Malangatana visitou Casa da Cultura

 

A Casa da Cultura recebeu a visita de um dos “nomes maiores” do espaço da Lusofonia. Malangatana, pintor moçambicano, quis fazer “uma surpresa a si próprio” e conhecer o espaço que acolherá uma das suas exposições, na Semana da Lusofonia.

Foi na biblioteca infanto-juvenil, uma sala “de hoje que mostra o amanhã”, que Malangatana afirmou ao NT/TrofaTv a felicidade de estar “num espaço onde há um enorme respeito pela preservação do edificado”.

“O ontem é muito importante e hoje estamos numa sala que representa o amanhã, que é a sala das crianças. Apesar de estas terem que demonstrar respeito pelos adultos, são estes que têm que assegurar a continuidade da sua ‘tribo’ ou clã, que juntando-se com outros clãs, formam um país”.

malangatana

Nas paredes da sala, a frase pintada de Vergílio Ferreira toma proporções curiosas: “da minha língua vê-se o mar”. Um hino à língua portuguesa, a mesma que Malangatana ajuda a promover um pouco por todo o mundo.

António Pontes, vereador da cultura da Câmara Municipal da Trofa, foi outra das pessoas que o pintor apanhou de surpresa. “A honra e o prestígio que traz a este espaço são tão grandes, que é um prazer poder ter aqui na Trofa, um vulto desta dimensão”, afirmou.

Uma visita “inesquecível” que, segundo o autarca, ficará “perpetuada para o futuro”. Pontes manifestou ainda a “grande satisfação” pelo regresso do pintor, quando a exposição já estiver patente na Casa da Cultura. Malangatana afirmou que a segunda visita “é para vir beber” o que quer e o que necessita da Trofa.

“É uma figura que traz toda uma história de luta, querer e afirmação e a cultura da Lusofonia passa pela existência destes vultos e o Malangatana tem uma afirmação internacional, sendo conhecido praticamente em todo o mundo”, afirmou António Pontes que apelidou o pintor de “força da Natureza”.

Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, Província de Maputo, a 6 de Junho
de 1936. Estudou na Escola da Missão Suiça de Matalana e na Escola da Missão Católica de Ntsindya, em Buzale.

A sua primeira exposição individual foi em 1961, seguindo uma bolsa da Gulbenkian, em gravura e cerâmica. Recebeu a Medalha Nachingwea, pela contribuição dada à cultura Moçambicana.

Malangatana é muitas vezes intitulado de poeta-pintor, por também ocupar algum do seu tempo à escrita.

O artista está representado em museus, galerias e colecções particulares em todo o Mundo. As suas obras estão presentes no M’Bari de Oshogbo, Nigéria, no Museu de Arte Contemporânea de Lisboa, no Museu Nacional de Luanda, na National Gallery of Comtamporany Art de Nova Deli, na National Art Gallery de Harare, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, na colecção do Partido Comunista Português, no Museu Nacional de Arte de Moçambique e em inúmeros países, de Cabo Verde à Nigéria, da Bulgária à Suíça, dos Estados Unidos ao Uruguai, na Índia e no Paquistão.