda de introduzir algumas das alunas na Real Academia de Dança “para uma vertente mais profissionalizante”. A curto prazo está já previsto um espectáculo de Natal, com data ainda a confirmar.