Para alguns pode ser desconhecido, mas o seu nome está marcado nas páginas mais gloriosas da Académica de Coimbra e do Sporting de Braga. Na próxima época, Miguel Cardoso poderá ficar na história do Sporting Clube de Portugal ao lado de Domingos Paciência.

Miguel Cardoso tem 39 anos e é natural da Trofa. É conhecido por muitos, mas ainda não foi reconhecido pelo concelho que o viu nascer, apesar de o seu nome estar marcado nas páginas mais gloriosas da Académica de Coimbra e do Sporting de Braga.

Na final da Liga Europa deste ano, em Dublin, o trofense esteve no banco de suplentes e sofreu com a derrota da equipa do Minho diante do Futebol Clube do Porto. Não se trata de um jogador em fim de carreira escondido nas canteras futebolísticas de Portugal, mas sim um dos treinadores mais promissores do desporto rei a nível nacional. Miguel Cardoso é treinador-adjunto de Domingos Paciência e na próxima temporada vai tentar ficar na história do Sporting Clube de Portugal.

A carreira notável deste trofense, licenciado em Educação Física e mestre em Desporto em Crianças e Jovens, começou cedo nas camadas de formação do Futebol Clube do Porto. Depois de passar por vários escalões, seguiu para a equipa B dos “dragões”, altura em que se cruzou com Domingos Paciência.

Mas o primeiro desafio para entrar no futebol profissional foi feito por Carlos Carvalhal, que iria comandar a equipa do Belenenses. Depois de duas temporadas com os do Restelo, Miguel Cardoso rumou com o técnico para o Sporting de Braga, onde fez “uma época engraçada” com um 4º lugar, oitavos-de-final na Taça UEFA e meias-finais na Taça de Portugal, as últimas já com Jorge Costa como treinador principal.

O trofense viu a sua carreira progredir ao deixar o cargo de preparador físico para coadjuvar Domingos Paciência na Académica de Coimbra. Depois de ter contribuído para “a melhor época de sempre” do emblema da Briosa, o técnico adjunto não podia ter desejado melhor que as duas temporadas passadas no Sporting de Braga: 2º lugar da Primeira Liga na primeira e a presença na final da Liga Europa na segunda.

“Só o trabalho de uma equipa fantástica, de um treinador fantástico e de um grupo de jogadores fantásticos é que permitiram esse desempenho desportivo de tão considerável relevo”, considerou.

No meio de uma agenda preenchida com o curso de nível 4 de treinadores e a preparação da época do Sporting, este trofense arranjou um espaço para falar com o NT e TrofaTv e explicar o que o motiva a crescer profissionalmente.

“Sou uma pessoa que cresceu na Trofa, mas que encontrou espaço de afirmação profissional noutros lados. Tenho procurado que, a cada ano, novos desafios apareçam e que seja melhor. É nas ligações ao mundo que vamos absorvendo, transmitindo e partilhando”, explicou.

Durante muitos anos deu aulas de natação na terra natal e, hoje, como formador da Federação Portuguesa de Futebol, dá aulas a muitos trofenses.

 

Alma trofense não desaparece

Apesar de se ter mudado para Braga, o amor pela terra natal nunca deixará de existir, garante. Faz questão de a visitar para “cortar o cabelo, apesar de ser pouco”, explica entre risos, assim como não abdicou de ser eleitor na Trofa.

Acredita que “há uma grande massa de pessoas” que o conhece, pois ainda tem muitos amigos no concelho. “Se calhar as pessoas que não me conhecem são as pessoas que têm alguma responsabilidade política na Trofa”, desabafa, salvaguardando que evita a exposição e o mediatismo.

E quanto ao clube da terra, Miguel Cardoso lamentou o facto de o Trofense não ter conseguido a subida de divisão, mas espera que “consiga crescer, percebendo qual é o caminho que no futebol é importante percorrer”. E, segundo o treinador, só há um: o da “competência”.

No entanto, Miguel Cardoso sublinhou que “o importante não é chegar ao futebol profissional, necessariamente”, mas sim “dar espaços para a prática desportiva, seja para crianças como para pessoas mais velhas”. “E a Trofa tem trabalhado nesse sentido”, considera.

 

Ser treinador principal não é preocupação

Miguel Cardoso ainda não pensa em progredir na carreira como treinador principal: “Não é uma preocupação neste momento. Porque tenho um espaço de realização profissional incrível, que me satisfaz”.

Mas nem só de momentos bons se faz uma carreira brilhante. Miguel Cardoso teve momentos difíceis como o que viveu na derrota na final da Liga Europa, recentemente: “Quando o jogo acabou, não consegui ficar dentro do campo e fui para o balneário, mas voltei, porque achei que tinha de estar ao pé dos nossos jogadores”.

E como momentos mais emocionantes Miguel Cardoso escolheu o jogo com o Dínamo de Kiev que deu acesso às meias-finais da Liga Europa: “O facto de jogarmos 80 minutos com menos um e segurarmos o empate com uma equipa, que tem um orçamento estrondoso e jogadores como Shevchenko, foi incrível. Ver o esforço daqueles rapazes a ‘morrerem’ dentro de campo e a darem tudo o que têm, enche-nos de um grande orgulho e satisfação”.

E mesmo com uma hora de entrevista, não foi possível descobrir, afinal, qual o clube de coração de Miguel Cardoso. “Eu visto com muita paixão as camisolas que me vão passando pelo corpo. Durante os oito anos que estive no FC do Porto, gostei muito daquele clube, assim como do Belenenses, da Académica e do Braga. E naturalmente do Trofense, que tem um espaço de simpatia muito grande. Gostei muito do Belenenses, mas deu-me muito prazer ganhar ao Belenenses. Gostei muito do Porto, mas deu-me muito prazer ganhar ao Porto. E neste momento, para o ano, vai-me dar um gozo terrível ganhar ao Braga, e se puder ser logo no primeiro jogo, tanto melhor”, referiu.

Agora no Sporting, Miguel Cardoso espera escrever mais uma página gloriosa na sua carreira e aliar a paixão no futebol com aquilo que lhe dá sentido: as vitórias.

 

 

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