Primeira das três colheitas para encontrar dador de medula compatível com menino de 19 meses, que sofre de leucemia, superou as expectativas. Entre as 10 e as 16.30 horas de segunda-feira uma centena e meia de pessoas passaram pela empresa Savinor para recolher uma amostra de sangue.

Quando viu, pela primeira vez, o cartaz que pede ajuda “urgente” para o pequeno Eduardo, Felisberto Sá não se apercebeu tratar-se do filho de dois colegas de trabalho, na empresa Savinor, em Covelas. Mais tarde, quando a notícia de que o filho de Vera Martins e Leandro Moreira sofria de leucemia e que precisava urgentemente de um dador de medula compatível se propalou de forma crescente, Felisberto Sá não hesitou em associar-se a esta causa. Foi um dos 151 dadores que, na passada segunda-feira, a brigada de Histocompatibilidade do Norte se orgulhou de registar nas instalações da empresa Savinor, onde decorreu a primeira de três colheitas de sangue.

“Gosto de ajudar quem merece, é uma criança e isso é o que dá pena, se fosse um filho meu também gostava que as pessoas fizessem isto”, assegura. Este é também o pensamento de Marisa Pires que, depois de divulgar o pedido de ajuda a todas as empresas e amigos por e-mail, se deslocou à Savinor para alimentar a esperança para o Eduardo. “Esta acção representa muito, porque tenho um filho também e poderia acontecer comigo e gostava de ser ajudada tanto como estou a ajudar, espero que consigam um dador e que o menino sobreviva”, deseja.

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Mesmo sem filhos, Ricardo Faria, funcionário da Savinor, mostrou-se solidário com um pai que vê a vida do filho fugir-lhe dos braços. “Somos jovens e um dia mais tarde também vamos ter filhos, é uma boa causa vir cá ajudar”, sustenta. Com uma afluência visível na fila de pessoas, o número de gestos solidários para encontrar um dador de medula compatível com o menino superou as expectativas.

Colheita “ao nível das melhores até hoje”

Desde o primeiro momento em que teve conhecimento do caso, a Savinor não hesitou em disponibilizar todos os meios possíveis para ajudar o Eduardo. Depois de assegurar o transporte aos funcionários para uma colheita no Hospital de S. João, no Porto, a empresa abriu as portas para receber todos quantos quiseram dar um pouco de si a uma grande causa.

Considerando que “as empresas são mais do que organizações que produzem e vendem bens e serviços”, João Pedro Azevedo, presidente do Conselho de Administração da Savinor, afirmou que a empresa “não hesitou, perante um problema dramático muito complicado, fazer aquilo que estava ao seu alcance”. “A parte que fazemos é a parte mais fácil, que é tentar divulgar e ceder as instalações, porque são estas pessoas que mostram a vontade do povo trofense que, perante uma causa que consideram justa e importante, conseguem mobilizar-se e isso é que é notável”, realçou.

Os apelos para ajudar o Eduardo desencadearam uma verdadeira onda de solidariedade na Trofa e região e estima-se que esta tenha sido uma das maiores colheitas realizadas até hoje no concelho. Quem o diz é José Magalhães Moreira, vice-presidente da autarquia trofense que, apesar de já não poder dar sangue, deslocou-se à empresa para se associar a esta causa.

“Os trofenses há muito anos vêm demonstrando um grande espírito de solidariedade e neste caso específico podemos dizer que o concelho da Trofa é aquele que tem em termos percentuais maior quantidade de dadores relativamente aos dadores potenciais”, referiu.

Satisfeito por assistir a uma colheita “ao nível das melhores que até agora houve”, o autarca lembrou a importância de realizar colheitas com regularidade “no sentido de aumentar cada vez mais o número de inscritos no CEDAC – Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão – para poder aumentar as probabilidades de dadores compatíveis”.

Mais 40 mil dadores em 2009

Nos jornais, na televisão, nos estabelecimentos comerciais, nas empresas e através de inúmeras mensagens na Internet. Por todo o concelho e muito mais além, os pedidos de ajuda para o pequeno Eduardo multiplicaram-se, quase à mesma velocidade com que este menino está a lutar contra o tempo.

Depois da primeira colheita na Savinor, seguem-se mais duas, na Junta de Freguesia de S. Romão do Coronado no dia 17 de Janeiro e na Junta de Freguesia da Maia, no dia 24 deste mês. Ambas as acções decorrem entre as 10 e as 16 horas.

Com o aumento do número de apelos que têm surgido nas redes sociais e na comunicação social e com as campanhas realizadas pela Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) e pelos Centros de Histocompatibilidade do país o número de dadores em Portugal tem vindo a aumentar.

Em 2008, havia 142 691 dadores de medula óssea inscritos no registo nacional, número que subiu para 182 485 em 2009, um aumento de quase 40 mil dadores, avançou à Agência Lusa Duarte Lima, da APCL. Relativamente aos transplantes feitos com dadores fora da família do doente, realizaram-se 55 em 2000, mais seis do que em 2008. É neste campo que se registam os maiores resultados.