Esta nossa intervenção, fruto da relação de proximidade existente, decorre do facto da edição deste jornal de 1.11.07 trazer uma reportagem sobre a nossa freguesia de Guidões, em parte baseada nas posições politicas de quem gere o executivo autárquico local. Sabemos que a intenção deste jornal, cuja pluralidade nos habituamos a admirar, seria apresentar uma caracterização correcta de Guidões.

   Mas, de facto, o que resultou, com muito pesar nosso, foi uma acção de propaganda do poder autárquico instituído que, temos a certeza, não era o pretendido por este periódico, que sempre se pautou por uma clara isenção e imparcialidade. O facto de não serem recolhidas outras opiniões políticas, ou até apenas outras sensibilidades, comprometeu o nível de objectividade da notícia, pelo que urge desmontar o seu conteúdo, desfazendo-se a mistificação. As duas primeiras páginas de "Guidões – Uma freguesia em Expansão" reflectem respostas dadas pelo actual presidente da junta. No essencial diz o presidente da junta ser Guidões uma freguesia onde " …os caminhos de terra deram lugar a avenidas asfaltadas…" e onde no " lugar da Igreja …as novas construções e os novos loteamentos " mudaram o seu rosto. Termina afirmando a existência de um certo crescimento industrial, anunciando duas novas indústrias no lugar do Bicho. O embuste emerge ao se assumir a paternidade de obras que não lhe pertencem. O logro resulta ao se misturar o privado com o público, sem se definir, nem ao de leve, o que pertence a cada um. Então é necessário salientar que apenas existe uma avenida completamente asfaltada, a Avenida General Humberto Delgado, e a sua concretização deve-se a juntas de freguesia anteriores em que o actual presidente não teve assento. O demais que resulta asfaltado nestes últimos 14 anos, é mesmo o centro, onde se levanta o referido empreendimento urbanístico de moradias e apartamentos, grande parte com financiamento pela Câmara Municipal da Trofa e a parte inicial da Avenida Ferreira de Castro. O que se esquece de referir o presidente da junta é que esse empreendimento urbanístico no centro da freguesia é absolutamente privado, de uma sociedade de construções da qual ele próprio é sócio e, por isso, na qual tem interesses a defender. Não se trata de habitação social a fim de satisfazer necessidades de famílias carenciadas, de jovens casais trabalhadores, ou de pessoas da 3.ª idade. Trata-se sim de empreendimentos imobiliários que têm como único e exclusivo interesse fazer dinheiro. Ora quando se refere, como resulta da mencionada noticia, que são as novas construções e loteamentos que vão mudando o rosto da freguesia, atribuindo-lhes uma nota positiva, obrigados somos a lamentar a argumentação de tão parca e mesquinha ideia, sobretudo se, mesmo ao lado, existe uma freguesia com escola EB23, Posto de Saúde, Junta de Freguesia, Capela Mortuária e Farmácia. E em Guidões, de equipamentos sociais quase nada se concretizou, atento o decurso de 14 anos de poder fingidamente socialista. Diga-se até, em nome da verdade, se algumas obras arrancaram que se encontravam paradas, deve-se à saída de Guidões da alçada tirsense pseudo-socialista, e à criação do Concelho da Trofa. Foi absolutamente decisiva a rotura para a morte do marasmo em que Guidões se encontrava, aquando da criação do município trofense. O sr. presidente da junta apenas vai falando do que pode falar, nomeadamente do alegado desenvolvimento urbano e industrial. O paradoxo verifica-se na ausência de publicidade de uma das indústrias referidas e na publicidade envergonhada da outra, nas páginas dedicadas à notícia sobre a freguesia de Guidões. Imperdoável é não referir o exemplo da MJD – Metais Jaime Dias que, começando com dois empregados, já emprega mais de 40 trabalhadores. Além disso tem uma função ecológica, pois dedica-se à reciclagem de metais e gestão de resíduos industriais. O paradoxo continua, pois uma das empresas mencionadas pelo sr. presidente realizou deposição de terras no Bicho, ocupando por inteiro, a margem direita do ribeiro da aldeia, abrangendo grande área da Reserva Ecológica Nacional e Reserva Agrícola Nacional, em violação da lei e quando tinha muito espaço para se expandir para o interior, constituído por terrenos de bouça.

Mais grave ainda é falar o sr. presidente na construção do Centro de Dia, da capela mortuária e da sede da junta de freguesia. A falácia é grande, pois não faz parte do plano de actividades da junta nem a curto, nem a médio prazo, a construção de qualquer Centro de Dia. Antes fizesse…O que supostamente se prevê para Guidões é a construção através de uma associação privada de um centro com diversas valências. Podendo vir a funcionar como lar com algumas camas, terá um centro de dia, creche, aulas de música, de "arte", de informática. Mas tudo privado, a pagar. A junta de freguesia e o seu presidente nada mandam, nada têm a ver com a organização e funcionamento do estabelecimento. Aliás a única coisa que a junta de freguesia, e a maioria socialista na assembleia de freguesias fizeram foi dar o terreno, que era do povo, dos guidoenses, sem nada receber em troca, à mencionada ART . O terreno, avaliado em quantia superior a 350 000,00 €, foi doado, sem se ter estabelecido, preto no branco, uma quota de ocupação para os residentes e naturais de Guidões. Pouco adiantará virem dizer que os guidoenses têm prioridade sobre outros. Esta promessa vale tanto como a da criação de mais 150 000 empregos feita pelo actual primeiro ministro na campanha eleitoral O empreendimento destina-se a todo o concelho, e a sua natureza claramente privada, não augura nada de bom para os guidoenses, de quem ainda pretendem parte do financiamento da obra. Provavelmente servirá de criação de emprego para pessoas da confiança da referida associação e, à imagem de outras instituições semelhantes, de apoio a pessoas e agregados familiares da classe média/alta do concelho, que reúnam possibilidades económicas e financeiras para pagar os serviços que lhes venham a ser prestados.

Quanto às outras prometidas obras salientamos que, apenas na última assembleia de freguesia foi aprovada a aceitação da doação feita pela C.M.T. do terreno para a casa mortuária. Quanto à sede da Junta de Freguesia, ainda nem doação da Câmara há. Pelo que ao falar do futuro, o sr. presidente, além de ter introduzido grande falácia, omitiu factos importantes dos quais os guidoenses têm o direito de serem informados.

Destarte, a actual junta de freguesia de Guidões não é a responsável por avenidas asfaltadas, nem por novas construções ou loteamentos. Não é a junta de freguesia de Guidões, autora, co-autora de qualquer projecto de construção de Centro de Dia. A JFG ainda não é sequer proprietária de qualquer terreno para construção de sede de junta. A tentativa não passou de propaganda pura, ardilosamente encenada, denotando preocupante promiscuidade. Pelo que se mostrou necessário pôr os pontos nos is…

 

Atanagildo Lobo