Quatro autocarros partem da Trofa rumo a Lisboa, na sexta-feira, dia em que se discute a petição do metro na Assembleia da República. “Vamos a Lisboa buscar o Metro”. É este o sentimento que invade algumas dezenas de murenses, que não desarmam na reivindicação do meio de transporte. 

No currículo da freguesia já se contam manifestações e até um boicote às eleições presidenciais de janeiro de 2011. Esta população apenas quer ver concretizada uma promessa feita há uma década, aquando da desativação da linha de comboio que ligava Senhora da Hora a Guimarães e que servia a freguesia murense. 

Depois de uma reunião, os murenses uniram esforços e acordaram viajar para Lisboa, no dia 20 de abril, para assistir à discussão da petição do metro até à Trofa, na Assembleia da República. Três autocarros têm lotação
esgotada e, na sexta-feira, às seis horas da madrugada, partem da avenida da Igreja rumo à capital. “Não podíamos deixar de estar num debate que vai ser importante. Não podemos deixar em branco a vinda do metro à Trofa, que é uma das coisas que temos lutado imenso e queríamos que acontecesse mesmo”, afirmou Fátima Silva. Esta murense acredita que “com civismo e união” os trofenses “conseguem os seus intentos”: “Se formos amorfos e apagados, ninguém nos dá nada. Vamos tentar que o metro venha até à Trofa”. 

Da Câmara Municipal da Trofa, parte também um autocarro, que levará presidentes das juntas de freguesia e outros dirigentes políticos de todas as forças partidárias do concelho. Todos os elementos do executivo camarário do PS e do PSD marcarão presença no parlamento. Também os líderes das estruturas partidárias do concelho vão estar presentes na Assembleia da República. Cerca de 200 pessoas vão representar o concelho.

Treze anos depois, os trofenses “invadem” a Assembleia da República. Na última vez, conseguiram “buscar o concelho”, será que desta trazem o metro?

Bloco e PCP defendem construção do metro

O Bloco de Esquerda preparou um projeto de resolução para a discussão da petição do metro até à Trofa no Parlamento, no qual “recomenda a adjudicação imediata do concurso” deste projeto. Os deputados bloquistas relembram que, depois da “promessa de expansão, efetuada pelo governo PS em 2003, foi requerido às populações que abdicassem do transporte anteriormente existente (comboio)” e “desde então, e uma vez que o projeto do metro não avançou, têm sido confrontadas com graves entraves à sua capacidade de mobilidade, que afeta, inclusive, movimentos pendulares”. 

No projeto de resolução pode ainda ler-se que “esta exigência (para a construção da obra) é absolutamente legítima e as várias forças políticas, que anteriormente se pronunciaram contra o adiamento do projeto e a inexistência de alternativas de mobilidade para estas populações, têm agora a oportunidade de reiterar a sua posição e contribuir para que seja resolvida a situação”. 

Também o PCP elaborou um projeto de resolução onde refere que a inclusão do prolongamento da linha Verde do Metro, entre o ISMAI e a Trofa na 2ª fase da rede, é uma “questão de justiça”. “O que se pretende é contrariar as posições recentes da Administração do Metro e de muitos outros responsáveis pela empresa Metro do Porto, que defendem a não inclusão da linha da Trofa na 2ª fase e que defendem até a sua não construção”, afirmam os deputados comunistas.

Recorde-se que a petição vai estar em cima da mesa do Parlamento numa reunião com início marcado para as 10 horas de sexta-feira. A discussão pode ser assistida na televisão por cabo, através da ARTv.

Fernando Jesus, deputado do PS, que esteve encarregado de fazer o relatório da petição para ir a discussão na AR, afirmou ao NT que o partido deverá apresentar um projeto de resolução, no qual recomendará ao Governo avançar com a obra.

O NT sabe ainda que, na discussão da petição no Parlamento, o PCP vai apresentar uma proposta para votação, que visa a adjudicação imediata do concurso do metro para a Trofa. Contudo, os partidos do Governo devem apresentar outra proposta para que as verbas do TGV sejam canalizadas para o projeto da extensão da linha Verde entre o IS MAI e Paradela.

Cátia Veloso
Patrícia Pereira

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