A grave situação de crise, que nos “bateu à porta”, pode ser, senão debelada na totalidade, pelo menos atenuada significativamente, se todos começarmos a interiorizar, para depois praticar, o conceito de cidadania. O antigo Presidente dos EUA, John F. Kennedy, disse um dia: “Não perguntes o que o teu País pode fazer por ti; pergunta o que podes fazer pelo teu País”.

Para termos uma ideia da dimensão da crise, que o País está a viver, a arrecadação de um dos mais importantes impostos, em termos de receitas do Estado, o IRS – Imposto sobre o Rendimento – , que a maioria de nós conhece bem, só dá para pagar pouco mais que os juros da dívida portuguesa. Só para os juros; pouco sobra! É um valor muito elevado de juros, que temos de pagar. Melhor: é exagerada a dívida do Estado Português feita, na sua maioria, para comprar ao estrangeiro.

A desconfiança na capacidade dos portugueses, para ultrapassarem esta crise, é quase generalizada. Mais, somos enxovalhados por apreciações e comentários mais ou menos jocosos, quantas vezes vindas dos nossos parceiros europeus, que nos olham como: «uns “coitadinhos”, que são incapazes de sair da crise e de traçar um rumo de desenvolvimento». É preciso mudarmos de atitudes e alterarmos este clima depressivo, para que os dias que aí vêm, não fiquem ainda mais “negros”.

Se as nossas atitudes estiverem impregnadas de portuguesismo, podemos dar um contributo importante no combate à crise. É possível fazer com que Portugal saia do “aterro” onde nos meteram, desde que, assumidamente, preferirmos consumir o produto nacional. Este comportamento, será fazer acontecer o fim da crise em Portugal.

Devemos estar atentos às campanhas de marketing, altamente agressivas, que nos levam a consumir aquilo que queremos, e aquilo que não queremos. Não nos deixemos manipular e sejamos perfeitos protecionistas daquilo que é nosso, daquilo que é português. São tantos os países que assim fazem, com excelentes resultados para as suas economias. E nós, porque não o fazer também?

Comecemos pelas compras que fazemos na mercearia ou no supermercado: vamos comprar preferencialmente produtos portugueses: peixe, carne, legumes, bebidas, etc. Quando formos almoçar ou jantar fora, vamos optar pelos restaurantes de comida tradicional portuguesa. Depois, nas compras de roupa ou calçado, deveremos verificar atentamente a etiqueta de origem dos produtos e, sempre que haja alternativa, vamos escolher os produtos fabricados em Portugal. E, por fim – tanto sol, tanto mar, que temos para escolher -, nas nossas férias, “vá para fora cá dentro”. Façamos férias em Portugal.

Com estas atitudes, vamos reduzir as importações, que nos estão a arrastar, cada dia que passa, para o fundo do “aterro”, e vamos fazer crescer a nossa economia, para assim, reduzirmos o desemprego. Este ato coletivo, de escolhermos português, será uma resposta eficaz à crise e uma prova, aos nossos parceiros europeus e não só, que não somos uns “coitadinhos” incapazes. E, assim, podermos gritar bem alto: Viva Portugal!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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