O Clube Desportivo Trofense vive dias de impasse. O presidente da direcção, Rui Silva, pondera não se recandidatar no fim do mandato, que termina a 31 de Janeiro.

Os dirigentes do Trofense temem que o clube possa cair com a saída do presidente e apelam às “forças vivas” do concelho para “apoiarem o clube e a continuidade de Rui Silva”. Foi o que fez Armando Dias, presidente da Assembleia-geral (AG) do Trofense que, em entrevista ao jornal “O Jogo”, afirmou que “o presidente está farto de pôr dinheiro do bolso dele”.

Segundo Armando Dias, Rui Silva já garantiu que “não é candidato”, explicando que “não é por acaso” que tem estado a “conversar diariamente com o presidente”.

O presidente da AG do Trofense frisou que os dirigentes querem “convencê-lo a ficar, pelo menos até ao final da época”, medida que teria que ser aprovada pelos sócios, já que “os estatutos estão mal dimensionados – os mandatos deveriam ser de Junho a Junho”.

Para Armando Dias, o problema reside no facto de Rui Silva “estar sozinho”, pois  “ninguém dá nada ao Trofense”. O dirigente aponta o dedo à autarquia, afirmando que ainda falta pagar “metade do protocolo – de 200 mil euros – assinado no ano passado” e que Rui Silva tem que gastar “150 mil euros por mês do seu bolso”.

“Só quando o presidente for embora é que tentarão convencê-lo a ficar. E não nos podemos esquecer que nos últimos 20 anos foi a família dele, o Grupo Ricon, que suportou todas as despesas do clube”, sustentou.

Armando Dias desabafou ainda que se Rui Silva sair, também não fica no clube: “Estou aqui por ser sócio do clube há mais de 40 anos e pela amizade que tenho por ele”.

O presidente da AG antecipa mesmo um futuro negro para o Trofense, que pode passar por “fechar a porta”, pois não acredita que “apareça outro mecenas que venha cá meter 150 mil euros por mês”.

Armando Dias considera que “há condições para atingir o objectivo”, de subir à Primeira Liga, mas “se o presidente não for embora”.

As eleições para os novos órgãos sociais do Trofense para o biénio 2011/2012 realizam-se no dia 27 de Janeiro, pelas 20 horas, no auditório da Junta de Freguesia de S. Martinho de Bougado.

 

Relatório de contas 2009/2010 aprovado

Na Assembleia-geral Ordinária do clube, que se realizou no dia 6 de Janeiro, foi apresentado o relatório de contas da época 2009/2010. No documento, aprovado por unanimidade pelos cerca de 50 sócios que estiveram presentes, está registado que os proveitos operacionais situaram-se em 900 mil euros, que os custos rondaram os 4,2 milhões de euros e que o resultado líquido situou-se nos 3,2 milhões de euros.

No final da temporada, o activo do Trofense totalizava 7,5 milhões de euros – menos 15,5 por cento que na época anterior -, e o passivo situava-se nos 9,3 milhões de euros – mais 24 por cento do que em 2008/2009. Os capitais próprios ultrapassaram os 1,75 milhões de euros.