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Edição 723

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A pouco mais de um ano das Autárquicas de 2021, que lhe podem dar o terceiro (e último) mandato à frente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Humberto depara-se com vários desafios. Ainda a lamber as feridas, depois de ter ido ao tapete com estrondo, na sequência do caso do aterro de Covelas, o edil tem em marcha várias e importantes obras, todas bem encaminhadas para estar preparadas a tempo de abrilhantar o porta-a-porta da sua campanha eleitoral, pese embora o efeito da pandemia, que continua a ser uma incógnita.

Paços do Concelho, Distribuidora 21, Ciclovia do Coronado e a beneficiação da EN14 são quatro obras diferentes, todas elas importantes, com profundo impacto nas zonas intervencionadas, todas elas situadas na zona de maior densidade populacional do concelho, todas à excepção da obra no Coronado, segunda maior freguesia do concelho em termos de população. Mas obras como esta, como o passado nos mostrou, podem ser uma faca de dois gumes. Joana Lima e o seu executivo são a prova disso mesmo. E nada nos garante, nesta fase, que Sérgio Humberto não seguirá o mesmo caminho. Para bem da Trofa, espero que não.

Por outro lado, o autarca trofense tem em mãos alguns problemas, nenhum deles de fácil resolução, a começar por aquele que criou em Covelas, e que está longe de terminado. A quebra de confiança entre o executivo e parte significativa da população trofense, sem paralelo no consulado da coligação, e que se estendeu ao próprio PSD, está longe de sanada. Até porque o fantasma do aterro ainda não foi embora. E dificilmente irá, porque uma empresa como Resinorte, que já investiu tempo e dinheiro, não vai desistir facilmente. Pode ser que tenha sorte depois das eleições. Apoios não lhe irão faltar.

Existem também outros problemas, de natureza política, que poderão influenciar o rumo das operações, ao longo do próximo ano. Renato Pinto Ribeiro começará a ser julgado, no caso do financiamento do CD Trofense, e o Ministério Público pede perda de mandato para o vereador. Sérgio Humberto enfrentará o início da Operação Éter, na qual é arguido, num mega-caso que envolve empresários e políticos, onde a figura central é o antigo deputado do PSD que presidia ao TPNP, Melchior Moreira. Existem outros casos, ainda recentemente soubemos de uma intervenção da Polícia Judiciária na CM da Trofa, e outras pedras no sapato, algumas já a furar calçado e pé. Não se afigura o passeio no parque a que assistimos em 2017.

Para ajudar à festa, a direita trofense sofreu uma pequena revolução, com a chegada do Chega. Formalmente oficializado o núcleo trofense, o partido de extrema-direita passará a ocupar uma fatia do eleitorado trofense, que irá certamente buscar votos ao CDS-PP e ao PSD. Quando o PSD parecia preparado para deixar cair o CDS-PP, o partido de Sérgio Humberto vê-se agora confrontado com a possibilidade de precisar dos votos de um partido em crescimento exponencial. Pelo menos nas sondagens. Quantos votos valerá a extrema-direita trofense?

Perante esta equação, regresso a um apelo já feito no passado, sem qualquer tipo de sucesso, mas no qual insistirei novamente, porque a asfixia democrática teima em não desvanecer. Já nem o padre Ramos, que tão bonitas crónicas escrevia no Correio da Trofa, escapa às constantes demonstrações de poder dos donos disto tudo. E é por isso que, agora mais do que nunca, é importante que os restantes partidos com representação na Trofa, PS, BE e PCP-PEV, falem entre si. Que se entendam e sigam a fórmula que PSD e CDS-PP usaram para derrubar o anterior executivo. Podem e têm condições para se entenderem. E só uma coligação alargada, onde também cabem o PAN, o Livre e a Iniciativa Liberal, e que pode estar aberta ao contributo não-partidário da sociedade civil, pode tentar virar a página e colocar um ponto final nos tiques autoritários, cada vez mais frequentes, cada vez mais sufocantes.

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Memórias e Histórias da Trofa: O Ministro da Justiça na Trofa em 1904

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Decorriam os últimos dias do mês de maio de 1904 e a Trofa estava em alvoroço, porque iria ter a visita de gente ilustre, aquelas personalidades mediáticas que são capazes de alterar por completo as rotinas sociais da comunidade.

Uma pequena localidade entre Porto e Braga desenvolvia-se de forma estonteante, o comboio que tinha chegado há alguns anos permitia que se vivesse um grande crescimento económico e também social, o que fazia, obviamente, com que esse processo fosse capaz de chamar a atenção do poder central político.

O ilustre que iria visitar a Trofa na última semana de maio de 1904 era sua ex. Ministro da Justiça, Artur de Campos Henriques, que ocupava aquele cargo desde 7 de setembro de 1903.

Na prática, era ministro desde 1900, todavia tinha estado afastado dessas funções, entre julho e setembro de 1903, por questões meramente políticas e, rapidamente, iria retornar ao seu ministério.

A sua passagem pela Trofa iria ocorrer nas instalações da Estação do Caminho de Ferro, desconhecendo o destino final daquela ilustre visita, todavia, isso não foi impedimento para aquelas instalações ferroviárias estarem repletas de público, com muitos dos presentes a quererem ver aquela figura carismática do Governo Constitucional, atendendo a todo o seu passado político em que tinha sido Governador Civil, Ministro das Obras Públicas e, como prova do seu impacto mediático, em 1908, iria ser, inclusivamente, Presidente do Conselho que equivalia esse cargo na atualidade a Primeiro-Ministro.

Um portuense que ia dando cartas na política nacional e conseguia facilmente receber o reconhecimento do seu trabalho, iria ter uma enorme ovação na Trofa, com o povo presente a aproximar-se da carruagem em que ele viajava e prontamente fizeram vários vivas à família real, como também àquele ilustre.

Possivelmente, o destino da sua viagem seria Braga ou uma outra localidade minhota, fundamentando esta argumentação com a presença do Presidente de Câmara na Estação, como também a importante presença do secretário municipal. Caso o comboio seguisse para Guimarães, facilmente o Presidente da Câmara poderia contactar com aquela pessoa em território tirsense.

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A cobertura jornalística efetuada àquele momento não permitiu perceber muito mais pormenores sobre aquele acontecimento, apenas que estava presente um ambiente festivo, com grandes vivas à família real, vivendo-se um momento de euforia e raro naquela época, a visita de um Ministro a uma localidade, sobretudo, uma das figuras mais influentes do panorama político nacional.

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Ida à praia (parque I)

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Ajusto o despertador para as sete horas, a ideia é acordar cedo para aproveitar a melhor parte da praia, a manhã. Nunca percebi aquelas pessoas que chegam à hora do “cancro”, quando deveriam estar a sair para irem almoçar…QUE PAROLOS!

Parece que foi no momento a seguir a pousar a cabeça na almofada, que acordei com o primeiro de cinco toques do despertador! O primeiro, às sete, e o último, às oito. Dava perfeitamente para nos prepararmos, irmos tomar o pequeno- almoço e chegar cedo à praia.

O dia tinha acabado de começar e já achava que estava a correr demasiado bem, quando ao entrarmos no carro para irmos para a praia, e chegar cedo, a Cristina diz – Vamos passar só ali…fica a caminho.

A loja onde ela queria ir ficava a Este do sítio onde estávamos, quando queríamos ir para Oeste…mas estávamos com tempo…, é a grande vantagem de acordar cedo. Após esta deslocação fomos a mais um, e outro…e mais outro sítio, todos a caminho da praia e sem dar conta, já tínhamos percorrido todos os pontos cardeais, sem sair da Trofa!

Finalmente, tomamos a direção da praia e ao fim de meia hora estaciono o carro próximo de um passadiço que dá acesso ao areal. Quando olho para a esquerda, vejo várias pessoas a sair. “Estará vento?” – pensei eu, olhando para o céu a certificar-me se alguma gaivota estava a ser arrastada e de seguida espreito por cima do ombro, em direcção à bandeira, que além de verde, não se mexia!

  • É meio-dia. Quase que chegávamos de manhã! – Diz a Cristina.
    Quando ouço as horas, envergonhadamente, tapo a cara, para não ser visto, mas o António reconheceu a matrícula do carro:
  • Tudo bem, Calheiros? Vais para a praia?
  • Não, António! Só um inconsciente ia a esta hora para lá! Já vamos embora. – Respondo.

    Quinze minutos depois já tínhamos o para-vento e o guarda-sol montados e, sem grande demora, já estou a molhar os pés…a água estava gelada! O mergulho foi imediato e inevitável, depois de passar água pelas pernas, tronco e cara. Sempre desconfiei daqueles que vão molhar os pezinhos e recuam para o areal!
    Dou meia dúzia de braçadas e deixo-me estar a boiar. Ao sair da água, o ar natural que transmitia era desmentido pela pele de galinha e pela quase inexistência dos genitais…com calma dirijo-me para a minha toalha, onde me deito exposto ao sol, naquela hora em que ele é forte e faz mal…com urgência precisava de recuperar os meus órgãos…e adormeci, a Cristina já dormia!
    Quando acordo, desta vez sem nenhum toque de despertador, a praia já tinha recuperado aqueles que tinham saído ao meio-dia. Abro os olhos e senti-me como a acordar no meu quarto, mas cheio de estranhos, em que cada um pôde ficar a conhecer um pouco do meu íntimo, ou seja, a forma escarrapachada como durmo, se ressono ou não, se falo ou tenho tiques durante o sono…e aquela! Aquela que, de pé e em topless, chegava creme por detrás de um para-vento, também pensa agora que me babo a dormir, mas nesse caso foi apenas a reação ao vislumbre de um belo exemplar de mamas!
    Viro-me para o lado e a Cristina ainda dorme e baba-se. Olho para onde a cabeça dela está virada e, aliviado, vejo um rochedo! Quando olho para ela, outra vez, sinto os genitais e um sorriso denúncia que já os recuperei…

Como é bom aproveitar a praia, logo pela manhãzinha!

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