Já não é a primeira vez que, quando me apresento como sendo da Trofa, ouço os meus interlocutores referirem-se-lhe como "o cruzamento". Com esta referência, que carrega em si tanto de malícia, como de autenticidade, pretendem as pessoas exprimir a localização relativa da Trofa: está entre Porto e Braga (ou Maia e Vila Nova de Famalicão), entre Santo Tirso e Vila do Conde. O que equivale a dizer, no cruzamento da Estrada Nacional 14, com a Estrada Nacional 104. Isto, para aqueles que têm uma ideia do que é a Trofa, ou onde se situa…

   Ora, vem este tema a propósito de uma reflexão do dia-a-dia da cidade e do que significa circular na Trofa, ou, com um rigor acrescido, o que significa mobilidade para os trofenses. Quem ousa tentar cruzar a Trofa, qualquer que seja o dia da semana, tem uma árdua empreitada pela frente. Durante todo o dia, é um suplício tentar atravessar o centro da cidade. As vias de circulação vão encolhendo, as rotundas, cada vez mais pontos sensíveis (principalmente o do Catulo), vão-se multiplicando e as dificuldades em diversos cruzamentos vão-se agudizando.

A origem de um tal cataclismo radica na falta de vias alternativas, que possam desviar o trânsito dos condutores que estão de passagem do centro da cidade. Aliás, podemos afirmar que o grande tumor identificável no trânsito na Trofa se relaciona com a passagem sobre o Rio Ave, na EN 14. Bem sabemos que, à excepção da ligação pela A3, e para quem não se quer arriscar a tentar atravessar uma ponte que nos foi legada pelos Romanos, não há outra alternativa à ponte que liga a Trofa a Ribeirão. E, para quem tem que a atravessar ao final da tarde, concluída a jornada laboral, o cenário torna-se mais negro. Não são raras as situações em que os condutores, seja no sentido Ribeirão-Trofa, seja no sentido inverso, se vejam confrontados com uma espera que pode durar quase uma hora.

Pois bem, impõe-se então a questão: agora que ficou resolvida a situação do Metro (alegremos e exultemos, pois vamos ter acesso ao Metro, apesar de não sabermos exactamente quando) com o aperto de mão do Senhor Primeiro-Ministro (um belo momento de fotogenia) e tanto se celebra a mobilidade no nosso concelho, resta podermos saber quando se definirão os traçados de alternativas às congestionadas EN 14 e EN 104. Mas, mais ainda: qual o prazo para se executarem tais obras?

É que a Trofa sufoca no imobilismo. As empresas são penalizadas por se verem forçadas a dispensar mais tempo no acesso entre as suas sedes, os seus armazéns, lojas, escritórios, e os locais de partida ou de destino dos seus produtos e/ou colaboradores. Na Economia contemporânea, o tempo assume-se como uma importante variável. E será necessária vontade política para alterar a vigente situação no nosso concelho, no sentido de se realizarem rapidamente estudos, tomarem-se decisões e adjudicarem-se obras. Não duvidemos: a ausência de acção é um convite aos munícipes e às empresas, em geral, a procurarem rentabilizar num outro local o seu bem mais precioso: o tempo. Bem longe de quaisquer cruzamentos