Criança de 18 meses está à guarda da ASAS de Santo Tirso, depois de o Tribunal ter ordenado que fosse retirada aos pais em Novembro de 2009. Pais negam acusações de “prostituição, consumo de drogas e de maus tratos à menina”.

Foi “o pior dia da vida” de Isabel Alves, que viu a sua filha de apenas 17 meses partir nos braços de um militar da GNR. A criança encontra-se agora à guarda da ASAS – Associação de Solidariedade Social de Santo Tirso, após ter sido retirada aos pais em Novembro de 2009 por alegados maus-tratos.

Foi numa sexta-feira ao final da tarde que, após a confirmação do Tribunal de Turno de Famalicão, as técnicas da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Trofa, acompanhadas pela GNR, consumaram a retirada da menina aos pais. “Eu disse que não deixava ir a minha filha e sentei-me na cama, arrancaram-me a miúda dos braços, sem mais nem menos”, contou Isabel Alves, em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

menina-Muro

Os pais negam as acusações de “consumo de droga e prostituição” de que são alvo e garantem que nunca infligiram maus tratos à filha. Mesmo desempregados, asseguram que “nunca faltou nada à menina”. “Vivemos do rendimento mínimo. E às vezes ia aparecendo alguma coisa e lá ia eu trabalhar. Não era trabalhos para sempre, mas temporários”, esclareceu o pai, Paulo Araújo.

Durante algum tempo desempregado, Paulo vê agora uma luz ao fundo túnel, com uma proposta de trabalho que entretanto surgiu. “Vai abrir aqui uma fábrica de móveis aqui na Zona Industrial da Carriça no dia 15″ , e Paulo vai para lá ” a montar os móveis” garantiu.

Enquanto não têm a filha novamente nos braços e em casa, Paulo e Isabel limitam-se a visitar a menina na instituição onde se encontra, às terças-feiras e sábados. Dias em que matam saudades e vêm a filha chorar quando são obrigados a virar-lhe as costas. “Nunca pensei que me iam tirar a menina e até hoje é muito difícil morar aqui sem ela. Estava tão habituada a tê-la por perto, ainda ontem quando vínhamos embora ela começou a chorar”, recordou Isabel Alves.

A mãe enfrenta o flagelo do desemprego e espera encontrar uma oportunidade no mercado de trabalho, mesmo com poucas habilitações literárias (4º ano).

O caso surpreendeu os vizinhos que, apesar de preferirem o anonimato, garantiram ao NT/TrofaTv desconhecer episódios de maus tratos sobre a criança.

Questionado pelo NT/TrofaTv, o presidente da CPCJ da Trofa preferiu não adiantar muitas informações sobre caso, esclarecendo que “o processo está em tribunal em segredo de justiça”. José Magalhães Moreira adiantou, no entanto, que o processo já está a ser acompanhado há muito tempo pela CPCJ da Trofa e, face à indignação dos pais, o responsável apenas fez saber que, apesar do caso ser acompanhado pela CPCJ, o mesmo “está nas mãos de quem tutela os interesses das crianças que é o Ministério Público”.

“O processo não caiu do céu, o caso estava a ser acompanhado há bastante tempo, só que houve um aviso de que a situação se teria agravado e que portanto havia que actuar imediatamente”, sustentou o presidente.

Este caso já não é novo e estaria já sinalizado há muitos meses. Terá sido a denúncia de um familiar que despoletou a rápida intervenção do Tribunal, tendo em vista a salvaguarda dos interesses da criança.