Os tapetes florais embelezavam o caminho a percorrer pelo padre Xavier Dias até à Igreja Nova, onde comemorou os 25 anos sacerdotais, com uma celebração solene. Após a eucaristia, os paroquianos puderam saudar o padre e participar no almoço, que foi servido num salão da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa.
Em declarações ao NT, Xavier Dias fez um balanço “bastante positivo” dos 25 anos de sacerdócio, que, apesar de terem passado “rápido”, representaram “muitas coisas boas e positivas”. Para si, poder celebrar esta eucaristia no local onde celebrou a sua missa nova foi “uma grande alegria e sobretudo um sentimento de pertença a esta paróquia”, uma vez que, “metade” dos 25 anos de sacerdócio foram “vividos fora da paróquia e de Portugal”. “Sinto uma plenitude na realização como padre e missionário. O facto de ser missionário e de ter esta dimensão do partir, ao contrário de outros que ficam na sua diocese, sempre foi positivo e enriquecedor enquanto pessoa, pelo facto de conhecer novas culturas e realidades e, como sacerdote, cristão e missionário de ver a ação de Deus noutras pessoas, culturas e realidades”, elencou.
“Outra dimensão” que considera “bastante importante” é o facto de ,enquanto padre, “não somente dar e levar uma coisa para dar aos outros, seja no âmbito material ou espiritual”, como também de ter recebido “muito das pessoas, com quem pude viver e compartilhar a vida ao longo destes anos”. “Recebi sobretudo um grande amor, um grande carinho, mas também um sentido de pertença, por sentir-se parte de uma comunidade e de uma família. Sentir que faço parte também desse povo e dessa comunidade paroquial preenche depois todos os vazios que possam existir, como a família e os amigos com quem crescemos e partilhamos momentos da juventude”, completou.
Dirigindo-se a amigos das paróquias, Xavier Dias deixou um “muito obrigado pela amizade e pela estima que manifestaram” e que demonstra que são “uma família”.
Já Luciano Lagoa, pároco de S. Martinho de Bougado, sentia “um orgulho muito grande”, por ver “um filho da terra a continuar o projeto que abraçou há 25 anos”. Quanto a este dia de festa, deixou “uma palavra de agradecimento à Paróquia pelo empenho que teve na organização”, pois, mesmo “a chover durante a noite”, houve “muita gente que esteve a molhar-se toda para fazer o tapete de flores até à igreja” e que “também se empenhou muito nesta organização quer no almoço quer na celebração da Eucaristia”.

Serafim Xavier da Costa Dias nasceu a 7 de junho de 1962, em Paradela, S. Martinho de Bougado, e na juventude acumulou algumas tarefas na paróquia como na catequese, na Conferência S. Vicente Paulo e no grupo coral. O contacto com os Missionários Combonianos de Famalicão foi “decisivo” na opção deste trofense quando tinha 18 anos.
Depois de completar o curso de Filosofia, em Coimbra, Xavier Dias rumou para Santarém onde fez o noviciado, introdução e admissão temporária no instituto dos Missionários Combonianos, entre 1982 e 1984. Terminou o curso de Teologia na Universidade de Innsbruck, na Áustria, durante quatro anos, foi admitido no instituto através da profissão perpétua e foi ordenado diácono, em novembro de 1988. A 17 de junho de 1990, foi ordenado padre em Namapa, pertencente à província de Nampula, em Moçambique, onde fez os seus “primeiros três anos de sacerdócio”. Seguiram-se “sete anos” de trabalho como “formador de ideologia dos Missionários Combonianos”, em Innsbruck, na Áustria e “três anos na Diocese de Coimbra”. Em 2005, o padre regressou a Moçambique, tendo estado, durante “três anos no norte” e “sete anos na província de Maputo”.