Os Voluntários, inspirados na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e na Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989, consideram o seu comprometimento como um instrumento de desenvolvimento social, cultural, económico e do ambiente, num mundo em constante mutação.

  O trabalho voluntário, contribui para a melhoria da qualidade de vida, realização pessoal e uma maior solidariedade, sem recebimento de qualquer prestação pecuniária ou auferimento de qualquer lucro. Tem sido uma das formas mais eficazes para que seja suprido o fraco investimento, ou a falta de investimento oficial, em acção social, ambiente, educação, saúde, desporto e lazer e mesmo assim tem sido tão maltratado, ou até mesmo enxovalhado pelos poderes púbicos, mas também por muitos elementos da sociedade.

O Voluntariado, é uma forma de participação activa do cidadão na vida das comunidades e ao contrário do que pode parecer, é exercido de forma séria e muitas vezes necessita de especialização!?! A maior recompensa deste trabalho não é qualquer valor material; não é a ambição, nem a busca de riqueza material ou notoriedade que move os voluntários. Eles são movidos pela vontade de ajudar, pela procura de riqueza emocional e pela certeza de poderem dar um contributo para a construção de um futuro diferente e melhor, fazendo assim a diferença. São voluntários! Ser voluntário, é ser útil, deliberadamente sem esperar compensações nem recompensas. Ser voluntário é, tantas vezes, uma bênção inesperada para quem beneficia.

Nalguns países o voluntariado é uma prática corrente, um princípio, como que uma obrigação individual e livremente assumida. É uma espécie de afirmação de cidadania plena e responsável. Neste país, um país com muitos cidadãos complexados, ninguém quer ser "criado" de ninguém, quase ninguém está para se incomodar por alguém que não conheça (a não ser que apareça na televisão). Jovem, adulto, reformado ou desempregado, poucos assumem o voluntariado como uma prática privilegiada de realização pessoal e social.

O voluntariado implica um esforço para a acção centrada no outro, o qual requer implicitamente responsabilidade. Criam-se ligações e relações que faz todo o sentido manter até que se alcancem objectivos concretos. É muito diferente de um simples voluntarismo pontual. Há por todo o mundo grupos de pessoas, que para lá dos seus deveres profissionais e sociais, dedicam parte do seu tempo aos outros. Fazem-no com um objectivo que não se esgota na própria intervenção, mas que pretende erradicar ou modificar as causas da necessidade. Este esforço centra-se em acções que procuram a promoção dos excluídos e em medidas concretas que ponham fim à sua dependência.  

São precisas medidas oficiais que contribuam para um eficaz apoio ao voluntariado, com um alargamento do regime de prestação de serviços a esta forma de auxílio social. Se um profissional quiser prestar serviços em regime de voluntariado, essa prestação não é considerada do ponto de vista fiscal, como por exemplo o caso de um médico ou uma enfermeira se oferecer para tratar um conjunto de doentes ou um professor der aulas a alunos de famílias desfavorecidas, essa prestação de serviços não é considerada na actual lei portuguesa a nível fiscal e deveria ser. É urgente a existência de uma legislação que estimule uma rede de voluntariado em Portugal. Em tempos de crise social, este será um sector-chave. O Estado falha a ajuda ao nível micro, o voluntariado chega ao caso concreto. É preciso dignificar e ajudar quem ajuda!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt