Dois mil e doze foi escolhido como o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações. Ao longo do ano, o NT vai dar a conhecer histórias de pessoas que mantêm um dia a dia dinâmico, mesmo numa idade mais avançada.

A primeira – e porque estamos no mês do S. Gonçalo de Covelas – é sobre o presidente da Junta de Freguesia, Fernando Moreira.

Fernando Moreira dispensa apresentações. Pelo menos, no que toca à freguesia que o viu nascer. Foi lá num “cantinho” de Lemende, em Covelas, que nasceu, a 18 de julho de 1937, o quarto dos cinco filhos de Serafim Moreira e de Felicidade da Costa Oliveira. Foi criado numa “casa pequenina” e com “seis anos” já “tratava do milho no campo”, porque “aqueles tempos é que eram difíceis”. “Chamavam-me às seis da manhã para trabalhar, molhávamo-nos até aos joelhos”, relembrou.

Cresceu e alargou horizontes. Foi trabalhar para uma empresa de Santo Tirso, “para o Figueiredo”, e “ia a pé por esses montes, todos os dias”.  “Gozou a vida” até aos 34 anos, idade com que casou e começou a constituir família. “Fiz a minha casinha, criei dois filhos e tentei governar a minha vida da melhor maneira”, contou.

Tinha 45 anos quando tomou posse como presidente da Junta de Freguesia de Covelas, pela primeira vez. Já lá vão 29 anos. Nunca pensou em candidatar-se para esse cargo, mas aceitou o convite quando o desafiaram: “Foram chamar-me a casa, porque tinha algum conhecimento de obras. Fizeram-me o convite e mesmo não tendo nenhum projeto aceitei meter-me na política. Com o tempo, começou a crescer esta paixão e depois fui ganhando eleições atrás de eleições e hoje estou aqui”.

Não se importa com o que possam dizer sobre a sua conduta na Junta de Freguesia, porque tem “consciência limpa” e está convicto de que fez “tudo” por Covelas. “Eu só me importo com as minhas ações, pois sou eu que respondo por elas. Mas, considero-me boa pessoa e um presidente que cumpriu com a missão de ser honesto, sincero e estar bem-disposto em qualquer lado”, afiançou. E brincou: “Quando dizem que devemos ir às  confissões, eu digo logo que não preciso, porque não tenho pecados”, afirmou, entre gargalhadas.

O amor pela freguesia é de tal envergadura que não hesita em admitir: “Eu deixo a minha vida para trabalhar por Covelas. Eu gosto mais da freguesia do que de algumas pessoas”. E o facto de ser conhecido por quase toda a população a muito se deve à desinibição que tem quando toca a fazer arranjos: “Eu não tenho vergonha de ir desentupir uma caixa na rua. Se tiver de deitar a mão e fazer uma emenda num tubo de água também o faço e sinto-me muito bem”.

E no alto dos seus 74 anos garante que ainda tem muita energia, porque “quem tem vontade tem sempre força para fazer as coisas”. Hoje, pode gabar-se de ter uma recém-inaugurada sede da Junta de Freguesia, a “menina dos meus olhos”, como a apelidou. No entanto, tem dificuldade em eleger uma das obras que realizou como a mais importante: “Covelas expandiu comigo. Tenho a sede da Junta, uma capela ajeitada, a ponte que vai para a igreja sobre a linha de ferro fui eu que negociei os protocolos com a CP, as ruas da freguesia estavam em terra batida e hoje estão pavimentadas, a iluminação pública está em todo o lado…podem dizer que fui um mau presidente, mas fico feliz pelo que fiz por Covelas”.

Devido à lei da limitação dos mandatos, Fernando Moreira não se pode recandidatar às próximas eleições, em 2013. Depois de cumprir o último, admite que vai “descansar”, mas sem nunca colar-se ao sofá em casa. “Vou entreter-me sempre com qualquer coisa, pois não sou pessoa de estar em casa de manhã à noite. Nem que vá jogar uma “sueca ou pegar no carro e ir até ao centro da Trofa, Santo Tirso ou Ermesinde”.

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