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Edição 696

Verdades que incomodam

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Nos tempos atuais, as notícias são veiculadas às pessoas através de meios diversificados entrando em catadupa pelas nossas casas, em formatos variados e provenientes de diversas fontes, com o intuito de informar e divulgar um acontecimento ou um pensamento, mas também, muitas vezes, com o objetivo de moldar a nossa vida e a sociedade em que vivemos. Entre a mentira e a verdade, muitas pessoas preferem ouvir as mentiras que são muito mais doces do que as verdades que incomodam e são muitas vezes amargas e até nos abalam.

Afirmar as nossas convicções ou dizer a verdade é o caminho escorregadio para se criar inimigos, mas a verdade tem que ser dita, mesmo para quem não gosta ou não acredita. A verdade pode ser dita de formas muito diferentes, mas tem de ser mesmo verdade, pois se não for perdem-se os laços e as bases da confiança. Talvez seja este um dos motivos porque há um distanciamento entre as pessoas e os políticos e também uma descrença na política.

A verdade pode magoar, mas não pode ser escondida por muito tempo e tem o poder de transformar a sociedade e a vida das pessoas, mas também tem a missão de incomodar, de abanar, de ajudar as pessoas a rever a sua verdade, sem implicar qualquer capitulação da inteligência, muito menos da cidadania. A essência da verdade é a liberdade, por isso aqui digo algumas verdades, que nos tentam escamotear e que gostaríamos que fossem mentiras.

Os políticos atuais fazem leis para aumentar os impostos para o povo, mas também fazem leis para aumentar muito os subsídios para os partidos políticos de onde eles emanam. São os mesmos políticos que arrastam o país para o afundamento e que fazem leis para se reformarem aos 50 anos ou menos, mas também fazem leis para o povo se reformar aos 70 anos.

Embora a corrupção exista nos mais diversos setores de atividade é no exercício de funções públicas, onde ela mais se faz sentir e mais se alastra, o que faz minar a confiança das pessoas nas instituições, até porque a justiça tarda em chegar. O regime necessita, com urgência, de uma regeneração ao nível do seu poder executivo, legislativo e judicial, com o objetivo de combater eficazmente a corrupção e levar o país para um futuro com pujança e muita esperança.

O primeiro-ministro, com o seu estilo matreiro, promete obras para daqui a 5 anos ou mais, mas também promete para a próxima legislatura aumentos para os funcionários públicos e aumentos significativos para os quadros superiores da função pública, obviamente a pensar numa maioria absoluta perniciosa, nas próximas eleições legislativas. Pode assim sonhar, até porque passou incólume pelo governo “socrático”; tem recusado tirar ilações políticas e humanas da tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande; não ficou beliscado no episódio rocambolesco e caricato do roubo das armas no quartel em Tancos; passa ao lado dos cortes na saúde e no ensino, na manipulação dos números do défice e no aumento exponencial da dívida pública.

O país que está a colapsar, desindustrializou-se, não sabe o que quer ser daqui a duas décadas, não tem uma estratégia bem definida para deixar de viver à custa de subsídios e de empréstimos que continuam a aumentar assustadoramente a nossa dívida pública. A solução está no crescimento da economia, só que desde o início do século começámos a ter dificuldade em acompanhar os ritmos de crescimento europeus e já fomos ultrapassados por diversos países, correndo até o risco de ser o país mais pobre da União Europeia.

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Quando olhamos para a equipa de políticos que enviou o país para a bancarrota em 2011 vamos encontrar muitos deles sentados na cadeira do atual poder, só que nunca se fala do seu passado ou até nos querem fazer crer que são impolutos. O legado que estes políticos deixaram aos nossos vindouros foi um presente envenenado e um futuro hipotecado, por isso cai sobre todos nós a responsabilidade de construir um país melhor e mais justo, um país decente e competente, um país sem corrupção nem mordomias, um país do qual nos possamos orgulhar.

moreira.da.silva@sapo.pt
www.moreiradasilva.pt

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Imigração na Trofa com sotaque canarinho

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Todos com histórias diferentes, mas que levaram ao mesmo destino: a Trofa. Perante a crescente migração de cidadãos brasileiros para Portugal nos últimos anos, O Notícias da Trofa foi à procura de alguns que se instalaram na Trofa, em busca de uma vida melhor.

“Na favela é assim: não podemos ter olhos, ouvidos e língua. Se assim não for, podemos pagar com a nossa própria vida. Se por acaso virmos alguma coisa de muito má, como alguém matando uma pessoa, o melhor é virar a cara e fugir o mais rápido possível, porque os bandidos vêm atrás e dizem que vamos contar para a polícia e então para não correrem riscos matam-nos e à nossa família”. O retrato cru e cruel é de quem ao longo de 30 anos viveu, de perto, os perigos de viver no interior de uma favela, em plena Bahia, no Brasil.

Cristiane Jesus sentiu na pele a violência que caracteriza os bairros de lata da nação canarinha, mas que se estendem “aos bairros chiques”, como contou em entrevista ao NT.

Um dos episódios mais assustadores que esta brasileira viveu permanece marcado na memória: “Uma vez, uns bandidos pequenos, crianças de seis e sete anos, passaram a avisar que ia dar o toque de recolher à noite. Esse toque são tiros para o ar que avisam que vai haver guerra na favela, entre grupos rivais”, relembra. Como às sete da noite não houve nada, Cristiane e a mãe foram para a varanda de casa para rezar o terço, pensando que aqueles meninos queriam apenas assombrá-las.

“Só que, quando eu estava sentada de frente para a minha mãe e ela me deu um sinal para eu não olhar para trás e ficar calma. Só que eu não percebi e olhei para trás. Ali estavam uns sete bandidos, com caras de monstros, apontando as armas para nós. Nessa hora, eu deitei no chão e a minha mãe manteve-se como uma estátua, porque, caso contrário, eles poderiam achar que ela estava a esconder o que eles procuravam”.

Seguiram-se momentos de tensão. Medo. Pânico. Rajadas de tiros que duraram dez minutos. Dez minutos que pareciam uma eternidade.

Esta e outras situações de violência, aliadas à uma situação financeira frágil, que fizeram Cristiane atravessar o oceano e parar em Portugal.
Aos 34 anos, luta por uma vida melhor, para conseguir buscar duas filhas, de 11 e nove anos, – a mais nova, de sete anos, reside com o pai – e dar-lhes “paz, melhor educação e uma vida mais feliz”. “Dar-lhes a oportunidade de,por exemplo, ir ao McDonald’s, um sonho para elas”, contou.

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“Por mais que a minha família não quisesse, eu vim. Comecei a juntar dinheiro para, pelo menos, conseguir fazer uma casa fora da favela para a minha mãe e para a minha irmã”, contou.

Começou por viver no Algarve, mas acabou por assentar arraiais na Trofa, onde vive há 2 anos, dividindo casa com um belga e um brasileiro.

Deste lugar elogia “a calma”, tendo conseguido ingressar num curso de inglês e encontrado também um local de trabalho, onde se sente feliz, um salão de beleza que, quis o destino, é também poiso profissional de outro brasileiro, imigrante bem mais recente.

Vida perfeita… até à eleição de Bolsonaro

Desde outubro em Portugal, Thyago Sequeira, natural de Brasília e ex-residente do Rio de Janeiro, garante que tinha uma “vida perfeita” em terras de Vera Cruz… até à eleição de Jair Bolsonaro. “Não queria viver num país que ia sofrer com privação de direitos e outros aspetos negativos para o cidadão. Um governo de extrema direita é sempre prejudicial. Por isso, decidi sair”, contou.
Cabeleireiro há 18 anos, formado em Letras, Thyago, de 33 anos, relembra os primeiros momentos da política pré-eleitoral, quando “parecia uma piada” que Bolsonaro pudesse vencer as eleições, mas o caso tornou-se sério, quando o atual presidente chegou à segunda volta, altura em que começou “a arquitetar a minha vinda para cá”. Nessa altura, e num espaço de um mês, foi assaltado “seis vezes” e, na última, foi “espancado”.
“Só avisei a minha família três dias antes de viajar. Eu sabia que eles não me iam dar força, mas para minha surpresa, quando lhes falei, eles reagiram bem”, referiu.

Em Portugal, à sorte que teve em arranjar emprego, teve em troca a dificuldade de adaptação à alimentação, que ainda permanece um obstáculo. Assim como “o valor das rendas”.

Habituado a uma área que, no Brasil, está bastante evoluída, Thyago também considera que, em Portugal, os serviços de beleza se pagam “muito barato” e que os consumidores “não são instados ao consumo”.

Em contrapartida, a hospitalidade das pessoas é uma característica que o brasileiro mais aprecia na comunidade onde agora está inserido. “A Trofa é um lugar calmo, bucólico, é bom para se viver, mas infelizmente tem poucos transportes públicos, o que dificulta as deslocações”, aponta.

A Trofa e o autocarro que demora a chegar

João Victor também chegou à Trofa há pouco tempo e não emigrou por causa de Bolsonaro, aliás é acérrimo apoiante do presidente brasileiro e conta que chegou a prestar-lhe “serviço como segurança”. Acredita que, sob a sua gestão, o país pode “melhorar” e tornar-se, de novo, apetecível para viver, mas enquanto isso não acontece, vai trilhando caminho por terras de Camões, em busca de “melhor educação, serviços de saúde e mais segurança”.

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Com 27 anos, concretizou um projeto “de anos”. Chegou a Lisboa, mas como não tinha “a documentação necessária para trabalhar”, aproveitou a “oportunidade” de arranjar uma residência na Trofa, onde ainda está a aprender a conviver com uma nova realidade.

“Eu pesquisei muito, mas acabei por me surpreender na mesma. O brasileiro já fez muita porcaria cá e, às vezes, as pessoas que querem fazer a vida de forma correta acabam pagando um preço que não é delas. Percebi que sofremos algum tipo de preconceito. Não posso dizer que me habituei, totalmente, a Portugal, mas estou na etapa final da minha legalização”, afirmou.

João Victor pretende, logo que tenha o “visto de residência”, visitar a família no Brasil e voltar para “procurar algo melhor” profissionalmente. Formado em direito no Brasil, João Victor tem trabalhado num espaço de restauração, enquanto não consegue cumprir toda a burocracia necessária para “obter a equivalência do diploma”.

Sobre a Trofa tem uma visão um pouco negativa. “Como muitos falam, a Trofa é como se fosse uma aldeia, quando comparada com outras zonas vizinhas, como a Póvoa e Vila Nova de Famalicão. Quando cheguei a essas cidades, tive uma impressão completamente diferente, talvez porque dependo de transportes. Às vezes quero viajar num comboio, mas para isso preciso de um autocarro, que demora a chegar e me deixa num ponto em que me obriga a fazer o resto do caminho a pé. Ainda não me conseguir adaptar à Trofa”, relatou

Por isto e outras coisas, João Victor equaciona mudar-se para outra cidade, onde também possa encontrar “um trabalho melhor”, que possibilite a continuação dos estudos.

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Banda de tributo aos Queen é cabeça de cartaz das festas da Senhora das Dores

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As majestosas festas em honra de Nossa Senhora das Dores iniciam-se a 3 de agosto e até do dia 20 do mesmo mês propõem um programa cultural diversificado, com novidades e tradição, onde se incluem procissões, espetáculos musicais, fogo de artifício e divertimentos. Nesta romaria, há gostos para todas as idades, graças ao empenho da comissão de festas que, este ano, está a cargo da aldeia da Esprela.

Um símbolo musical dos anos 80 dá “corpo e alma” ao cabeça do cartaz deste ano das festas Nossa Senhora das Dores. Os Remember Queen Tour, grupo musical de tributo à banda inglesa tem na voz o italiano Piero Venery, duplo de Freddy Mercury acreditado pela banda original. O espetáculo, que promete fazer soar pelo recinto das festas hits como “Love Of My Life”, “Will Rock You” ou “Bohemian Rhapsody”, acontece a 16 de agosto, a partir das 22 horas.

Mas a animação começa muito antes. A 12 de agosto, os visitantes poderão assistir ao concerto da banda 4 Mens, a partir das 22 horas. No dia seguinte, à mesma hora, atua a Orquestra Sinfónica do Ave. Daniel Pereira Cristo é o terceiro animador das Festas de Nossa Senhora das Dores, com espetáculo marcado para o dia 14 de agosto, às 22 horas.

Outra grande aposta é o fogo de artifício dos dias 17 e 18 de agosto, às 22 horas, que pode ser visto na Alameda da Estação.

Como todos os anos, o percurso da procissão em honra de Nossa Senhora das Dores vai ser igual, com saída da Igreja Matriz, passando pelas ruas Conde S. Bento e D. Pedro V, entrando no Parque junto às Alminhas, dando a volta à Capela e retomando à Igreja Matriz. Este que é um dos momentos mais simbólicos das festas está marcado para as 17 horas de 18 de agosto.

Sábado, dia 3 de agosto, a noite será dedicada ao folclore, com o FolcTrofa, da chancela do Rancho Folclórico da Trofa. O espetáculo tem início pelas 21.30 horas e conta com o grupos de Vila Franca, Guarda, Leiria e Águeda. Também no dia 11, a tarde será dedicada ao Festival Folclórico, com destaque para a participação de um grupo oriundo da Hungria.

No dia 10, pelas 21.45 horas, a procissão de velas em honra de Nossa Senhora das Dores caminha da Igreja Matriz para a Capela de Nossa Senhora das Dores.

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O Setenário em honra de Nossa Senhora das Dores acontece de 11 a 17 de agosto, às 19 horas, à exceção do primeiro dia, marcado para as 15 horas, e do dia 15, ainda sem hora definida, e do dia 17, agendado para as 8.30 horas.

A Banda de Música da Trofa atua em três dias, primeiramente na noite de 14 de agosto e depois a 17 de agosto, às 14.30 horas, acompanhada pela Banda de Música de Tarouquela, no dia 18, às 9.30 horas, juntamente com a Banda de Música de Pejão, e no dia 19, às 9.30 horas, com a companhia da Banda de Música de Lousada.

A tradicional Feira das Sementes acontece pela manhã de 19 de agosto, altura em que será celebrada a eucaristia pelos benfeitores das festas de Nossa Senhora das Dores.

O dia 20 marca o encerramento das festas com a eucaristia, às 8 horas, e os habituais cortejos, a partir das 15.30 horas.

Bar da Capela aberto todos os dias
O Bar da Capela está aberto todos os dias, no edifício da Alameda da Estação. De segunda a quinta-feira funciona das 20 às 23 horas, à sexta-feira, das 20 às 24 horas, ao sábado, das 14 às 24 horas, e ao domingo, das 9 às 23 horas.

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