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Edição 723

Satélite que enviou imagens inéditas do Sol tem engenharia trofense

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A paixão com que Nuno Silva fala de todos os projetos em que esteve ou está envolvido é quase contagiante. Este trofense que, desde há muitos anos, está envolvido em importantes projetos de exploração espacial, viu, recentemente, um deles dar ao Mundo imagens nunca vistas do Sol.

O Solar Orbiter foi lançado em fevereiro, depois de um longo caminho de desenvolvimento, grande parte dele também palmilhado por Nuno Silva, envolvido neste projeto por três vezes.

Em entrevista ao NT, o engenheiro revelou que, para ele, “o dia mais importante” da missão nem foi aquele em que foi possível ver o satélite enviar imagens do Sol. Estando intimamente ligado à aviónica do satélite – sistemas elétricos, sensores, software de bordo, painéis solares, etc -, o período mais importante para o engenheiro foi o dia do lançamento e as primeira semanas. Atestados o comportamento do satélite no Espaço e a forma como conseguiu “tratar de si próprio”, o trabalho de Nuno Silva “é dado, quase, como terminado”.

O Solar Orbiter está habilitado para estar a uma distância do astro nunca antes conseguida: a 0,28 unidades astronómicas, mais perto do que Mercúrio, que está a 0,3. A Terra está a uma unidade astronómica. Mas, há mais uma característica que faz deste Solar Orbiter especial, e por isso um projeto “muito complexo”, que é a “dualidade de extremos”. “Ele vai muito perto do sol, onde está muito quente, mas também vai muito longe, onde está muito frio”, explicou. E por isso, tem com ele equipamentos, milimetricamente desenvolvidos, como painéis solares gigantes que absorvem energia solar para o abastecer em distâncias longínquas do sol e um escudo térmico de titânio, que protege o corpo do satélite quando este está perto da estrela.

Uma vez operacional, o satélite começa a “fazer ciência” e a recolher, então, os dados e as imagens do sol, que permitirão perceber alguns fenómenos relacionados com esta estrela. Por exemplo, numa “erupção solar”, será possível “relacionar” o que “se vê a acontecer no local com o que aconteceu no sol segundos antes”. Além disso, há outros equipamentos que permitem, entre outras coisas, “caracterizar o ambiente espacial” perto do astro, como “medir o campo magnético”.

Mas para que o Solar Orbiter pudesse estar, neste momento, a ter uma performance que tem dado que falar nos últimos dias, foram precisos anos de trabalho e muita dedicação.

Quis o destino – ou o mérito – que Nuno Silva fosse chamado, por três vezes, para se envolver no processo. Na última vez, em maio de 2019, calhou-lhe uma missão quase “hérculea”, mas que, com a contribuição de uma equipa com dezenas de pessoas e a “compreensão” da Agência Espacial Europeia, foi possível concretizar. “O lançamento foi em fevereiro deste ano, mas o satélite tinha de ser enviado em finais de outubro de 2019, inícios de novembro, cumprindo a condição de que ele estava qualificado. Quatro meses antes, ainda faltava fazer imensos testes, pelo que foi necessário reotimizar todos os processos. Para ter uma ideia, um teste, se correr bem, pode demorar um mês a ser feito. Nós tínhamos de fazer 40 em quatro meses, incluindo os relatórios”, explicou o engenheiro, que atribui o sucesso do trabalho “à equipa” que geriu.

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Mas a carreira de Nuno Silva também se faz de outros projetos de renome, como o Exomars, instrumento que tem como missão investigar a geologia de Marte e procurar provas de que existiu ou existe vida neste planeta. Depois de atrasos, que impediram lançamentos em 2018 e em 2020, a expectativa é que, agora, o equipamento possa ser lançado em 2022. Nuno Silva esteve, intimamente, ligado ao desenvolvimento deste projeto, no início da última década, abandonou-o e voltou a integrá-lo, mais recentemente, mas com funções diferentes.

Gestor de projeto da Deimos Engenharia, Nuno Silva tem também como missão desenvolver o projeto que sustenta a proposta da empresa para a construção do centro de lançamentos que vai nascer na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Foto: arquivo

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Memórias e Histórias da Trofa: O Ministro da Justiça na Trofa em 1904

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Decorriam os últimos dias do mês de maio de 1904 e a Trofa estava em alvoroço, porque iria ter a visita de gente ilustre, aquelas personalidades mediáticas que são capazes de alterar por completo as rotinas sociais da comunidade.

Uma pequena localidade entre Porto e Braga desenvolvia-se de forma estonteante, o comboio que tinha chegado há alguns anos permitia que se vivesse um grande crescimento económico e também social, o que fazia, obviamente, com que esse processo fosse capaz de chamar a atenção do poder central político.

O ilustre que iria visitar a Trofa na última semana de maio de 1904 era sua ex. Ministro da Justiça, Artur de Campos Henriques, que ocupava aquele cargo desde 7 de setembro de 1903.

Na prática, era ministro desde 1900, todavia tinha estado afastado dessas funções, entre julho e setembro de 1903, por questões meramente políticas e, rapidamente, iria retornar ao seu ministério.

A sua passagem pela Trofa iria ocorrer nas instalações da Estação do Caminho de Ferro, desconhecendo o destino final daquela ilustre visita, todavia, isso não foi impedimento para aquelas instalações ferroviárias estarem repletas de público, com muitos dos presentes a quererem ver aquela figura carismática do Governo Constitucional, atendendo a todo o seu passado político em que tinha sido Governador Civil, Ministro das Obras Públicas e, como prova do seu impacto mediático, em 1908, iria ser, inclusivamente, Presidente do Conselho que equivalia esse cargo na atualidade a Primeiro-Ministro.

Um portuense que ia dando cartas na política nacional e conseguia facilmente receber o reconhecimento do seu trabalho, iria ter uma enorme ovação na Trofa, com o povo presente a aproximar-se da carruagem em que ele viajava e prontamente fizeram vários vivas à família real, como também àquele ilustre.

Possivelmente, o destino da sua viagem seria Braga ou uma outra localidade minhota, fundamentando esta argumentação com a presença do Presidente de Câmara na Estação, como também a importante presença do secretário municipal. Caso o comboio seguisse para Guimarães, facilmente o Presidente da Câmara poderia contactar com aquela pessoa em território tirsense.

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A cobertura jornalística efetuada àquele momento não permitiu perceber muito mais pormenores sobre aquele acontecimento, apenas que estava presente um ambiente festivo, com grandes vivas à família real, vivendo-se um momento de euforia e raro naquela época, a visita de um Ministro a uma localidade, sobretudo, uma das figuras mais influentes do panorama político nacional.

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Ida à praia (parque I)

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Ajusto o despertador para as sete horas, a ideia é acordar cedo para aproveitar a melhor parte da praia, a manhã. Nunca percebi aquelas pessoas que chegam à hora do “cancro”, quando deveriam estar a sair para irem almoçar…QUE PAROLOS!

Parece que foi no momento a seguir a pousar a cabeça na almofada, que acordei com o primeiro de cinco toques do despertador! O primeiro, às sete, e o último, às oito. Dava perfeitamente para nos prepararmos, irmos tomar o pequeno- almoço e chegar cedo à praia.

O dia tinha acabado de começar e já achava que estava a correr demasiado bem, quando ao entrarmos no carro para irmos para a praia, e chegar cedo, a Cristina diz – Vamos passar só ali…fica a caminho.

A loja onde ela queria ir ficava a Este do sítio onde estávamos, quando queríamos ir para Oeste…mas estávamos com tempo…, é a grande vantagem de acordar cedo. Após esta deslocação fomos a mais um, e outro…e mais outro sítio, todos a caminho da praia e sem dar conta, já tínhamos percorrido todos os pontos cardeais, sem sair da Trofa!

Finalmente, tomamos a direção da praia e ao fim de meia hora estaciono o carro próximo de um passadiço que dá acesso ao areal. Quando olho para a esquerda, vejo várias pessoas a sair. “Estará vento?” – pensei eu, olhando para o céu a certificar-me se alguma gaivota estava a ser arrastada e de seguida espreito por cima do ombro, em direcção à bandeira, que além de verde, não se mexia!

  • É meio-dia. Quase que chegávamos de manhã! – Diz a Cristina.
    Quando ouço as horas, envergonhadamente, tapo a cara, para não ser visto, mas o António reconheceu a matrícula do carro:
  • Tudo bem, Calheiros? Vais para a praia?
  • Não, António! Só um inconsciente ia a esta hora para lá! Já vamos embora. – Respondo.

    Quinze minutos depois já tínhamos o para-vento e o guarda-sol montados e, sem grande demora, já estou a molhar os pés…a água estava gelada! O mergulho foi imediato e inevitável, depois de passar água pelas pernas, tronco e cara. Sempre desconfiei daqueles que vão molhar os pezinhos e recuam para o areal!
    Dou meia dúzia de braçadas e deixo-me estar a boiar. Ao sair da água, o ar natural que transmitia era desmentido pela pele de galinha e pela quase inexistência dos genitais…com calma dirijo-me para a minha toalha, onde me deito exposto ao sol, naquela hora em que ele é forte e faz mal…com urgência precisava de recuperar os meus órgãos…e adormeci, a Cristina já dormia!
    Quando acordo, desta vez sem nenhum toque de despertador, a praia já tinha recuperado aqueles que tinham saído ao meio-dia. Abro os olhos e senti-me como a acordar no meu quarto, mas cheio de estranhos, em que cada um pôde ficar a conhecer um pouco do meu íntimo, ou seja, a forma escarrapachada como durmo, se ressono ou não, se falo ou tenho tiques durante o sono…e aquela! Aquela que, de pé e em topless, chegava creme por detrás de um para-vento, também pensa agora que me babo a dormir, mas nesse caso foi apenas a reação ao vislumbre de um belo exemplar de mamas!
    Viro-me para o lado e a Cristina ainda dorme e baba-se. Olho para onde a cabeça dela está virada e, aliviado, vejo um rochedo! Quando olho para ela, outra vez, sinto os genitais e um sorriso denúncia que já os recuperei…

Como é bom aproveitar a praia, logo pela manhãzinha!

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