Conferência S. Vicente de Paulo de Santiago de Bougado promoveu um almoço, que reuniu 600 pessoas. Entre elas estavam “cem famílias” carenciadas.

À mesa estavam famílias necessitadas e outras confortáveis do ponto de vista financeiro. No entanto, não estavam diferenciadas. Todas juntas, todas iguais. Foi esse o objetivo da Conferência S. Vicente de Paulo de Santiago de Bougado, que reuniu 600 pessoas num almoço que aconteceu na cave do edifício sede da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Trofa, no domingo, 15 de dezembro.

Entre os participantes, “cem famílias” são carenciadas e, por isso, não pagaram o almoço, mas espalhavam-se por entre as outras, saboreando o cozido e a sobremesa composta por bolo-rei, pão de ló e fruta. “Foi um desafio, porque queríamos fazer o almoço sozinhos. Sabíamos que a parte logística ia ser complicada, mas as mesas estão muito bonitas e correu tudo bem”, frisou Júlio Paiva, presidente da Conferência.

O responsável adiantou que teve de “recusar pedidos para o almoço”, uma vez que o espaço “estava lotado” e que a atividade também era uma forma de “agradecer às empresas, Junta de Freguesia e Câmara, que apoiam a conferência ao longo do ano”. “Também tenho de agradecer à Associação Humanitária, na pessoa do presidente Pedro Ortiga, que nos cedeu o espaço”, acrescentou.

Outro dos intuitos do almoço era “sensibilizar o concelho para a necessidade da solidariedade”. “Por vezes, quando estamos bem, pensamos que a outra pessoa se irá safar de alguma forma, mas não é assim. Há muita gente a passar mal. Há dias tive conhecimento de casos muito complicados, em que o valor da prestação da casa é superior ao ordenado. No entanto, no passado, quando contraíram o empréstimo, os dois cônjuges trabalhavam e recebiam ordenados mais elevados, suficientes para a prestação. Não conseguimos dar resposta a esses casos, apenas podemos ajudar com cabazes ou com o pagamento de parte das prestações, mas eles têm que as pagar durante mais 30 a 40 anos”, relatou.

Júlio Paiva considera que este almoço “é a única iniciativa no concelho que junta pessoas que necessitam e que não necessitam”. “Aqui somos todos iguais, é este o verdadeiro espírito de Natal. Não é preciso ir para longe, basta a comunidade querer apoiar as instituições que, efetivamente, trabalham no terreno, como é o nosso caso”, concluiu.