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Edição 732

Criado movimento de doações e trocas na Trofa

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Nasceu na rede social Facebook, no fim de novembro, um movimento cívico criado com o objetivo de “fomentar a economia circular no concelho, através do envolvimento da comunidade”.

“TNT – Trocas na Trofa” é o nome do grupo que conta, atualmente, com cerca de 300 membros e já com “transações” registadas, entre mobiliário, vestuário, livros, produtos de beleza, bijuteria, CD, DVD e videojogos. Transações não são mais do que doações ou trocas, já que, neste grupo, não é permitido o uso de dinheiro.

“Os criadores desta plataforma, inspirados por outros movimentos similares, são apologistas de que, através de doações, trocas e empréstimos, podemos contribuir para uma economia sustentável e para melhorar a vida de uma pessoa ou família. Melhor do que destralhar a nossa casa – e a nossa vida – é juntar isso com a contribuição para melhorar a vida de outra pessoa”, pode ler-se na descrição do grupo.

O processo é simples. À publicação que interessar, o membro do grupo deve mostrar interesse através da caixa de comentários e depois tratar da troca ou recolha com o doador, por mensagem privada. No caso de haver trocas, o promotor deve privilegiar produtos simbólicos como frutas ou vegetais da época, para reduzir o desperdício alimentar ou recolha de alimentos para doar instituições.

A administração do grupo alerta os membros que, “dada a situação atual, é fundamental cumprirem, escrupulosamente, as regras impostas pelas autoridades de saúde quando se encontrarem para as trocas”.

Para fazer parte deste grupo, basta aceder ao link facebook.com/groups/trocasnatrofa e pedir para aderir. Em pouco tempo, será aceite na comunidade.

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Edição 732

Memórias e Histórias da Trofa: S. Gonçalo em 1901

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O fatídico ano de 2020 está prestes a terminar e com ele encerram bastantes dificuldades, algumas delas desconhecidas pela maioria da população.

O dezembro termina e o mês que se segue é o janeiro, que marca um dos momentos mais importantes da cultura popular, com a comemoração de S. Gonçalo, na freguesia de Covelas, concelho da Trofa.

Todos nós, certamente, teremos inúmeras histórias para contar sobre estas festas, que são das poucas atividades que os trofenses ainda aderem em bom número e que permitem que o lado mais popular da sua vivência tenha grande destaque cultural.

Uma festa de cariz popular iria ser capaz de atrair um elevado número de pessoas para um evento em que é impossível atestar a sua data de formação com certezas e rigor que a história obriga.
A romaria que venho aqui abordar realizou-se, praticamente, há 120 anos…

(…)

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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Edição 732

A extraordinária ceia de 1973

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Apesar de ter nascido no dia 26 de Dezembro de 1973, eu, dois dias antes, sem ter consciência de mim, comecei a animar de uma forma diferente uma ceia de Natal, quando o meu pai se ia servir pela segunda vez do bacalhau e dei um sinal de alarme à minha mãe:

– É agora! O nosso menino vai nascer! – diz ela
– Outra vez?! – interroga-se um dos meus tios, depois de se ter servido mais do vinho do que do bacalhau.
– Acho que a Tininha não está a falar do Menino Jesus, mas do nosso filho, que trás na barriga! – clarifica o meu pai.

Como quem se serve mais do copo do que do prato fica mais liberto de espírito, o meu tio exclama o que não teve coragem de dizer durante nove meses:

– Pensei que a Tininha estava a ficar gorda!!!

O meu avô, personagem expansiva e apreciador das diferenças, que sempre se animou com a felicidade dos outros, declara:

– Deve ser o Messias…o outro! Aquele pelo qual os Judeus estão à espera!

Meio perdido com a conversa e com uma espinha de bacalhau espetada na garganta, aquele que dois dias depois seria pai pela primeira vez, reclama:

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– Messias, não! O meu rapaz vai-se chamar José Augusto.
(Tenho um tio, uma tia e uma prima que ainda me tratam por Gustinho)

– Paizinho, paizinho… – grita, aflita, aquela que dois dias depois seria a minha mãe.
(A melhor)

Aquele que dois dias depois viria a ser avô pela quarta vez levanta-se e dirige-se para o telefone:

– Estou! – e a minha avó a pensou que o meu avô estava a telefonar para a ambulância – És tu, António Absolum?

Do outro lado respondem afirmativamente. É o amigo judeu do meu avô.

– O vosso Messias vai nascer! Está aqui em casa, na barriga da minha filha…mas não te preocupes, vamos já para o hospital!

Do outro lado da linha António Absolum diz algo, que faz o meu avô virar-se para o meu pai:

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– Ó Gusto! A vossa lua de mel…
(Este jovem que viria a ser meu pai, o melhor, também é Augusto)
E sem deixar o meu avô terminar a frase, e com os dedos metidos na boca a tentar tirar a espinha, a única coisa que saiu foi:

– Quente! As noites estavam frias, mas a lua de mel foi quente!
O meu avô preferia que o meu pai tivesse cuspido a espinha em vez daquelas palavras, e virado para o telefone.

– A minha filha não vai dar à luz virgem! O vosso Messias também tem que nascer de uma virgem?

O meu tio que se esqueceu de comer e só bebia, olhava admirado para a “pança” da minha mãe e eu, sem consciência de mim, dou mais um sinal vermelho.

– ELE VAI NASCER!!! – berra a minha mãe.

O meu avô regressa à mesa e ao pegar no copo de vinho, a minha avó,
(A melhor)
firme, ordena – Vamos já para o hospital.

Já na rua, as chaves do carro passavam de mão em mão, não estando ninguém em condições de conduzir. O meu tio a pensar que a minha mãe afinal não estava gorda; o meu pai aflito com a espinha na garganta; o meu avô, fora da realidade, a pensar, “Que ser especial estará para nascer”; as mulheres não tinham carta e a minha avó, virada para o meu primo de dezasseis anos, que só bebeu Spur-Cola nessa noite, diz-lhe:

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– Levas tu o carro! – e passa-lhe as chaves para a mão, tendo sido esta a atitude mais sensata.

Chegados ao hospital, o meu tio enquanto aponta para um frasco pendurado numa maca, diz, “Quero beber daquilo!”, e foi colocado a soro; o meu pai foi para “Clínica Geral”, para tirar a espinha, e o médico ao ver a minha mãe, firme e em alta voz, anuncia, “A CRIANÇA VAI NASCER.”
 
E nasci…dois dias depois, no dia 26 de Dezembro de 1973. O meu avô telefonou ao seu amigo judeu e diz-lhe, “Nasceu-me mais um Messias! É o quarto, tão especial como os outros!”.
 
Assim deviam ser as crianças, para os Seus…Especiais!

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