Um ano após o encerramento da maternidade do Hospital de Santo Tirso, a medida deixou de assustar as grávidas e habitantes locais e das manifestações, abaixo-assinados e protestos feitos na ocasião já nada resta.

Até o presidente da câmara local, o socialista Castro Fernandes, que na ocasião se mostrou muito crítico quanto à decisão do ministro Correia de Campos, diz agora que "já passou tudo".

"Nem falo sobre o encerramento da maternidade. Agora temos em Santo Tirso o Centro Hospitalar do Médio Ave e já foi tudo dito sobre esse assunto", diz o edil.

Em Janeiro o Governo aprovou a criação do Centro Hospitalar do Médio Ave, agrupando os hospitais de Imagem de arquivoFamalicão e Santo Tirso, com sede neste. Este centro abrange todas as unidades de saúde pública de Santo Tirso e Trofa.

Com uma média de oitocentos partos por ano, segundo números fornecidos pela autarquia há um ano, a maternidade do Hospital Conde de S. Bento fechou a portas com a indicação de que as grávidas de Santo Tirso poderiam escolher ter os filhos nos hospitais de S.João, no Porto, no S.Marcos, em Braga, ou no S.João de Deus, em Famalicão.

Embora sem números oficiais, parece ser ponto assente entre grávidas e obstetras da região que os bebés de Santo Tirso passaram quase maciçamente a nascer nos hospitais e clínicas privadas das redondezas.

"As pessoas acomodaram-se e ninguém fala no encerramento da maternidade", referiu à Lusa Daniel Carvalho, um habitante de Santo Tirso que, há um ano atrás, também protestou contra a decisão tomada pelo Governo.

Opinião idêntica tem Ana Paula Costa.

Com um bebé de 23 meses nascido num hospital privado, não vê "nenhum problema" no facto de já não nascerem bebés no concelho onde reside.

"Agora podemos registar as crianças na terra que quisermos mesmo que elas não tenham nascido lá", diz. E continua: "Por isso não vale a pena andar por aí a dizer, como se dizia no ano passado, que não vão nascer mais tirsenses. Nascem tirsenses até no Algarve, se for preciso".

Com as grávidas a ser assistidas nos centros de saúde ou então nos hospitais onde planeiam ter os bebés, os casos mais complicados talvez sejam mesmo os das mulheres que vivem nas freguesias mais longínquas da sede de concelho.

"Quem mora, por exemplo, na freguesia de Vilarinho tem que ir para Vizela e quem mora em Monte Córdova tem que ir para Paços de Ferreira", calcula Daniel Carvalho, um tendo em conta o número de quilómetros e o tempo que demora um habitante de uma dessas freguesias a chegar a Famalicão ou ao Porto.

José Dias, o médico que, há um ano atrás, era o director do Hospital de Santo Tirso é agora o responsável pelo Centro Hospitalar do Médio Ave que, além de Santo Tirso, gere também as unidades de saúde públicas do concelho da Trofa, não esteve disponível para falar .