Não é que a análise da situação do passado, ainda fresco na nossa memória, possa melhorar a nossa qualidade de vida nos tempos actuais, mas é concerteza um contributo para a história da nossa autonomia, compararmos a nossa vida política com aquela que tanto nos queixávamos e que fez com que a quase generalidade despertasse e se entregasse à causa da Criação do Concelho da Trofa. Não só por isso mas também!

josmaria.jpgE como era o poder político de então? Altamente centralista, autocrático e de um presidencialismos retrógrado, com atitudes vingativas que roçavam a mesquinhes política e pessoal, era assim que o poder político geria o dia-a-dia, a contento de alguns mas para tristeza de muitos.

Os seus apaniguados partidários de então, que discordavam, pontualmente, de uma ou outra situação, eram afastados e quantas vezes enxovalhados na praça pública. Os adversários políticos, que queriam fazer um trabalho de oposição democrática e quantas das vezes construtiva, era-lhes surripiada a informação necessária ao seu trabalho e por vezes a postura de quem exercia o poder, raiava a fronteira do antidemocrático. Que o digam as diversas Assembleias Municipais que ao longo dos anos foram efectuadas em que eleitos da oposição levantavam alguma objecção ou discordância e “chovia” de imediato um rol de intervenções, com um único objectivo: abafar a opinião, mesmo que correcta ou importante para o desenvolvimento.

A maioria dos órgãos de comunicação social, eram dependentes do poder, pois os anúncios oficiais e ligados ao poder, eram a grande fonte de receita dos jornais e das rádios e como tal a subserviência, tirando honrosas excepções, era mais que óbvia. Os próprios boletins informativos, pagos por dinheiros públicos, não passavam de órgãos de propaganda do Presidente e do poder instalado.

Para se ser funcionário da Câmara Municipal, muito mais do que a capacidade profissional era o cartão de militante do partido. Os concursos públicos de admissão de pessoal, não eram mais do que autênticas farsas que iam sempre admitir os mesmos: conhecidos, amigos ou familiares de militantes do partido do poder.

No que toca ao desenvolvimento era o nosso Concelho de então, o que menos se desenvolvia e o mais atrasado da região. Era com imensa tristeza que víamos os Concelhos vizinhos em grande pujança e expansão, ao contrário do nosso que ficou estagnado no tempo. O pouco que se desenvolveu era de um centralismo macrocéfalo constrangedor e as Freguesias pouco ou nada se desenvolviam e as infra-estruturas básicas, culturais, desportivas ou outras, pouco ou nenhumas se projectavam ou construíam.

Os planos de investimento e os orçamentos reflectiam uma falta de equidade evidente e que assustava. O mais grave era a prática ao longo dos tempo, pois bastava um Freguesia ser gerida por autarcas que não fossem do partido do poder, para a descriminação ser uma constante, como castigo por o Povo ter votado livremente. As Freguesias que tivessem uma área ou número de habitantes bastante superior a outras Freguesias mas que não tivessem autarcas do mesmo partido que a Câmara Municipal, eram vergonhosamente relegadas para o último lugar, nos orçamentos, nos planos e nos investimentos.

Isto era assim quando pertencíamos a outro Concelho!!…

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt