Um ano depois do transplante pulmonar Ana Filipa Ferreira, doente com Fibrose Quística, tirou a máscara e a partir de agora sente “o ar mais puro”.

Ana Filipa Ferreira estava em contagem decrescente para o grande dia. Depois de ter sido transplantada a etapa seguinte era poder andar sem a máscara. Seis meses depois da primeira conversa com o NT/TrofaTv Filipa descreve as sensações dos primeiros dias sem a máscara, um ano depois do transplante pulmonar.

Continua a sorrir para a vida com mais vontade do que nunca e cada dia que passa é mais uma etapa conquistada. “Nestes seis meses muita coisa mudou”, mais actividade física e uma maior concentração nos estudos são as grandes diferenças que se registam na vida desta jovem.

Com apenas 18 anos aprende a cada dia que passa a viver e sobretudo a respirar com uns pulmões que outrora estiveram no corpo de outra pessoa, mas que passado um ano, são cada vez mais seus. “Estar sem a máscara é uma liberdade enorme. Quando sai a primeira vez à rua sem máscara tive uma sensação esquisita, porque parecia que me faltava algo, foi um ano inteiro com ela e agora ao sair parece que sinto muito ar na cara”, descreveu a sorrir e depois de constatar que é uma das poucas doentes com Fibrose Quística e transplantadas cujos pulmões ainda não foram rejeitados. Os médicos “dizem que está tudo a correr bem”. “Nunca tive nenhuma rejeição do órgão, o que é muito bom”, confirmou.

Os únicos conselhos médicos passam pelo cumprimento das regras. Filipa deve seguir “à risca as indicações” e “fazer a medicação”. A partir desta semana usa a máscara menos vezes, mas este objecto continua a ser uma protecção obrigatória em determinados locais como hospitais, cinemas, discotecas, ou no shopping. “Mas se eu piorar tenho que ter os cuidados e andar outra vez com a máscara”.

O último “susto” aconteceu há pouco mais de um mês quando teve que sofrer uma nova intervenção cirúrgica. “No próprio transplante o osso é cortado para poder abrir as costelas e inserir os pulmões e como o osso não dá para colar, nem dá para levar pontos leva o

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género de uns arames em aço e eu tive de retirar os meus arames porque um deles estava a saltar, o arame já estava a furar a pele e qualquer movimento que eu fizesse já picava e isso podia ter consequências, podia furar os pulmões”, explicou, lembrando “o medo” que sentiu “de apanhar alguma infecção no bloco operatório” e de haver “complicações”. “Foi uma cirurgia muito simples, comparada com o transplante”, garantiu. Filipa veio de Lisboa para a Trofa no mesmo dia e está totalmente recuperada. Os pulmões continuam a funcionar a 100 por cento e Filipa orgulha-se de pertencer ao leque de intervenções de sucesso realizadas no Hospital de Santa Marta, em Lisboa. “Foi um caso de sucesso em Portugal, apesar de naquela altura haver uma grande polémica e eu ficar em Portugal para fazer o transplante”, frisou Filipa, referindo-se ao facto de muitos portugueses com a doença escolherem o país vizinho para receberem o transplante.

“Nada acaba em situação nenhuma, há sempre uma última solução por muito arriscada que seja, vale a pena tentar”, afirmou a jovem que continua a apoiar-se nos amigos e família. Antes e depois do transplante preocupam-se constantemente. “A nível de amigos estou muito bem servida mesmo, são muito preocupados comigo”, adiantou com um sorriso nos lábios. Mas Filipa não se esquece da família: “Não há palavras para agradecer à família. Estão sempre ao meu lado”.

Agora com mais “liberdade”, Filipa Ferreira enumera os projectos para o futuro. “O meu primeiro projecto é mesmo acabar o 12º ano, aquele sonho de voltar para a Universidade voltou a aparecer, porque antes do transplante era complicado, agora quero mesmo ir para a Universidade. Depois tenho o projecto da minha própria loja (de vestuário), já tenho a loja e a marca registada”, afirmou, não pondo de parte “o projecto da catequese”.

 

Mas a prioridade é “a saúde”, que “está à frente de tudo”. Filipa recupera agora “os anos que foram adiados”, mas “com muita calma”. “Depois de tudo o que passei, não quero arriscar nada”, reiterou.