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Edição 732

Mulheres Socialistas angariaram 1500 produtos de higiene

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O Movimento das Mulheres Socialistas da Trofa angariou, durante o mês de dezembro, cerca de 1500 produtos de higiene, que vão ser distribuídos pelas famílias necessitadas do concelho.

Depois de uma campanha que contou com o envolvimento das Mulheres Socialistas da Trofa, a estrutura partidária entregou, esta segunda-feira, 28 de dezembro, cerca de 1500 produtos de higiene na delegação da Trofa da Cruz Vermelha Portuguesa.

Foi uma maneira de marcar o mês do Movimento com “uma atividade solidária”, à qual participaram “não só os elementos, mas também muitos outros trofenses”, a quem Ângela Moreira, líder da estrutura, agradeceu.

“Temos cerca de 1500 produtos, desde escovas e pasta de dentes, a champôs, amaciadores, cremes, pensos higiénicos, géis de banho e fraldas. São produtos do nosso dia a dia que nem valorizamos, mas que são preteridos a favor de alimentação pelas famílias que passam necessidades”, explicou.

Numa época em que as doações alimentares aumentam, a entrega de produtos de higiene surge no momento certo. “São aqueles produtos que muitas vezes ficam esquecidos. As pessoas têm sempre aquele sentimento de dar de comer, e, claro, é essa a primeira necessidade, mas nesta época, uma vez que essa área estava acautelada, quando nos questionaram qual seria a maior carência neste momento, referimos que eram os produtos de higiene”, explicou Daniela Esteves, presidente da delegação da Trofa da Cruz Vermelha.

Num ano marcado pelas dificuldades acrescidas inerentes à pandemia de Covid-19, a delegação da Cruz Vermelha redobrou esforços para chegar a todos os que pediram ajuda. “Acho que conseguimos, dentro dos possíveis, proporcionar um Natal feliz às pessoas. Felizmente, temos uma caixa forte do ponto de vista alimentar e o nosso trabalho chegou a todos os que procuraram a nossa ajuda”, frisou a responsável.

Além de confortar as famílias do ponto de vista alimentar, a delegação conseguiu ainda levar alegria às crianças, distribuindo brinquedos e outros presentes, doados por várias entidades e grupos, como o BPI, já parceiro habitual da Cruz Vermelha nesta época festiva.

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Mas as necessidades não são sentidas apenas nesta altura. Daniela Esteves revelou que, em 2020, os pedidos de ajuda “aumentaram muito”. “Desde março que tem havido um crescimento assinalável do número de apoios. Há um novo perfil de pessoas fragilizadas e às quais temos de ter atenção, porque têm vergonha de pedir ajuda. Por isso, deixo o apelo a quem saiba ou que precise, que procure a Cruz Vermelha”, frisou.

Segundo Daniela Esteves, esse novo perfil de pessoas a precisar de ajuda refere-se àqueles que, tendo um nível de vida estável, viram os seus rendimentos caírem, significativamente, devido aos efeitos da pandemia no emprego e economia.

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Memórias e Histórias da Trofa: S. Gonçalo em 1901

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O fatídico ano de 2020 está prestes a terminar e com ele encerram bastantes dificuldades, algumas delas desconhecidas pela maioria da população.

O dezembro termina e o mês que se segue é o janeiro, que marca um dos momentos mais importantes da cultura popular, com a comemoração de S. Gonçalo, na freguesia de Covelas, concelho da Trofa.

Todos nós, certamente, teremos inúmeras histórias para contar sobre estas festas, que são das poucas atividades que os trofenses ainda aderem em bom número e que permitem que o lado mais popular da sua vivência tenha grande destaque cultural.

Uma festa de cariz popular iria ser capaz de atrair um elevado número de pessoas para um evento em que é impossível atestar a sua data de formação com certezas e rigor que a história obriga.
A romaria que venho aqui abordar realizou-se, praticamente, há 120 anos…

(…)

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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A extraordinária ceia de 1973

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Apesar de ter nascido no dia 26 de Dezembro de 1973, eu, dois dias antes, sem ter consciência de mim, comecei a animar de uma forma diferente uma ceia de Natal, quando o meu pai se ia servir pela segunda vez do bacalhau e dei um sinal de alarme à minha mãe:

– É agora! O nosso menino vai nascer! – diz ela
– Outra vez?! – interroga-se um dos meus tios, depois de se ter servido mais do vinho do que do bacalhau.
– Acho que a Tininha não está a falar do Menino Jesus, mas do nosso filho, que trás na barriga! – clarifica o meu pai.

Como quem se serve mais do copo do que do prato fica mais liberto de espírito, o meu tio exclama o que não teve coragem de dizer durante nove meses:

– Pensei que a Tininha estava a ficar gorda!!!

O meu avô, personagem expansiva e apreciador das diferenças, que sempre se animou com a felicidade dos outros, declara:

– Deve ser o Messias…o outro! Aquele pelo qual os Judeus estão à espera!

Meio perdido com a conversa e com uma espinha de bacalhau espetada na garganta, aquele que dois dias depois seria pai pela primeira vez, reclama:

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– Messias, não! O meu rapaz vai-se chamar José Augusto.
(Tenho um tio, uma tia e uma prima que ainda me tratam por Gustinho)

– Paizinho, paizinho… – grita, aflita, aquela que dois dias depois seria a minha mãe.
(A melhor)

Aquele que dois dias depois viria a ser avô pela quarta vez levanta-se e dirige-se para o telefone:

– Estou! – e a minha avó a pensou que o meu avô estava a telefonar para a ambulância – És tu, António Absolum?

Do outro lado respondem afirmativamente. É o amigo judeu do meu avô.

– O vosso Messias vai nascer! Está aqui em casa, na barriga da minha filha…mas não te preocupes, vamos já para o hospital!

Do outro lado da linha António Absolum diz algo, que faz o meu avô virar-se para o meu pai:

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– Ó Gusto! A vossa lua de mel…
(Este jovem que viria a ser meu pai, o melhor, também é Augusto)
E sem deixar o meu avô terminar a frase, e com os dedos metidos na boca a tentar tirar a espinha, a única coisa que saiu foi:

– Quente! As noites estavam frias, mas a lua de mel foi quente!
O meu avô preferia que o meu pai tivesse cuspido a espinha em vez daquelas palavras, e virado para o telefone.

– A minha filha não vai dar à luz virgem! O vosso Messias também tem que nascer de uma virgem?

O meu tio que se esqueceu de comer e só bebia, olhava admirado para a “pança” da minha mãe e eu, sem consciência de mim, dou mais um sinal vermelho.

– ELE VAI NASCER!!! – berra a minha mãe.

O meu avô regressa à mesa e ao pegar no copo de vinho, a minha avó,
(A melhor)
firme, ordena – Vamos já para o hospital.

Já na rua, as chaves do carro passavam de mão em mão, não estando ninguém em condições de conduzir. O meu tio a pensar que a minha mãe afinal não estava gorda; o meu pai aflito com a espinha na garganta; o meu avô, fora da realidade, a pensar, “Que ser especial estará para nascer”; as mulheres não tinham carta e a minha avó, virada para o meu primo de dezasseis anos, que só bebeu Spur-Cola nessa noite, diz-lhe:

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– Levas tu o carro! – e passa-lhe as chaves para a mão, tendo sido esta a atitude mais sensata.

Chegados ao hospital, o meu tio enquanto aponta para um frasco pendurado numa maca, diz, “Quero beber daquilo!”, e foi colocado a soro; o meu pai foi para “Clínica Geral”, para tirar a espinha, e o médico ao ver a minha mãe, firme e em alta voz, anuncia, “A CRIANÇA VAI NASCER.”
 
E nasci…dois dias depois, no dia 26 de Dezembro de 1973. O meu avô telefonou ao seu amigo judeu e diz-lhe, “Nasceu-me mais um Messias! É o quarto, tão especial como os outros!”.
 
Assim deviam ser as crianças, para os Seus…Especiais!

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