Nos 42 anos de democracia, o nosso país teve um desenvolvimento assinalável, mas são muitas as áreas em que regredimos, em vez de termos tido avanços significativos, como era desejável e mandatório. E tivemos muitos meios ao nosso dispor, para termos tido um excelente progresso, desde o avanço tecnológico em vários domínios até aos muitos milhares de milhões de contos e euros que caíram do «céu» de Bruxelas, via Comunidade Europeia.
A adesão de Portugal à Comissão Económica Europeia (CEE) foi uma das consequências do 25 de abril de 1974 e das alterações verificadas no país, em termos económicos, sociais e políticos. Após uma grande agitação e graves dificuldades económicas, acentuadas pela recessão da economia mundial, em 1977, Portugal efetuou o pedido de adesão à CEE.
Portugal apresentou a sua candidatura de adesão à CEE, em 28 de março de 1977 e em 3 de dezembro de 1980 assinou o acordo de pré-adesão, embora seja membro de facto da União Europeia desde 1 de janeiro de 1986. Em 1 de janeiro de 1999, o Euro passou a ser a moeda oficial da União Económica e Monetária (UEM), mas só em 1 de janeiro de 2002 é que o Euro entrou em circulação, em forma de notas e moedas.
Desde que Portugal é membro da UE (1986) recebemos à volta de 100 mil milhões de euros em fundos estruturais, o que corresponde a cerca de 10 mil milhões de euros por dia injetados por Bruxelas no nosso país. É mesmo muito dinheiro, que nos ajudou a viver melhor do que até então, mas cometemos erros em exagero, na aplicação desse dinheiro.
O objetivo do dinheiro vindo de Bruxelas era para o desenvolvimento do país, através de projetos estruturais, e para aproximar Portugal da média europeia, o que não aconteceu. Continuamos longe da média europeia, em variadíssimos setores, e cada vez nos afastamos mais, principalmente em termos sociais.
A taxa de desemprego é elevadíssima; é uma das maiores da Europa. A exclusão social e os níveis de pobreza atingem perto de um quinto dos portugueses; há cada vez mais crianças pobres e quase um em cada cinco portugueses vive em privação material. A desigualdade na distribuição de rendimentos agrava-se cada dia que passa; quem é pobre fica cada vez mais longe de deixar de o ser. Portugal recuou em termos sociais e a disparidade tem vindo a agravar-se cada ano que passa. Infelizmente!
Em Portugal cresceu a população e a esperança média de vida, mas também o défice das contas públicas e a economia que está estagnada há mais de uma quinzena de anos. O problema demográfico é gravíssimo: a natalidade caiu a pique. Atualmente somos o país mais envelhecido da Europa e a continuar assim, em 2050 seremos o 4º país mais envelhecido do mundo, pois nesse ano quase metade da população portuguesa terá mais de 60 anos. Dá que pensar, principalmente aos jovens de hoje, que serão os idosos de amanhã!
Este é um pequeno retrato a preto e branco de Portugal, mas é um retrato realista, que convida os políticos a abandonarem a política de «bordel» e a dedicarem-se ao desenvolvimento do país. Só com o crescimento da economia é que Portugal poderá dar o «salto», em termos sociais, que os portugueses tanto anseiam. E merecem!

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