Primeira etapa da Volta a Portugal começou na Trofa. O ciclista Daniel Silva e o comissário Abílio Cardoso são os representantes do concelho na competição.

Ainda a Volta não tinha começado e Daniel Silva já era a principal figura dos bastidores. E não era para menos. O ciclista é o único representante natural da Trofa e foi acarinhado por família e amigos logo que chegou à zona da estação, onde estacionaram os veículos das equipas.

Sempre sorridente a distribuir autógrafos e a posar para fotografias, o atleta estava “orgulhoso” por começar a primeira etapa da Volta na terra natal: “Ter aqui os meus amigos e a minha família a dar-me força é muito importante e motivador”.

Há dois meses, os prognósticos para a participação na competição não eram nada animadores, já que Daniel Silva sofreu um acidente de bicicleta e fraturou o cúbito (na zona do cotovelo). No entanto, conseguiu recuperar em tempo recorde e apresentou-se na prova com a máxima força. “O corpo respondeu bem aos treinos”, porém não se livra de andar com uma ligadura a proteger o cotovelo.

A função de Daniel Silva nesta competição é levar o líder de equipa, João Cabreira, à vitória. Só depois de assegurar o sucesso de Cabreira é que Daniel vai pensar em “resultados individuais”.

Orgulhosos por ver o neto participar na Volta e partir da Trofa, Aníbal Caetano e Maria Araújo chegaram cedo para mostrar todo o apoio a Daniel Silva. Enquanto a avó não sabia “se ria ou chorava”, porque “o medo que lhe aconteça alguma coisa existe sempre”, Aníbal contava como o neto chegou à alta-roda do ciclismo: “O pai dele, em solteiro, queria correr, mas a minha filha não deixou. Só deixou o Daniel, quando ele cresceu”.

Na primeira etapa, com chegada a Oliveira do Bairro, o atleta terminou em 54º lugar, melhorando substancialmente nas seguintes, em Santo Tirso e na Senhora da Graça (15º e 11º, respetivamente).

Na terça-feira, na etapa que ligou Oliveira do Hostipal a Viseu, o ciclista trofense terminou em 45º lugar.

Na geral, Daniel Silva está no 11º lugar, a um minuto e 12 segundos do camisola amarela Sérgio Ribeiro. 

Trofense no carro-vassousa

Mas a Trofa tem outro representante na Volta. Não um ciclista, mas um comissário, que fecha a corrida no carro vassoura. Abílio Cardoso tem a função de “controlar os ciclistas que estão atrasados o tempo suficiente para o fecho do trânsito e fazer cumprir os regulamentos”.

Para Abílio Cardoso, o facto de a Trofa ser ponto de partida de uma etapa da Volta “é muito importante”. “As pessoas estão a aderir e está a ser um sucesso. Para concelhos como este é a melhor aposta que se pode fazer, pois é a única modalidade em Portugal que as pessoas correm o país e levam o nome da Trofa na cabeça”, frisou.

Para outros, a Volta a Portugal na Trofa tem um significado ainda mais especial. Que o diga o ex-ciclista trofense Afonso Azevedo, que não perdeu a oportunidade para “rever amigos”, como Daniel Silva, e “matar saudades” da modalidade.

O concelho trofense estreou-se como grande palco da Volta a Portugal e, segundo o diretor da prova, Joaquim Gomes, fê-lo da melhor maneira: “Foi uma agradável surpresa este espaço (junto à estação) que, para além da Volta, pode servir para a realização de muitos outros eventos. Só espero ter a oportunidade de voltar para o evento mais apetecível que é o final de uma etapa”.

Milhares de pessoas não perderam a oportunidade de ver o início da corrida, preenchendo as ruas do centro da cidade para ver os ciclistas que pedalaram rumo a Oliveira do Bairro. Sérgio Ribeiro, da Barbot/Efapel, venceu a etapa e vestiu a camisola amarela até à chegada à Senhora da Assunção, conquistada por Hernâni Brôco, da LA/Antarte. No entanto, o ciclista da Barbot/Efapel recuperou a liderança, na 5ª etapa, entre Oliveira do Hospital e Viseu.

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