Oito ranchos folclóricos e grupos etnográficos participaram no encontro de Janeiras, realizado pela Câmara Municipal, na noite de domingo, 26 de janeiro.

A chuva pregou uma partida à organização do espetáculo de Janeiras, que inicialmente estava previsto para o Souto da Lagoa, em Santiago de Bougado, mas que teve de ser transferido para o salão polivalente dos Bombeiros Voluntários da Trofa, em S. Martinho.
Ultrapassado o contratempo, à hora marcada, o Grupo de Tradições Infantis de Cidai abriu as hostes do palco por onde passaram mais sete coletividades trofenses, que exaltam os usos e costumes de outrora.

A atuação começou com um Auto de Natal, ao qual se seguiram dois cânticos de janeiras. Bruno Silva, um dos componentes, confessou ao NT que o grupo “sente alegria” quando atua perante o público. Pessoalmente, acrescentou, gosta de pertencer ao projeto para “estar com os amigos” e “retratar coisas de antigamente para as pessoas saberem as diferenças que existem entre o passado e o presente”.

A responsável pelos ensaios, Laura Campos, explicou que o grupo “transmite a forma de estar das crianças” e assume-se como “uma escola”, uma vez que “hoje, as crianças desconhecem o que os meninos da sua idade de antigamente faziam, que era essencialmente trabalhar, porque faziam falta ao agregado familiar”.

De Santiago de Bougado vieram também o Grupo de Danças e Cantares e o Rancho Etnográfico. O primeiro pauta a atividade em constantes pesquisas, que já deram frutos, de acordo com a presidente, Manuela Moreira: “Já fizemos vários quadros etnográficos, desde as desfolhadas aos serões, espadeladas e idas à igreja, seguidas de danças no terreiro”.

Já Fernando Monteiro, presidente do Rancho Etnográfico de Santiago, elogiou a realização desta iniciativa. “As tradições são as raízes do povo e não devemos deixá-las fugir. Acho muito bem que todo o concelho responda aos apelos da Câmara, em termos culturais”, frisou.

Ricardo Oliveira, presidente do Danças e Cantares do Vale do Coronado, complementou a ideia, considerando que “apesar de os grupos serem da mesma zona, há sempre diferenças entre eles, que importa preservar e dar a conhecer”. Este conjunto estreou-se nesta iniciativa da autarquia e a experiência decorreu num misto de “emoção” e “nervosismo”, contou o responsável.

Do Coronado também veio o Rancho Folclórico de S. Romão, enquanto o Rancho do Divino Espírito Santo, de S. Mamede, que devido a um “imprevisto” não conseguiu participar.

A noite também foi abrilhantada pelos grupos mais antigos do concelho. O Folclórico da Trofa, liderado por Fernando Jesus, apresentou os cânticos que serviram de banda sonora à caminhada pelas ruas da cidade na época natalícia, que este ano “correu bem a nível monetário”, mas o tempo haveria de dificultar a tarefa e provocar “umas constipações e gripes”.

Já o Rancho das Lavradeiras cantou, pela primeira vez este ano, temas de Janeiras, uma vez que, em toda a época natalícia, interpretou cantares ao menino, levando a tradição trofense a alguns pontos do país, como Castro Daire, Vila Meã e Coimbra.

E para terminar, o Rancho Folclórico de Alvarelhos, convocado de última hora, apresentou três canções: “Somos Estrelas”, “Tlim Tlam” e “Nasceu o Menino”.

O vereador da Cultura da autarquia, Renato Pinto Ribeiro, fez um balanço positivo da iniciativa, apesar de “ter de optar pelo plano B”. “O plano A (Souto da Lagoa) traria outro encanto. Queríamos ser inovadores, proporcionando, pela primeira vez, a realização deste encontro em terras de Santiago de Bougado, mas a chuva forçou-nos a realizar a atividade neste espaço, que já estava salvaguardado, explicou, enfatizando que a organização foi feita “em concertação com todos os grupos”.