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Edição 723

Correio do Leitor: Um diamante por lapidar à beira rio plantado…

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“Um dos gestos mais belos e generosos do homem, andando vagarosamente pelo campo lavrado, é o de lançar na terra as sementes.” Esta citação, de Clarice Lispector, retrata perfeitamente a história da Trofa que, ao longo de várias gerações, rodeou-se de Homens e Mulheres que lançaram sementes nestas terras férteis. Uma dessas sementes que germinou com sucesso foi o Projeto de Requalificação das Margens Ribeirinhas do Rio Ave, mais conhecido como Parque das Azenhas.

Idealizado em 2007 pelo executivo camarário de então, mas foi em 2013 que este projeto avançou sob a liderança da Dr.ª Joana Lima e que se deu por totalmente concluído em 2017, esta semente lançada à terra resultou numa transformação singular: cerca de 4 quilómetros de um percurso ciclável e pedonal, englobando 26 mil m2 de áreas verdes e quase 4 mil árvores, num espaço que contrasta entre o meio urbano e rural das freguesias de Bougado e onde coabitam inúmeras espécies de fauna e flora ao longo de todo o percurso ribeirinho. Indiscutivelmente, o Parque das Azenhas voltou a cidade para o rio, dignificando-o e tornando-o mais presente no quotidiano dos Trofenses.

Asseguro-vos que recuperamos um autêntico diamante em bruto! Tales de Mileto afirmava que “a água é o princípio de todas as coisas” e, de facto, o desenvolvimento desta terra não teria sido o mesmo se não tivéssemos esta dádiva natural.

Todavia, este diamante à beira rio plantado ainda está por lapidar!
O rio Ave banha o concelho numa extensão de cerca de 10 quilómetros e nessa dimensão existem nove azenhas que se encontram num estado de ruína avançado ou descaracterizadas, à exceção da Azenha de Bairros (a única em laboração no concelho), bem como os açudes que subsistem há centenas de anos numa luta constante contra a permanente erosão das águas do Ave. É revoltante assistir ao desaparecimento do nosso património pré-industrial, sem que sequer exista uma linha, uma ação ou um plano municipal que preserve isso mesmo. É urgente que o município adquira as azenhas, requalifique-as e lhes dê um destino digno!

Embora concluído recentemente, o parque apresenta-nos um cenário de algum desmazelo. É certo que este último inverno foi rigoroso no que a cheias diz respeito, mas o desleixo não é de agora, e verifica-se, por exemplo, nas vedações destruídas ou com lixo acumulado, no piso danificado em certos pontos, no leito dos ribeiros afluentes com presença de espécies invasoras e acumulação de resíduos ou nos fracos acessos ao parque, principalmente na freguesia de Santiago de Bougado.

Evidentemente que esta revela-se como uma das faces do diamante por polir! Estou certo de que nenhum de nós, quando convida alguém a ir lá a casa, gosta de ter a sua habitação suja ou com um jardim descuidado. Portanto, na casa que é de todos esperava-se o mesmo!

A expansão do parque é, sem dúvida, o cerne deste diamante por lapidar! A sua essência só se concretizará plenamente quando o toda a “costa” ribeirinha do concelho for requalificada, a começar no limite com Santo Tirso e a terminar em Guidões, na fronteira com Vila do Conde. A meu ver, seria um projeto deveras arrojado e ousado se envolvesse também todo o Baixo Ave – Santo Tirso, V. N. de Famalicão e Vila do Conde – servindo-se das infraestruturas já existentes em Santo Tirso e na Trofa, potenciando-as ainda mais e ampliando-as em toda a corrente do rio neste território.

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Estaríamos a falar de um projeto regional, ímpar, enorme e de uma riqueza incalculável a vários níveis. Este traçado é complexo, mas não é impossível! Exige rasgo, exige visão, exige cooperação e, acima de tudo, vontade política!

Pedro Castro – São Martinho de Bougado
03-08-2020

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Memórias e Histórias da Trofa: O Ministro da Justiça na Trofa em 1904

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Decorriam os últimos dias do mês de maio de 1904 e a Trofa estava em alvoroço, porque iria ter a visita de gente ilustre, aquelas personalidades mediáticas que são capazes de alterar por completo as rotinas sociais da comunidade.

Uma pequena localidade entre Porto e Braga desenvolvia-se de forma estonteante, o comboio que tinha chegado há alguns anos permitia que se vivesse um grande crescimento económico e também social, o que fazia, obviamente, com que esse processo fosse capaz de chamar a atenção do poder central político.

O ilustre que iria visitar a Trofa na última semana de maio de 1904 era sua ex. Ministro da Justiça, Artur de Campos Henriques, que ocupava aquele cargo desde 7 de setembro de 1903.

Na prática, era ministro desde 1900, todavia tinha estado afastado dessas funções, entre julho e setembro de 1903, por questões meramente políticas e, rapidamente, iria retornar ao seu ministério.

A sua passagem pela Trofa iria ocorrer nas instalações da Estação do Caminho de Ferro, desconhecendo o destino final daquela ilustre visita, todavia, isso não foi impedimento para aquelas instalações ferroviárias estarem repletas de público, com muitos dos presentes a quererem ver aquela figura carismática do Governo Constitucional, atendendo a todo o seu passado político em que tinha sido Governador Civil, Ministro das Obras Públicas e, como prova do seu impacto mediático, em 1908, iria ser, inclusivamente, Presidente do Conselho que equivalia esse cargo na atualidade a Primeiro-Ministro.

Um portuense que ia dando cartas na política nacional e conseguia facilmente receber o reconhecimento do seu trabalho, iria ter uma enorme ovação na Trofa, com o povo presente a aproximar-se da carruagem em que ele viajava e prontamente fizeram vários vivas à família real, como também àquele ilustre.

Possivelmente, o destino da sua viagem seria Braga ou uma outra localidade minhota, fundamentando esta argumentação com a presença do Presidente de Câmara na Estação, como também a importante presença do secretário municipal. Caso o comboio seguisse para Guimarães, facilmente o Presidente da Câmara poderia contactar com aquela pessoa em território tirsense.

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A cobertura jornalística efetuada àquele momento não permitiu perceber muito mais pormenores sobre aquele acontecimento, apenas que estava presente um ambiente festivo, com grandes vivas à família real, vivendo-se um momento de euforia e raro naquela época, a visita de um Ministro a uma localidade, sobretudo, uma das figuras mais influentes do panorama político nacional.

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Ida à praia (parque I)

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Ajusto o despertador para as sete horas, a ideia é acordar cedo para aproveitar a melhor parte da praia, a manhã. Nunca percebi aquelas pessoas que chegam à hora do “cancro”, quando deveriam estar a sair para irem almoçar…QUE PAROLOS!

Parece que foi no momento a seguir a pousar a cabeça na almofada, que acordei com o primeiro de cinco toques do despertador! O primeiro, às sete, e o último, às oito. Dava perfeitamente para nos prepararmos, irmos tomar o pequeno- almoço e chegar cedo à praia.

O dia tinha acabado de começar e já achava que estava a correr demasiado bem, quando ao entrarmos no carro para irmos para a praia, e chegar cedo, a Cristina diz – Vamos passar só ali…fica a caminho.

A loja onde ela queria ir ficava a Este do sítio onde estávamos, quando queríamos ir para Oeste…mas estávamos com tempo…, é a grande vantagem de acordar cedo. Após esta deslocação fomos a mais um, e outro…e mais outro sítio, todos a caminho da praia e sem dar conta, já tínhamos percorrido todos os pontos cardeais, sem sair da Trofa!

Finalmente, tomamos a direção da praia e ao fim de meia hora estaciono o carro próximo de um passadiço que dá acesso ao areal. Quando olho para a esquerda, vejo várias pessoas a sair. “Estará vento?” – pensei eu, olhando para o céu a certificar-me se alguma gaivota estava a ser arrastada e de seguida espreito por cima do ombro, em direcção à bandeira, que além de verde, não se mexia!

  • É meio-dia. Quase que chegávamos de manhã! – Diz a Cristina.
    Quando ouço as horas, envergonhadamente, tapo a cara, para não ser visto, mas o António reconheceu a matrícula do carro:
  • Tudo bem, Calheiros? Vais para a praia?
  • Não, António! Só um inconsciente ia a esta hora para lá! Já vamos embora. – Respondo.

    Quinze minutos depois já tínhamos o para-vento e o guarda-sol montados e, sem grande demora, já estou a molhar os pés…a água estava gelada! O mergulho foi imediato e inevitável, depois de passar água pelas pernas, tronco e cara. Sempre desconfiei daqueles que vão molhar os pezinhos e recuam para o areal!
    Dou meia dúzia de braçadas e deixo-me estar a boiar. Ao sair da água, o ar natural que transmitia era desmentido pela pele de galinha e pela quase inexistência dos genitais…com calma dirijo-me para a minha toalha, onde me deito exposto ao sol, naquela hora em que ele é forte e faz mal…com urgência precisava de recuperar os meus órgãos…e adormeci, a Cristina já dormia!
    Quando acordo, desta vez sem nenhum toque de despertador, a praia já tinha recuperado aqueles que tinham saído ao meio-dia. Abro os olhos e senti-me como a acordar no meu quarto, mas cheio de estranhos, em que cada um pôde ficar a conhecer um pouco do meu íntimo, ou seja, a forma escarrapachada como durmo, se ressono ou não, se falo ou tenho tiques durante o sono…e aquela! Aquela que, de pé e em topless, chegava creme por detrás de um para-vento, também pensa agora que me babo a dormir, mas nesse caso foi apenas a reação ao vislumbre de um belo exemplar de mamas!
    Viro-me para o lado e a Cristina ainda dorme e baba-se. Olho para onde a cabeça dela está virada e, aliviado, vejo um rochedo! Quando olho para ela, outra vez, sinto os genitais e um sorriso denúncia que já os recuperei…

Como é bom aproveitar a praia, logo pela manhãzinha!

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