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Edição 448

Um concelho “adolescente” com progresso e qualidade de vida “adiados”

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Na sessão solene evocativa da elevação do concelho, o presidente da Câmara Municipal da Trofa afirmou que o progresso e qualidade de vida “continuam adiados” e defende um futuro com “políticas de proximidade” e de “recuperação da independência financeira”.

“Esperança” foi a palavra que Sérgio Humberto, presidente da Câmara Municipal da Trofa, quis transmitir na sessão solene do 15º aniversário do concelho. Perante Luís Marques Mendes, convidado de honra da cerimónia que, em 1998, encabeceou as negociações com os partidos que permitiram a aprovação da criação do município, na Assembleia da República.

No discurso, para além de fazer um balanço de 15 anos de independência administrativa, Sérgio Humberto criticou a anterior gestão autárquica, que há um mês e meio derrotou no sufrágio popular, e enunciou as decisões que tomou desde que tomou posse.

Para o autarca, apesar da existência de “uma taxa superior a 85 por cento” da “rede de saneamento”, das infraestruturas de “abastecimento de água”, da “piscina municipal”, da “Casa da Cultura” e do “melhoramento do parque escolar e algumas instalações municipais”, o progresso e a qualidade de vida da Trofa, um concelho “adolescente”, “continuam adiados”.

Na lista de fragilidades enunciadas estão “a deslocalização de empresas para concelhos vizinhos” e “o aumento do desemprego”, que representaram “perda de riqueza”, as acessibilidades que “continuam a ser muito más”, a inexistência dos Paços do Concelho e “as más condições de trabalho de boa parte dos trabalhadores municipais”, “o grave caso do Metro” e “a promessa constantemente adiada sobre as variantes às estradas nacionais”.

 

Postos de iluminação religados

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“Apostar em verdadeiras políticas de proximidade” e “recuperar a independência financeira” foram as metas traçados pelo autarca para os próximos anos. O trabalho, referiu, já começou com o “corte nas despesas desnecessárias”. Sérgio Humberto referiu que, além da diminuição de “avenças”, a empresa municipal Trofáguas “vai passar a ter como único administrador remunerado um elemento interno, reduzindo a despesa com salários em mais de 20 mil euros anuais”.

Por outro lado, o edil trofense anunciou que a poupança de 25 mil euros obtida com a deslocalização da outra empresa municipal, a TrofaPark, será aplicada na religação dos postes de iluminação pública, que foram sendo desligados pelo anterior executivo camarário como forma de poupança. “Não se admite que existam ruas com toda a iluminação ligada e outras com boa parte desligada sem que se compreenda qual o critério”, asseverou. E acrescentou: “Prefiro trocar uma renda que nos custava 25 mil euros por idêntico acréscimo de valor, permitindo iluminar todas as ruas do concelho e acabar com as queixas, justas, de falta de segurança, designadamente envolventes das nossas escolas”. Sérgio Humberto referiu, depois aos jornalistas, que a medida demorará “cerca de três a quatro meses” a ser aplicada e que a operação de religação obrigará a “um encargo adicional”.

Em declarações à Lusa, Joana Lima, ex-presidente da Câmara e atual vereadora socialista, considerou esta medida de religar os postes de iluminação “demagógica”. “O que o meu executivo fez foi levar a cabo um programa de redução de custos que implicava desligar lâmpadas sim, lâmpadas não, na via pública, tendo em conta passadeiras de peões, entre outras situações. Portanto houve critério. Acho lamentável e profundamente demagógico que o novo presidente venha dizer que não havia critério nesta medida”, frisou.

A socialista sustentou ainda que a decisão de desligar foi tomada por vários municípios a nível nacional. “Esta medida da poupança de iluminação pública não foi inventada por mim, nem inventada na Trofa. O senhor presidente devia ter um discurso mais digno face à função que assume”, argumentou.

 

Marques Mendes quer autarcas a “apostar na competitividade e solidariedade”

É considerado o “Pai da Trofa” e esteve no concelho para festejar o 15º aniversário do município, depois de ter recusado o convite de apadrinhar a sessão solene há dois anos por “razões imperiosas”. Luís Marques Mendes, que em 1998 era líder parlamentar do PSD e conseguiu um entendimento com PCP e CDS-PP para a aprovação da criação do concelho, quis prestar “uma homenagem à população”, que criaram uma força “orientada por nenhum critério político e com sentimento muito genuíno”.

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O histórico social-democrata, que agora não está na vida política, afirmou que, 15 anos depois, sente que “ainda há anseio e expectativa que não foram satisfeitos”, sugerindo que haja “mais ambição” na busca do progresso e, sobretudo, “com maior rapidez”. “Temos todos que fazer um esforço, cada um dentro das nossas convicções, para dialogar e estabelecer pontos de entendimento, para sermos capazes de unir e não dividir”, frisou.

Sobre o futuro, e numa reflexão generalizada a todo o país, Marques Mendes defendeu que o papel dos autarcas não estará voltado apenas para a concretização da obra, mas para “o desenvolvimento económico e promoção da justiça social”.

“O que as pessoas querem não é que os políticos percam tempo a saber de quem é a culpa ou a atirar responsabilidades, porque o que precisam é de ajuda e da solidariedade de todos nós”, sustentou.

 

Sérgio Humberto “não” está “preocupado” com possível fusão de municípios

O Governo aprovou, no final de outubro passado, o guião com orientações para a reforma do Estado, que prevê a “instituição, de preferência, com o máximo consenso interpartidário possível, de um processo de reforma dos municípios aberto e contínuo, que facilite e promova a sua agregação” e a preparação de “novo processo de transferência de competências da Administração Central para os municípios e as entidades intermunicipais”.

Esta tomada de posição, que pode constituir um “fantasma” para a população da Trofa, “não” deixa Sérgio Humberto “preocupado”, que afirmou ao NT que “a Trofa é um dos maiores concelhos do país”. “Não creio que será possível, porque a Trofa tem a sua identidade própria”, frisou.

Depois de o Governo apresentar o guião, o PSD já pediu um “estudo estratégico” sobre territórios de baixa densidade, pois considera que “há desequilíbrios muito significativos” no país, que colocam em causa o desenvolvimento do país, afirmo Marco António Costa, porta-voz do partido, em declarações ao JN. O CDS também reclamou ao ministro Miguel Poiares Maduro, que tutela o Desenvolvimento Regional, a elaboração de um documento para preparar a agregação dos municípios.

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Obras dos parques “estão em risco”

As obras da requalificação dos parques Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro e o do Parque das Azenhas também foram referenciadas, para Sérgio Humberto admitir que as empreitadas “estão em risco de se perder”. “(As obras) transformaram-se num problema muito, mesmo muito grave, com os prazos de execução a terminar e as obras por acabar”, afiançou, referindo que, no caso dos parques da cidade, a data estipulada para a conclusão era 18 de novembro e que “apenas 12 por cento da obra está executada”.

Em caso de incumprimento, acrescentou, a autarquia vê-se a braços com um desfecho: “Devolver milhões de euros e ficarmos com as obras paradas. Isto é hipotecar o futuro do nosso concelho”.

Já em declarações aos jornalistas, no final da sessão solene, Sérgio Humberto afirmou que a autarquia já reuniu “com as duas empresas”, da requalificação urbana e Parque das Azenhas e que “já foram feitas prorrogações dos prazos, para o último dia deste mês e para dezembro”. “No passado, andou-se a empurrar o problema com a barriga”, afiançou o autarca, explicando que há o risco de os fundos comunitários poderem diminuir “de 85 para 50 por cento” ou “se não houver luz verde da CCDRN (Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte) e da Secretaria de Estado”, a Câmara “terá de devolver todo o dinheiro” que recebeu do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Questionado sobre qual será a primeira obra de grande escala que desenvolverá, Sérgio Humberto afirmou que a autarquia “tem muitas que quer complementar”, mas “tem que arranjar dinheiro”, pois “o que vai receber em 2014 já tem destino” e “se não fizer cortes, a Câmara não pode fazer nenhuma obra”.

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Caixa de Crédito Agrícola celebra 100 anos

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Um século ao serviço das comunidades locais e dos seus clientes, pautando a sua atuação por valores de solidariedade, entreajuda e disponibilidade. Caixa de Crédito do Médio Ave assinala aniversário no dia 30 de novembro e quer continuar a servir.

Os elementos do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave, CRL deram esta terça-feira uma conferência de imprensa, para apresentar o programa das comemorações dos cem anos da instituição. Realçando as raízes da cooperativa, o presidente do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola do Médio Ave, António Abreu, quer continuar a “afirmar os valores da solidariedade, da entreajuda e da capacidade de estarmos disponíveis para os outros” e garante que em 2013 a Caixa de Crédito “vai centrar a sua atenção na vertente social, a mesma que há cem anos levou à criação da cooperativa”.

Durante o encontro com os jornalistas, os responsáveis da instituição deram a conhecer o programa das comemorações que decorrem a 30 de novembro e têm inicio marcado para as 9.30 horas com o descerramento de placa evocativa nas nossas instalações em Vila Nova de Famalicão, seguindo-se às 10 horas a sessão solene, na Casa das Artes, e às 13.30 horas o almoço no Palácio de Congressos Rauliana.

De acordo com António Abreu, “a Caixa tem-se mantido fiel aos valores essenciais que estão na génese das Caixas Agrícolas, que implicam a preservação de uma relação de proximidade e clientes e o acompanhamento atento da dinâmica económica e social das comunidades locais de que as Caixas fazem parte”.

O responsável adianta ainda que a Caixa vai manter uma política de apoio direcionada “às pequenas e médias empresas com linhas de crédito e programas de apoio nas mais diversas áreas de negócio”.

A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Médio Ave resulta da fusão, em 2010, da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vila Nova de Famalicão com a Caixa de Crédito de Santo Tirso e hoje tem sete agências espalhadas pelos municípios da Trofa, Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso.

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Edição 448

“Conflito com Santo Tirso prolongou-se muito para além do que era razoável”

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Afonso Paixão foi vereador da Câmara de Santo Tirso nos tempos em que o povo da Trofa reivindicava a emancipação. Em entrevista ao NT e à TrofaTv recordou as dificuldades que atravessou e explicou o porquê de “votar a favor da criação do concelho”.

O Notícias da Trofa (NT): Foi vereador da Câmara Municipal de Santo Tirso, com pelouros, mas era da Trofa. Como é que viveu os momentos em que o povo reivindicava a criação do concelho?

Afonso Paixão (AP): Foram momentos complicados. Eu fazia parte de uma equipa, e ainda hoje continuo a afirmar, que fazia um bom trabalho, que tinha muito bom senso na governação e na qual estava bem integrado. Depois havia um outro valor importante, que era o concelho da Trofa e sendo eu da Trofa não podia deixar de o desejar, porque entendia que havia já dimensão e viabilidade. Era difícil conjugar as duas coisas, mas nascido que fui na Trofa não podia deixar de fazer a minha opção.

NT: Quando fala da gestão com bom senso, também se englobavam as freguesias que fazem parte do concelho?

AP: Sim. Quais eram as fragilidades da Trofa nessa altura? Eram ao nível das infraestruturas. Eu tinha o pelouro dos serviços municipalizados, a questão do volume de investimento pode merecer discussão, mas estava-se a fazer na Trofa aquilo que ela necessitava. Não era admissível que a Trofa tivesse crescido ao ritmo a que cresceu sem ter as infraestruturas de água e saneamento. Eram essas obras que, principalmente, se faziam na Trofa, que custavam muito dinheiro e que do ponto de vista político não davam vantagem nenhuma, mas mandava o bom senso que se fizessem. Enquanto não fossem criadas, o crescimento futuro estava comprometido, até a qualidade de vida das pessoas que cá estavam, porque nessa altura discutia-se muito a falta e a má qualidade da água.

NT: Quais foram as obras realizadas?

AP: Penso que não houve nenhuma escola do concelho que não fosse renovada. Foi um investimento muito grande e nessa fase teve muito mérito o professor Tedim, vereador nesse pelouro. As juntas de freguesia, incluindo S. Martinho e Santiago, passaram a ter melhores condições. As infraestruturas de água e saneamento começaram por aí, a feira e mercado da Trofa também e até equipamentos do Estado, como o posto da GNR e o centro de saúde de Alvarelhos tiveram um grande contributo da Câmara de Santo Tirso.

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O atual concelho da Trofa, que poucos anos antes estava praticamente no ponto zero, sofreu grandes investimentos em áreas essenciais e que foram muito importantes para criar as condições do concelho.

NT:Mesmo com essa gestão, a população continuava a reivindicar. Como é que analisava a vontade do povo da Trofa de criar o concelho?

AP: Na minha opinião, por muito bem que trabalhasse a Câmara de Santo Tirso, o concelho da Trofa continuava a justificar-se, porque o concelho de Santo Tirso tal como ele estava, não era uma unidade. Há uma cultura tirsense e uma cultura trofense. Não havia uma unidade social e cultural. Eram dois povos diferentes.

O problema não estava na gestão, embora na Trofa se tenha criado essa ideia, foi por razões que tem a ver com o posicionamento político de quem discute. Eu sou socialista, mas continuava a achar que entre Trofa e Santo Tirso havia algumas diferenças que justificava que fosse criado o concelho, talvez com menos traumas e que houvesse depois uma boa vizinhança.

Como foi gerir esse assunto? Falou com Joaquim Couto?

Falamos no assunto, havia uma situação que era, sobretudo para mim, um pouco delicada, porque eu estava integrado numa equipa, mas morava na Trofa. Isto do ponto de vista emotivo foi difícil, gostava de não poder repetir este tipo de situações no futuro.

Necessariamente que haveria descontentamento, ou era contra a Trofa ou era contra a equipa.

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Do que recorda da reunião de Câmara de 3 de junho de 1998?

Lembro-me que foi uma reunião muito tensa, houve algum esgrimir de argumentos, até que foi feita uma proposta de rejeição da criação do concelho, apresentada pelo presidente da Câmara, que deu muita discussão, porque se questionou se era voto de braço no ar ou voto secreto. Depois verificou-se que se fosse voto de braço no ar iríamos ficar lá cinco a votar e não todos. Optou-se pela votação secreta e deu o resultado que todos conhecem, com as peripécias que se seguiram.

Que peripécias?

Na contagem dos votos questionou-se se foi cinco a quatro a favor da Trofa ou se foi cinco a quatro contra a criação do concelho e claro que foi cinco a quatro a favor da criação do concelho. Mas houve ali uma contagem e uma recontagem. Nessa altura, como trofense e tendo votado a favor do concelho, e que ninguém teve dúvidas e as que surgiram foram de conveniência, depois de cumprir o que achei que era a minha obrigação, o meu mandato acabou ali, porque estava integrado numa equipa contra a qual votei num assunto importante e não fazia muito sentido continuar.

Depois da votação, o que é que lhe comunicou o presidente da Câmara?

Penso que ele ficou, sobretudo, revoltado comigo. Depois encontramo-nos passados uns dias, ele não deixou de entender a minha posição, mas ficou algum melindre nos tempos imediatos. E eu entendi que ele tinha que lutar pela unidade do concelho a que ele presidia. Hoje, temos um bom relacionamento.

Acompanhou o trabalho da comissão promotora?

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Não era elemento dessa comissão, fui convidado, já numa fase final, mas eram já reuniões com toda a gente, muito emotivas, a fazer lembrar o PREC (Processo Revolucionário em Curso). Depois, fiz parte da comissão instaladora e da primeira Câmara Municipal eleita.

No dia 19 de novembro de 1998, foi a Lisboa?

Fui, não podia deixar de ir, por variadas razões. Era da Trofa, tinha disponibilidade e fazia pouco sentido que, tendo eu passado pelo que passei, não fosse a Lisboa para acompanhar a criação do concelho.

Hoje considera que fez sentido a Trofa ser elevada a concelho?

Há duas leituras, uma delas é a criação propriamente dita e a outra a forma como tem sido gerido o concelho. A criação faz todo o sentido, pelas razões que indiquei. Já pela forma como foi gerida, a Trofa passou por um PREC, e nos processos revolucionários fazem-se sempre muitas asneiras. Acho que, em vários momentos, teve uma gestão frenética e até megalómana, com projetos cujos resultados não são positivos. Não creio que a Trofa tenha sido bem gerida, embora há algumas coisas bem feitas, mas o problema da gestão é um problema que se resolve, se foi má há que escolher uma boa e não é por situações momentâneas que vamos colocar em causa uma prioridade muito mais importante que era a existência do concelho.

Na gestão com Santo Tirso, acho que não soubemos ganhar a batalha. Santo Tirso era uma fera ferida e se compete a quem perde saber perder, mas também compete a quem ganha saber ganhar. O conflito com Santo Tirso prolongou-se muito para além daquilo que era razoável, com prejuízo para os cidadãos da Trofa, porque ainda hoje há processos, sobretudo de obras particulares, que estão em Santo Tirso e já podiam estar na Trofa. 

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