Numa sessão pública, que decorreu no sábado, dia 23 de março, o núcleo da Trofa do Bloco de Esquerda discutiu a importância dos serviços públicos e anunciou que vai concorrer às autárquicas.

 Quase um ano depois de se apresentar à população, o Bloco de Esquerda (BE) prepara-se para concorrer às eleições autárquicas na Trofa. A ponta do véu foi levantada por Gualter Costa, coordenador concelhio BE da Trofa, em declarações ao NT e à TrofaTv, à margem da sessão pública que o núcleo concelhio do partido promoveu, para discutir os serviços públicos de proximidade, numa sessão que decorreru no sábado, no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.

Gualter Costa adiantou que a concelhia está “a ultimar” o seu projeto autárquico, avançando que, “em princípio”, o Bloco de Esquerda vai concorrer à Câmara e à Assembleia Municipal e muito provavelmente a “algumas juntas de freguesia”.

João Teixeira Lopes, dirigente nacional do BE, foi um dos oradores da sessão e não se escudou a falar da importância de o partido estar representado no concelho da Trofa. “Como é um concelho emergente e que tem tido protagonismo no mapa da região do Porto, é necessário que o BE esteja presente para ser uma voz que incomode o poder, defenda as populações e que nunca fechará os olhos perante situações de corrupção e de compadrio. Creio que para a democracia local e para a Trofa, o BE será mais um contributo e um contributo muito vivo e provavelmente decisivo”, sustentou.

Para além deste anúncio, o núcleo da Trofa do BE discutiu a “importância dos serviços públicos” para a comunidade, bem como para “a dinamização da economia local”. A intervenção de João Teixeira Lopes visava dar “algumas luzes” de como a concelhia do partido devia “orientar o projeto autárquico para suprimir a falha de serviços públicos que existem no centro da Trofa”.

Durante a sua intervenção, Gualter Costa, delineou “as linhas mestras do projeto do Bloco na Trofa”, seguido de uma “pequena visita guiada” pela Trofa, através de fotografias, através das quais mencionou que o centro da cidade é o local onde se tem que “atuar urgentemente, para salvar o comércio, que está a ficar decadente, e para o salvar da fuga de pessoas”.

No momento em que confrontou o “perímetro do centro da Trofa com a oferta de serviços públicos atualmente existentes”, Gualter Costa verificou que “praticamente não existem” e que esta situação está relacionada com “a degradação do centro”, tendo feito ainda “uma pequena comparação” entre a oferta de serviços públicos da periferia e a do concelho da Trofa.

O “desemprego na Trofa” também não foi tema esquecido: “Fiz uma comparação da taxa de desemprego da Trofa com a taxa de desemprego dos concelhos vizinhos, para realçar a importância dos serviços públicos também na criação de emprego”.

E como o tema da sessão versava sobre os serviços públicos, a vinda do Metro para a Trofa também esteve em destaque. Gualter Costa salientou que o Metro “sempre foi e será uma prioridade” para o BE, recordando que na Assembleia da República o partido apresentou um projeto que previa “a adjudicação imediata” e que foi reprovada pelo PSD e CDS. “Na altura, o PSD entendeu que não era economicamente viável. Nós entendemos que é e inclusive já apresentamos na Assembleia Municipal uma proposta de expansão do traçado do Metro até junto do Parque das Azenhas, para servir a Mabor, que é um dos maiores empregadores nacionais com milhares de trabalhadores, sendo uma boa fonte de passageiros para o Metro. Achamos que essa extensão de 400 ou 500 metros não tem grandes custos e serviria muito melhor a Trofa, sendo também um argumento para contrariar o economicista que nos impede de termos este meio de transporte”, explicou.

As acessibilidades do concelho da Trofa foi outro ponto abordado pelo coordenador concelhio, que “propôs” que se fizessem “duas travessias de proximidade”: uma “junto à antiga Mabor”, outra “junto a essa estação do Metro” e outra “junto à Ricon”, de modo a “não tirarem o trânsito do centro”, mas sim a “dispersá-lo”. “Comparado com os custos da variante que está projetada, são 200 milhões de euros, parecem-me ser um bocado inexequíveis na atual realidade”, declarou.

A concelhia da Trofa do BE defendeu ainda “a manutenção das estradas” e a “iluminação noturna total das três estradas que atravessam o concelho”, para que, além de terem um “bom piso”, proporcionem “boas condições de segurança e circulação”.

 

Cidadãos “devem ser ouvidos” nos grandes projetos

O dirigente Nacional do BE, João Teixeira Lopes, também esteve presente na sessão pública, onde falou sobre a importância da participação dos cidadãos nas decisões políticas. Para João Teixeira é “importante” que as pessoas “sejam ouvidas” quando, por exemplo, existe “um grande projeto que vai modificar uma cidade” e que “quem está numa câmara municipal” explique “pormenorizadamente o impacto que o projeto vai ter e o que vai mudar na vida das pessoas”, para que estas se “possam pronunciar”. “A sua opinião depois é ouvida e pode servir para alterar os projetos. Porque os técnicos, nos seus gabinetes, muitas vezes não sabem o que se passa no terreno e na vida das pessoas. Por isso, temos de ter essa flexibilidade para escutar atentamente e saber incorporar críticas”, denotou.

Quanto ao orçamento participativo jovem, dinamizado pela autarquia trofense, o dirigente nacional frisou que este devia ser “mais alargado”, dando a “possibilidade às pessoas de decidirem quais são as prioridades do investimento”.