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Edição 452

“Heranças” do passado debatidas na Assembleia de Bougado

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As “heranças” do passado foram o tema dominante da primeira sessão ordinária da Assembleia de Freguesia de Bougado (S. Martinho e Santiago), realizada na noite de segunda-feira.

Luís Paulo, presidente da Junta de Freguesia, afirmou que o executivo “herdou duas situações muito diferentes”, em que Santiago apresentava “todas as faturas pagas e informação adequada” e que em S. Martinho havia “uma dívida e falta de liquidez para o pagamento de salários para novembro, dezembro e janeiro”.

Em contraponto, José Sá, eleito na Assembleia pelo PS e presidente antecessor, interveio para afirmar que Luís Paulo “ainda não esclareceu, de uma só vez, sobre qual a situação financeira da Junta de Freguesia de S. Martinho” e quis “esclarecer” que “é verdade que na altura das eleições a dívida baixou de 300 mil para 100 mil euros”. “No 21 de outubro, a dívida era de 60 mil euros e nessa altura eu expliquei-lhe onde estava o dinheiro para liquidar essa verba. Onze mil euros estavam em conta corrente, 13 mil euros estavam aprovados no Programa de Apoio à Economia Local, sendo apenas necessário levantá-los na Câmara, cerca de cinco mil euros estavam na cobrança de expositores da Feira Anual de 2013 e 30 mil estavam num pedido de subsídio à autarquia”, frisou.

Em resposta, Luís Paulo afirmou que o anterior executivo “pagou 207 mil euros entre o dia das eleições e a tomada de posse” e que parte do valor liquidado foi conseguida através da “venda ilegal” de “nove campas” do cemitério “dois ou três dias antes da tomada de posse”. O autarca alega que, em período de gestão, o executivo não poderia vender património e que, entretanto, já no novo mandato, conseguiu “negociar” para que “seis” sejam devolvidas. O presidente da Junta afirmou ainda que, posteriormente à tomada de posse “já chegaram contas” como “um contrato com a AEBA de quatro mil euros e um outro de 2500 para o responsável do posto de transformação eletrica na feira”. “O presidente de Santiago deixou-me a totalidade do FFF (Fundo de Financiamento das Freguesias) e um saldo de 35 mil euros e o senhor José Sá, do FFF, não deixou dinheiro para pagar sequer um mês de vencimentos”, acrescentou.

Sobre a concessão das nove campas, José Sá desafiou o executivo: “Se entende que vendi ilegalmente, processe-me. Eu sei o que fiz e procedi em conformidade. Vendi para pagar faturas da Junta”. O socialista afirmou ainda que, sobre o FFF, “só tinha o dever de deixar 50 por cento do valor”.

Ainda no que se refere às finanças da Junta, Luís Paulo adiantou que a Junta “suspendeu todos os contratos em vigor” para “ajustar à nova realidade administrativa” e “conseguir poupanças significativas”. O objetivo, acrescentou, é que “o pagamento de qualquer compromisso assumido por este executivo seja feito no prazo máximo de 15 dias”. “Fomos a casa dos fornecedores a quem devíamos e estabelecemos um plano de pagamento que, somados muitos casos, nos levou a poupar muitos milhares de euros ao cofre da Junta de Freguesia”, frisou.

Centro Cívico de Santiago “não está esquecido”

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Questionado por José Sá sobre a não realização da tradicional festa popular para assinalar o S. Martinho, o presidente da Junta explicou que o executivo entendeu não organizá-la “por uma questão de poupança” e pela “falta de tempo”, garantindo que vai “retomá-la” no futuro.

Já sobre o apoio à Escola Passos de Dança, que saiu das instalações da Junta de Freguesia, assunto também abordado pelo socialista, Luís Paulo referiu que “não tem condições” para aceder ao pedido da professora que, “em carta, afirmou que não tem condições compatíveis com o crescimento” do projeto.

Antes da ordem do dia, Jerónimo Torres, do PS, questionou o executivo sobre o que pretende fazer quanto à construção Centro Cívico de Santiago, desafiando-o a “interceder junto da Câmara para fazer a expropriação do terreno” indicado para o projeto, situado nas traseiras da Igreja Matriz, na Lagoa.

Luís Paulo garantiu que já falou “com o professor Azevedo (autarca anterior)” e que o assunto “não está esquecido”.

Vera Araújo, independente, eleita nas listas do PS, solicitou ao presidente que elucidasse a assistência sobre a situação financeira da Junta de Freguesia, mas Luís Paulo remeteu esclarecimentos sobre as contas “para a Assembleia de abril”.

Quando confrontado por José Sá, o autarca reconheceu o “descuido” da Junta no tratamento dos jardins da Urbanização da Barca, cuja “relva ou erva ficou queimada devido ao herbicida”. “Assumimos o erro e agora o que nos resta é pôr como estava”, asseverou.

Já na apresentação do Plano de Atividades para 2014, Luís Paulo esclareceu, depois de interpelado por Jerónimo Torres, que pretende “reconstruir” um passeio na Rua Aldeias de Cima, “desde a casa da família Vila Nova até à loja dos móveis”, e na Rua 16 de Maio, na Estrada Nacional 104, “desde o café Convívio à farmácia”.

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José Sá quis saber para quando a realização da obra na Rua Aires Bandaria, afirmando que “já existe projeto de execução e um pedido de subsídio de 30 mil euros aprovado na Câmara”. O presidente da Junta respondeu que “não” tem conhecimento “do subsídio”, mas que vai “fazer a obra”, mas “não por 30 mil euros”, considerando que “é muito dinheiro”.

Colocado à votação, o Plano de Atividades foi aprovado com oito votos a favor do PSD e quatro abstenções do PS.

 PS contra aumento do preço da venda de sepulturas

As taxas e licenças foram aprovadas pelo PSD, mas mereceram o voto contra dos elementos do PS, que não concordam com a subida do preço, de 2500 para dez mil euros, da venda de sepulturas no cemitério de S. Martinho. Miguel Costa, secretário da junta, argumentou que a medida visou “ajustar os preços com os são aplicados em Santiago de Bougado” e que “o objetivo não é vender sepulturas, num cemitério com alta taxa de ocupação”.

O orçamento e Plano Plurianual de Investimentos foram aprovados pela maioria social-democrata, enquanto o PS se absteve. A Junta de Freguesia estabeleceu um orçamento de 1,2 milhões de euros para 2014, com previsão de receitas correntes de 803.685 euros e de capital de 402.094 euros. Nas despesas correntes, o executivo tem intenção de aplicar 714.686 euros e em capital 491.093 euros.

No período de intervenção do público, Daniel Lourenço questionou Luís Paulo sobre que “contrapartidas” a Junta de Freguesia teve ao ceder à autarquia o polo 2 (antiga Junta de Freguesia de Santiago) à empresa municipal Trofa-Park. O autarca respondeu que cedeu “sem qualquer contrapartida”, já que “tinha dois gabinetes vazios”. “Aqui não há nós junta e vós Câmara. Estamos juntos no desenvolvimento da freguesia e do concelho”, sustentou.

Questionado por Luís Pinheiro, o presidente informou ainda que a remoção do pontilhão, junto à EB 2/ Prof. Napoleão Sousa Marques, e a resolução do problema do entroncamento, perto da ponte sobre o Rio Ave, são medidas que estão “no plano de atividades para 2014”.

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Luís Paulo referiu-se ainda à limpeza do silvado junto ao riacho existente nas traseiras da EB 2/3 Prof. Napoleão Sousa Marques, afirmando que “ali estava um problema sério de saúde pública”.

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Edição 452

Jovem de S. Romão lança livro com “testemunhos e reflexões pessoais”

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Com 19 anos, Emanuel António Dias decidiu escrever “reflexões pessoais para dar a ver ao Mundo que, às vezes, nem sempre tudo tem que ter uma razão, que nem sempre tudo tem que fazer sentido e, ao mesmo tempo, mostrar que cada um de nós tem uma história que deve ser partilhada”. O jovem residente em S. Romão do Coronado vai lançar o livro “Porque nem tudo faz sentido…” a 5 de janeiro de 2014, às 17 horas, na Junta de Freguesia do Coronado .

A obra surgiu a partir dos textos escritos no blogue pessoal (www.porquenemtudofazsentido.blogspot.pt), que “começaram a ter algum sucesso”. “Depois de mais de 11000 visualizações e de incentivo de vários amigos decidi aventurar-me a transformar o blogue num livro de testemunhos e reflexões pessoais. Foi então que depois de ter enviado alguns emails para várias editoras, que recebi uma proposta da Chiado Editora para fazer a edição de um livro”, contou ao NT.

Na sinopse da obra, Emanuel António Dias refere que “reflexivo, calmo, mas também intempestivo, este livro leva-nos a refletir e a perceber que há muitas coisas importantes na nossa vida”. “Iremos perceber com ele que há diversos aspetos aos quais não damos o devido valor, mas que ainda estamos a tempo de valorizar”, frisa ainda.

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Edição 452

Natal 2013 – Mensagem do padre Alberto Vieira

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Aproveito este meio de comunicação da nossa terra para saudar todos e cada um de vós.

Nestes dias festivos as saudades da terra são maiores, mas a alegria de estar no lugar onde se contribui para um mundo novo com valores novos do Evangelho animam a minha presença nesta terra de Moçambique onde cheguei, pela primeira vez, em 1989.

 

Maia é aquela que sabe transformar um curral de animais na casa de Jesus, com uns pobres paninhos e uma montanha de ternura.

É a Mãe do Evangelho vivente!

Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja.

PAPA FRANCISCO, Ex. Ap. Evangelii Gaudium (286-288)

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Natal 2013

Amados irmãos e irmãs. Queridos/as amigos/as

De novo estamos no Natal.

O tempo é sempre de vida e de VIDA em abundância, tanto humana (Natal) como divina (Páscoa).

Mas aqui em Moçambique os sinais de morte insistem em manifestar-se. O povo e a igreja lutam pela paz. Mas os grandes deste país teimam em resolver as diferenças pelas armas.

Neste momento de dor, angustia e desespero do povo moçambicano causado pelo regresso à guerra no país, queremos unir a nossa voz à voz do povo que clama pela paz e respeito da vida (Bispos de Moçambique).

Como sabem cheguei a Moçambique em 1989 durante a grande guerra civil. Depois das lágrimas rejubilei com a paz alcançada em 1992.

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Experimentei guerra, paz e de novo guerra. Por isso faço minhas as palavras dos bispos de Moçambique: Exigimos que parem imediatamente toda a forma de hostilidades, confrontos armados e que se reabra o caminho do diálogo. O mesmo deve ser sincero e efetivo.

Só na paz e com paz se experimenta o Natal de Jesus, o Emanuel, (Deus connosco). Vivamos em paz e não nos cansemos de lutar por este dom divino para todos os povos e pessoas.

É dentro desta esperança que partilho convosco mais uma experiência de missão.

Hoje fui visitar a comunidade de Santa Clementina Anwarite de Nimama. Deveria levar o Nissan mas, não foi possível. Os meus irmãos, no regresso de Nampula, onde tinham ido com aquele carro, tiveram imensa sorte em cá chegar.

Assim logo na manhã de ontem viu-se uma mola partida, e de que maneira! Fez-se a reparação até perto das 15.00h. Só depois disso se descobriu também que o veio de ligação estava mesmo para cair. Se tal tivesse acontecido na viagem ficariam no caminho sem hipótese de reparação no local. Tentou-se reparar durante o dia de ontem mas não se conseguiu. Hoje foi-se fazer o serviço com um mecânico daqui de Ribaué. Só se terminou no final do dia.

Assim por causa da avaria do carro fui a Nimama numa mota alugada. Veio o Jak Lino a acompanhar-me. Levou-me 500,00 mts. Eu ofereci-lhe ainda a galinha que me deram como oferta da comunidade. Porém valeu a pena.

Na ida ainda fui a pé todo o percurso do costume quando vou de carro. Fiz isso para acompanhar o animador da zona de Mwaliwa e os cristãos da comunidade que vieram esperar-me. Acompanharam-me com os cantos de boas vindas ao longo de todo o percurso. No regresso, como o Jak tinha conseguido chegar até à capela, vim diretamente de mota até casa. Assim não tive de fazer o percurso de 35 minutos a pé como seria normal quando vou de carro. Neste caso tenho de o deixar antes do rio, na casa de um catequista para que esteja em segurança.

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Durante as confissões lá em Nimama aconteceu uma coisa linda. Algo digno do Natal que se avizinha!

Aqui é normal, as mamãs virem confessar-se com as crianças às costas. Pois uma mamã tinha às costas a sua criança. Penso que com cerca de 2 anos. Enquanto a mamã se confessava a criança controlava o padre. E de que modo…! Estava sempre com os olhos fixos em mim. Depois quando chegou o momento de eu falar para a mãe ela fixou-se ainda mais atentamente, e sem medo, em mim.

No momento em que, para a absolvição, eu estendi as mãos sobre a cabeça da mamã, ele, fez o mesmo. Colocou as suas mãos na cabeça de sua mãe.

Que lindo sinal cristão realizou esta criança!

Viva a Missão!!!.

Um abraço de gratidão e amizade para todos/as.

Santo e alegre Natal e melhor ano 2014 cheio de Deus!

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Vosso, fraternalmente, Alberto Vieira, mccj

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