Sílvia Raquel, da Póvoa de Varzim, venceu a primeira edição do concurso “Trofa Dá Voz ao Fado”, cuja final contou com muito público. Organização fala em “sucesso”.

O Património Imaterial da Humanidade ergueu-se pelas vozes daqueles que através do amadorismo alimentam uma paixão e fazem sonhar os que fruem das palavras e dos sentimentos transmitidos no palco. No bar da comissão de festas de Nossa Senhora das Dores, fez-se silêncio para ouvir o fado. O primeiro concurso “Trofa Dá Voz ao Fado”, que teve a chancela da Câmara Municipal, esgotou o número de inscrições e extravasou fronteiras, com participações oriundas de Vila do Conde, Maia, Guimarães, Braga, Santo Tirso, Ribeirão, Gondomar, Lousado, Penafiel e Póvoa de Varzim.

A ideia de promover o concurso surgiu numa “brincadeira”, durante “uma conversa de café, em maio” e rapidamente ganhou forma, contou Assis Serra Neves, vereador da Cultura da autarquia e presidente do júri, em declarações ao NT e à TrofaTv. Ultrapassadas as “dificuldades burocráticas” através da “parceria feita com a comissão de festas” – que recebeu o evento e atribuiu os prémios – foi possível organizar o evento.

“Foi um sucesso, muito além daquilo que esperávamos, com a participação de pessoas de vários concelhos, que levaram o nome da Trofa muito longe. Está lançada a base para que se prossiga com este projeto”, adiantou o autarca.

Depois de cinco eliminatórias que atraíram muito público, as expectativas para a final eram altas e foram correspondidas pela audiência.

No palco, os dez finalistas ombrearam pela melhor interpretação para conquistar o ouvido e o coração dos elementos do júri. Feitas as contas, houve uma voz feminina que se destacou. Sílvia Raquel, da Póvoa de Varzim, canta “há 13 anos” e garante que o amor ao fado “nasceu” com ela. Venceu a primeira edição do “Trofa Dá Voz ao Fado”, mesmo sem expectativas. “Quando entramos neste tipo de concurso, esperamos participar e conviver com os amigos que conhecemos aqui e ali nas casas de fado, mas é sempre bom ganhar. Estou muito feliz”, afirmou.

Sílvia Raquel elogiou a “qualidade” do concurso e dos concorrentes, quer da final, quer da eliminatória em que participou.

A noite ficou ainda marcada por surpresas. Joaquim Macedo, que fez parte do júri, brindou o público com um fado bem conhecido dos portugueses: “Nem às paredes confesso”, de Amália Rodrigues.

Noutro momento da noite, pela voz de António Sousa, responsável pela agenda cultural da Casa da Cultura da Trofa, a poesia foi chamada a exaltar a guitarra portuguesa.