O Grupo de Jovens de S. João Batista de Guidões organizou na noite de domingo, 24 de março, uma via-sacra nos cruzeiros junto à Igreja da freguesia.

 Antigamente, no tempo da Quaresma não se cantava ou dançava. Apenas se podia entoar temas religiosos ou ligados à religião e época em que se vivia. Exemplo disso é o Cantar dos Martírios, que retrata o sofrimento e a agonia de Cristo na cruz. Foi aí que Manuel Oliveira se inspirou para escrever uma via-sacra intitulada “Caderno da via-sacra em versos” e que serviu de base para a organização da cerimónia pelo Grupo de Jovens de S. João Batista de Guidões.

Contrariamente à celebração do ano passado, o Grupo de Jovens organizou a via-sacra pelos cruzeiros junto à Igreja de Guidões, onde se ouvia a recitação de “quadras alusivas a cada estação”. “Tudo o que seja poesia cativa as pessoas e o ser em quadras populares ajuda um bocado na interiorização. Então em cada um dos cruzeiros o povo para e vai interiorizando aquelas quadras e visualizando aquilo que se está a passar”, contou o pároco da freguesia, José Ramos.

Esta cerimónia marcou a “inauguração dos cruzeiros” e serviu de “homenagem a Manuel Oliveira”, guidoense já falecido “há muitos anos” e autor das quadras que foram proferidas por António Sousa, responsável pela agenda cultural da Câmara Municipal da Trofa, no decorrer da via-sacra.

Segundo Rita Maia, representante do Grupo de Jovens, a ideia de fazer uma via-sacra em versos surgiu o ano passado, pelo padre José Ramos, mas como já era “muito em cima da hora” e já tinham “tudo mais ou menos planeado”, optaram por fazer este ano.

Para a representante do grupo, a organização foi “mais fácil” do que em anos anteriores: “Como tínhamos o texto, foi uma questão de vermos as estações e acrescentarmos a Ressurreição no final. Optamos por fazer uns cenários simples, porque o centro da freguesia não precisa de muitos cenários e para as pessoas meditarem naquilo que estavam a ouvir. Só colocamos uns panos para embelezar um bocadinho e luzes para iluminar o caminho de Cristo”.

Na opinião de Rita Maia, a via-sacra foi “diferente para melhor”, pois as pessoas “meditaram no que estavam a fazer”. A responsável agradeceu ainda o trabalho desenvolvido por António Sousa, que foi “incansável” na gravação do CD, em “apenas duas semanas”, utilizado para a recitação durante a via-sacra, uma vez que “não pôde estar presente devido a problemas de saúde”.

José Ramos elogiou ainda as quadras de Manuel Oliveira: “Ele era um homem do campo, simples, mas muito culto, tendo redigido com o seu saber, cultura e visão”.

Para Bernardino Maia, presidente da Junta de Freguesia de Guidões, foi “uma surpresa muito agradável” a “inauguração” dos cruzeiros, depois de a Junta ter colocado os que faltavam para a realização de “uma via-sacra completa”. Além disso, estava “muito orgulhoso” pela homenagem que foi prestada a Manuel Oliveira pelo Grupo de Jovens. “Esta teve um significado muito próprio, de uma homenagem a uma pessoa da freguesia e o significado muito forte do bairrismo e das virtudes da população. Isto feito pela imaginação própria do Grupo de Jovens, deixou-me surpreso”, concluiu.