A Associação de Pais da Escola Secundária da Trofa organizou um simpósio dedicado à violência em contexto escolar, que teve uma grande adesão dos pais.

Ao detetarem alguns “comportamentos inadequados” nos últimos meses na escola, a Associação de Pais da Escola Secundária da Trofa (APEST) decidiu promover um simpósio intitulado “Os porquês e consequências da violência em contexto escolar”. 

A iniciativa, que decorreu na sexta-feira, dia 13 de abril, teve como oradores convidados Fernanda Silva, psicóloga da escola, um agente da Polícia Municipal, e João Amaro, juiz do Ministério Público. Fernanda Silva apresentou
detalhadamente uma perspetiva psicológica dos vários atores intervenientes na violência escolar, também apelidada de bullying.

Esta referência só se aplica quando perpetrada entre alunos. “O agressor e a vítima não são os únicos intervenientes nas agressões. Também o espectador passivo, o colaborador ativo, o espectador que não reage por medo, o incentivador, que gosta do que vê, os agentes educativos superiores com dever de ação, são os principais fatores que levam a que existam vítimas e agressores”, explicou a psicóloga. 

O agente da Polícia Municipal, focalizou a sua intervenção na ação dos agentes da autoridade. Segundo o próprio, o policiamento de proximidade, nos locais e horários mais suscetíveis, e a sua intervenção policial, embora limitada em vários aspetos, tinha um carácter dissuasivo e preventivo nesta problemática. Já João Amaro e as auditoras de justiça centraram as suas intervenções, principalmente, no enquadramento jurídico, desde os vários crimes que podiam estar em causa até às consequências advindas desses comportamentos. Além disso, apresentaram também, em formato de aula a todo o auditório, algumas possíveis situações concretas, da qual tiveram uma enorme interação com a plateia. João Amaro explanou o carácter comportamental específico do mundo das crianças, que é diferente dos adultos.

“O mundo das crianças é mais físico, mais energético, à luz da lei tem uma leitura e aplicação diferenciável. Nem tudo o que as crianças fazem pode ser considerado crime, como acontece no mundo dos adultos”, asseverou João Amaro. Denis Rio, diretor da escola, apreciou a pertinência do tema, tendo convidado os juízes do Ministério Público para uma ação de formação a ministrar ao pessoal docente e não docente. “Este tipo de formação devia ser efetivado em contexto de sala de aula, pois ficou bem evidenciado que a área de abrangência e consequências do bullying é enorme. A Polícia Municipal e a Câmara Municipal estão à inteira disposição para, de sala a sala, fazer uma ação pedagógica”, afirmou Edgar, presidente da APEST. No final foi oferecido aos oradores o livro “Algo mais que simples palavras – Poesia” escrito por Mónica Azevedo, aluna da escola. 

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