Longo foi o tempo de campanha eleitoral, nas primárias para candidato do Partido Socialista, a primeiro-ministro do Governo de Portugal, nas eleições legislativas do próximo ano. Foram meses e meses, em que os candidatos socialistas, António José Seguro e António Costa, percorreram o país a «lavar roupa suja», a dizerem um do outro «cobras e lagartos» e a acusarem-se mutuamente com epítetos pouco recomendáveis.

A campanha eleitoral interna do PS deu a nítida sensação de ter tido tempo a mais, acusações a mais e poucas ou nenhumas ideias, referentes ao combate ao desemprego e à pobreza, e também à saída da crise económica e financeira, que o país atravessa. Embora fosse uma campanha eleitoral interna, o palco privilegiado dos candidatos foram as televisões; não só nos debates, mas também nas reportagens que os portugueses puderem assistir em direto ou em diferido.

Finalmente, chegou ao fim o triste espetáculo que o PS deu ao país e muitos portugueses, que acompanharam a campanha eleitoral interna socialista, não conseguiram descobrir grandes diferenças entre os candidatos, António José Seguro e António Costa. Foi uma oportunidade perdida de mostrar aos portugueses o seu pensamento político socialista e o que os distingue entre si, mas também o que os distingue à atual governação do país.

É triste, que no debate dos candidatos, não tenha ficado uma única grande ideia, para mudar o país. Mas será que têm alguma ideia? A dúvida ficou no ar e ainda vai continuar a persistir na mente de muitos portugueses, que assistiram à troca de acusações, que os candidatos proferiram, utilizando alguns frases e palavrões, que normalmente são endereçados, noutras campanhas, aos candidatos dos outros partidos. As acusações mútuas vão deixar mossa no Partido Socialista, ainda por muito tempo, e vão fazer-se sentir nas próximas eleições legislativas.

É triste, mas a realidade interna dos partidos políticos portugueses mostra que os que perdem agora, não vão querer que os ganhadores atinjam o poder e tudo vão fazer, para que sejam os perdedores no futuro. É o que vai acontecer nas próximas eleições legislativas do próximo ano. A disputa pelo poder deixou fissuras graves dentro do Partido Socialista. O PS ficou aos retalhos e um PS aos retalhos não serve o país!

O país precisa de um PS forte, que possa mobilizar os portugueses para as grandes reformas estruturais, que o país precisa. É muito provável, que nas próximas eleições legislativas, nenhum partido consiga ter a maioria absoluta necessária para, sozinho, governar o país. O PS retalhado vai fazer engordar outras forças políticas, como aconteceu num passado mais longínquo, com o BE, e nas anteriores eleições europeias, com o MPT, encabeçado por Marinho e Pinto, que provocou um «vendaval» no PS.

Não sendo expectável, que nas eleições legislativas do próximo ano, haja uma maioria absoluta, provavelmente vai ter de haver uma coligação alargada de partidos, para a governação do país. E não tem nada de mal, desde que seja para bem de Portugal e dos portugueses!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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