Falar sobre o Ambiente é fácil. O grande problema está em conciliar a teoria com a prática nas mais diversas vertentes. Nesse sentido hoje iremos abordar, muito embora superficialmente, a relação que terá de haver, na nossa opinião, entre o Desenvolvimento Sustentável e o Crescimento Sustentado.

   Estamos convencidos de que o Crescimento Sustentado é imprescindível para que se consiga o tão "falado" Desenvolvimento Sustentável e vice-versa.

No entanto, se considerarmos a situação actual do nosso País, pensamos que a opção por um Desenvolvimento Sustentável "obriga-nos" a ter um crescimento compatível com um processo de Crescimento Sustentado. Para tal, a Sociedade Portuguesa terá de ser capaz de concertar entre si valores que fundamentem as suas acções, ou seja, construir no presente, pensando no Futuro, um projecto de sociedade mobilizadora, participada e sem fundamentalismos.

O nosso País tem, como todos sabemos, vários problemas, nomeadamente o de Crescimento Sustentado, designadamente na vertente Económica. Face a este factor pensamos que não existem meios que possam suportar um Desenvolvimento Sustentável como todos desejávamos, podendo, assim, estar a comprometer-se o futuro das próximas gerações.

Todos sabemos que um Crescimento Sustentado exige, designadamente, aumentos de produtividade significativos, com criação simultânea de empregos, o que só é possível numa pequena economia aberta e com uma profunda transformação na "carteira de actividades mais expostas à concorrência internacional" em direcção às actividades com maior valor acrescentado incorporado e com maior dinâmica de crescimento no comércio internacional. Sem estes aumentos de produtividade o nosso País não pode inserir-se numa trajectória de melhores remunerações, por exemplo, sem pôr em causa o nível de emprego. Mesmo sem este princípio estar a ser praticado é ver os actuais números de desempregados!

Por outro lado, sendo Portugal fortemente dependente do exterior, por exemplo, em energia, o Crescimento Sustentado e o Desenvolvimento Sustentável pressupõem, também, um aumento significativo da eficiência energética e a necessidade da substituição da energia primária importada por energias de fontes endógenas.

No essencial, a obtenção de um maior crescimento exige um forte e melhor investimento privado, nacional e estrangeiro, e a diversificação da oferta de bens e serviços internacionalmente transaccionáveis, beneficiando da forte procura internacional que se prevê, com optimismo, para as próximas décadas.

O nosso País apresenta, também, uma estrutura demográfica envelhecida. As previsões apontam que a mesma irá acentuar-se nas próximas décadas, o que vai gerar diversos efeitos perversos no curto e médio prazo, designadamente na redução do impacto do investimento em educação/formação. Contudo, há que oferecer aos cidadãos uma melhor qualidade de vida. Nesse sentido há que se apostar, nomeadamente, na resolução dos problemas ambientais, mas ao mesmo tempo, e mais do que acontece com países europeus de nível de desenvolvimento superior, fazer-se do esforço de sustentabilidade uma oportunidade de crescimento de actividades geradoras de emprego e inovação. Por tudo isto, exige-se uma atitude pró-activa de todos na adopção de políticas de crescimento demográfico e ainda de políticas que compensem alguma perda de efectivos ao nível da população activa. Contudo, há que nunca se perder a noção da necessidade de termos forçosamente, também, um Desenvolvimento Sustentável.

Terminamos dizendo:

SEJAMOS PRÓ-ACTIVOS!

Alberto Maia